Histórias d’África – Natureza zangada e muitas incertezas

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Vulcão de La Palma, a Ilha Bonita das Canárias, no Atlântico africano, entra no 78º dia de erupção e só acalmo ligeiramente muito poucas horas, precisamente na noite da passada sexta-feira, na passagem de dia 3 para 4. Mas sábado, dia 4, ficará na história por ter voltado a ser desastroso:

Surgiu um novo vazamento de lava pelo norte da montanha de Cogote, a décima-segunda ‘estrada’ de lava magmática. Destruiu um maior número de vivendas habitacionais em Los Llanos de Aridane. Esta ‘estrada’ deslocou-se ligeiramente dos vazamentos anteriores e atingindo áreas de maior distribuição de habitações no Sudoeste dos pontos de emissão. Entrou na área que divide Tazacorte e Los Llanos de Aridane e acabou por unir-se à ‘estrada’ número 9 e trazer mais energia para o delta lávico. Não será bom sinal a actividade sísmica manter-se intensa e a profundidades maiores: isso faz crer que ainda há muita matéria magmática por expulsar.

A outra face da Isla Bonita, os lugares que esperam pelos visitantes. Uma ilha que apesar do infortúnio é segura e as suas gentes anseiam pela sobrevivência e isso faz-se com o ‘turismo amigo’

No 77º dia da erupção, a área afectada ascende a 1.155 hectares (11 550 000 m2). As construções atingidas ascendem a 2.897, das quais 2.771 foram completamente destruídas e maioritariamente habitações.

Mas o vídeo da “GutnTogIceland”, tornado público no Youtube, impressiona, remete-nos ao silêncio, à admiração da dimensão da devastação, perfeitamente perceptível pelas 4 fanjanas que já provocou sobre a costa e pela área considerável que a terra ganha ao mar.

O filme mostra-nos a extensão dos terrenos agrícolas destruídos e também isolados que são fundamentalmente de cultivo de bananas. Uma destruição que resulta na perca de mais de 60% da produção da ilha e da consequente queda das vendas internas e da exportação deste fruto com marca ‘Canárias’ já que La Palma é a segunda ilha mais frutícola a seguir a Tenerife.

As imagens também nos surpreendem por que em duas fanjanas surgem praias de ‘areias escuras’, a acumulação de cinzas e degradação da lava.

Aos maiores especialistas assinalam estes eventos bem como a manutenção de vida submarina – já detectada e filmada pelo robot submarino do navio oceanográfico “Ángeles Alvariño” apesar das temperaturas da água registadas oscilarem entre os 45 e 51 graus – são como uma oportunidade a médio-prazo para um reforço do desenvolvimento socioeconómico da ilha pelas mais diversas razões equacionadas pela própria regeneração da natureza depois destes eventos e sempre para melhor que no passado.

Como que o artista tivesse adivinhado o que se iria passar: A natureza não ouviu a oração…

Naturalmente que essa oportunidade perde-se para os maiores de idade que perderam tudo: As suas histórias de vida para além de todos os bens patrimoniais. Também para milhares de palmeiros que se apercebem que os programas de ajudas que se anunciam com grande destaque – sempre em sequência das (seis) viagens do presidente do Governo da Nação, Pedro Sánchez – tropeçam com a dura realidade da burocracia entorpecedora e cega geradora de enormes problemas. Veem-se funcionários subjugados a poderes socialmente insensíveis e que também eles acabam por se tornar num problema em vez de serem a solução para cidadãos sem nada, num desespero silencioso.

A insensatez das ajudas aprovadas: 30.000 euros para quem perdeu a sua casa; 20.000 para quem ficou sem a sua propriedade agrícola; 9.000 euros para os proprietários de estabelecimentos comerciais que desapareceram ou ficaram totalmente destruídos. Políticos da oposição classificam as ajudas de injustas. Já o comum dos cidadãos questionam sobre como é possível construir uma vida nova com estes valores anunciados.

É exigível o pagamento total dos danos para evitar o abandono do território.

Espera-se que a enorme quantidade de lava que continua a ser expulsa ao longo das bocas que se formaram na fissura do vulcão corra por cima, mas sobretudo sob os vazamentos já existentes, neste último caso por dentro dos chamados tubos lávicos que se formam pelo maior arrefecimento da matéria magmática, um fenómeno que ocorre em vulcões com estas características em que os piroclastos e a lava são mais espessos. A temperatura da matéria expulsa chega a atingir temperaturas superiores aos 1.200 graus.

O Vulcão da ‘Cumbre Vieja’ que estalou em 19 de Setembro poderá tornar-se na erupção mais longa desde que há registos destes fenómenos em La Palma, com datas entre 1430 e 1440. Das anteriores explosões, a mais longa aconteceu em 1646 – “Martín” – que durou 82 dias.

A história desta erupção, como todas as outras, faz-se diariamente, por vezes a cada hora que passa… Mas deixamos aqui algumas imagens que falam; que mostram a espectacularidade do fenómeno – mesmo uma beleza singular da exuberância que só a natureza dá – , mas ao mesmo tempo a angústia de quem sobrevive no epicentro deste caos.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

Em baixo o link com o filme da “GutnTogIceland”:

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