Odivelas – No dia em que as consciências forem despertadas para a necessidade da exigência…

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“As lindas maquetes socialistas que os sucessivos anos de inoperância demonstram nunca saírem do papel”.

Declaração Política

Uma vez que na primeira reunião deste recém-eleito executivo, por ser extraordinária, não existiu paod, apenas hoje nesta reunião ordinário tenho a possibilidade de realizar esta declaração política.

Durante os últimos 4 anos, o PSD esteve pela primeira vez neste órgão em regime de oposição. Isto é, na sequência dos resultados de 2017, que atribuíram uma maioria absoluta ao PS, coube ao PSD acompanhar e fiscalizar as políticas municipais, cuja responsabilidade era do partido que venceu de forma absoluta. Porém, além de, responsavelmente, cumprirmos com o estatuto de oposição, nunca nos demitimos de apresentar as propostas que entendemos fundamentais para a valorização do território e melhoria da qualidade de vida de quem cresce, estuda, vive ou trabalha em Odivelas. Em momento algum optámos pela demagogia e pelo populismo, pelo contrário, tudo o que defendemos tinha enquadramento na realidade do orçamento municipal e se não foi executado foi por opção do Partido Socialista. Aliás, não posso deixar de lamentar a forma sobranceira e altiva do executivo socialista, bem como o desdém, sempre que foram confrontados com as propostas e correções da bancada do PSD.

A título de exemplo posso mencionar a proposta do PSD para a redução do IMI de 0,37% para 0,34%, logo no primeiro ano de mandato, e que continuou a ser realizada nos anos sucessivos, pois iria aliviar a carga fiscal das famílias, mas que nunca contou com a anuência do PS, sendo permanentemente desvalorizada. Todavia, a 1 ano das eleições e sem qualquer pudor eleitoralista fizeram aprovar a redução do IMI numa mísera décima, apenas com o propósito de dotar o partido do regime de discurso político, sobre uma proposta que tanto criticaram nos anos anteriores, desvalorizando as dificuldades das famílias de Odivelas. Em Odivelas a democracia apenas vinga se for pintada de cor-de-rosa!

Entretanto chegou a campanha eleitoral e a coligação liderada pelo PSD foi logo motivo de ataques públicos mal lançou os primeiros outdoors. Acusou o Sr. Presidente da Câmara, durante uma sessão da AM, que o PSD Odivelas tinha vergonha do seu símbolo e das suas cores, pois iria coligado com 6 partidos e a cor da campanha seria azul. Será que o PSD teria de prestar contas ao PS sobre o design da sua campanha? Alguém ouviu o PSD imiscuir-se publicamente sobre a estratégia de comunicação do PS? No PSD ninguém questionou se o PS tinha vergonha de expor o seu cabeça de lista, tal a escassez de fotos do mesmo! No PSD também ninguém questionou se o verde que o PS usou nos seus outdoors era a cor do partido? A mesquinhez que se respira em Odivelas deveria há muito ter sido substituída por exigência e rigor, e talvez o território fosse menos assimétrico.

A preocupação da coligação e do seu líder não era o combate às lindas maquetes socialistas que os sucessivos anos de inoperância demonstram nunca saírem do papel. A ficção combate-se com a realidade e o tempo encarregar-se-á de expor esses embustes.

A preocupação do líder da coligação era a apresentação de um projecto arrojado, sólido e exequível, assim como de uma equipa capaz de o colocar em prática. Nesse sentido partimos para as eleições de consciência tranquila, pois tínhamos um excelente programa e uma excelente equipa.

Tentámos despertar consciências através das soluções que apresentámos para os problemas que no passado e no presente continuam a atrasar Odivelas e daí a importância da mudança que propusemos.

Porém houve quem defendesse a aposta na continuidade que nos atrasa. E para esses continuaremos a afirmar:

É impossível continuar com uma incompetente recolha dos resíduos urbanos, que faz de Odivelas uma lixeira a céu aberto;

É impensável continuar sem uma política de habitação capaz de dar respostas às centenas de pessoas que continuam a morar em barracas, aos milhares de pessoas que habitam em bairros degradados e aos milhares de jovens que têm dificuldade no acesso ao arrendamento;

É incomportável continuar sem qualquer exigência no espaço público o que perpetua a sua desqualificação, fazendo de Odivelas um território que mais parece de terceiro mundo e que deveria fazer corar de vergonha quem o gere;

É lamentável continuarmos com uma insuficiente rede de transportes intra-freguesias, que induz a utilização do automóvel e motiva o seu amontoar junto às 3 estações do Metropolitano, fazendo desses locais, sem condições para estacionamento, uma selva;

É inaceitável continuarmos com uma insuficiência de equipamentos sociais e desportivos, que se agrava por não acompanharem o crescente número de habitantes;

É insustentável continuarmos sem uma estratégia turística e cultural que faça jus a importância histórica de Odivelas no panorama nacional;

Terminada a campanha os odivelenses foram chamados a votar e os resultados merecem uma reflexão séria.

Além de reproduzirem um total afastamento entre governantes e governados, traduzido nos cerca de quase 60% de abstenção, que fizeram de Odivelas um dos municípios onde esta taxa foi mais elevada a nível nacional, reproduziram também uma total ausência de ambição e de exigência por parte de quem continua a rever-se num território com as graves lacunas supra enunciadas.

Não obstante, impõe-se 2 questões: será que o partido que ganhou as eleições, conseguindo-o com apenas cerca de 19% do total de votantes (o que significa que 81% não se revê nesta gestão), sente que a soberba e a gestão dos mínimos olímpicos é para continuar? Ou aprenderam a lição e finalmente perceberam que a forma como têm gerido o território não galvaniza a população e é preciso instituir exigência e realizar os investimentos necessários?

“Será que o partido que ganhou as eleições, conseguindo-o com apenas cerca de 19% do total de votantes (o que significa que 81% não se revê nesta gestão), sente que a soberba e a gestão dos mínimos olímpicos é para continuar?”

Os exemplos dos últimos 4 anos fazem perspetivar a resposta e o que serão os próximos 4. Assim como o discurso crispado, ressabiado e despropositado do Sr. Presidente da Câmara na tomada de posse dos órgãos autárquicos, demonstrou bem ao que vinha e quais são as suas prioridades.

Quando após uma vitória, ao invés de ter uma atitude magnânima, focada no trabalho e na transformação do território, opta por atacar os opositores e as suas propostas, demonstra bem que o PS em Odivelas apenas vai continuar a querer governar para a clientela dos mínimos que lhes garante a vitória, pois sabe que no dia em que as consciências forem despertadas para a necessidade da exigência, o partido socialista irá capitular por falta dessa mesma exigência.

Quanto a nós, PSD, estaremos cá, com a mesma convicção e resiliência de sempre. Sabemos bem que para termos um território menos assimétrico e com mais qualidade de vida teremos de ser capazes de mobilizar a população para conhecer o que de melhor se faz em municípios aqui tão perto e para assim poderem exigir que Odivelas não seja menos do que qualquer outro desses concelhos com exemplos virtuosos.

Nós não somos menos do que ninguém e no dia que os odivelenses despertem para essa realidade e ousarem ser iguais aos melhores concelhos da AML, o Partido Socialista terá então os dias contados na gestão dos órgãos autárquicos de Odivelas.

Disse!

  • Marco Pina – Vereador eleito pelo PSD na Câmara Municipal de Odivelas
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