Histórias d’África – E o diabo chinês que açambarca gás e alumínio

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Há um diabo chinês que anda à solta: Açambarca gás e alumínio. Força o aumento de preços de modo exponencial. Estimula uma crise de preços das energias, na electricidade principalmente e um corte na produção metalomecânica a Ocidente. Sofrem a maioria dos cidadãos e a indústria automóvel e de componentes. Inclusivamente faltam semi-condutores. Salva-se a França que produz 71,6% da electricidade através dos seus 58 reactores nucleares, o segundo país do Mundo com maior número destes equipamentos, atrás dos EE.UU. e à frente do japão, China e Rússia.

No caso do gás natural reflecte-se imediatamente no custo da energia eléctrica no mercado maiorista europeu. Sofrem os consumidores dos países que mais utilizam este combustível para produzir energia eléctrica e coincidentemente aqueles em que a regulação é menos eficaz e onde as empresas distribuidoras são maioritariamente privadas. O maior exemplo são os países do Sul europeu, onde o sector energético enferma de um problema estrutural que urge solucionar, para evitar assimetrias na competitividade das indústrias relativamente aos países da Europa central e do Norte, bem como ao restante Mundo Ocidental.

Recordemos que, em França, a maior fatia da generação de energia eléctrica advém dos 58 reactores nucleares activos – o 2º país mundial com mais equipamentos destes, atrás dos Estados Unidos (99), Japão (42), China (39) e Rússia (35) – que produzem 381846.02 GWh, correspondendo a 71,6% de toda a electricidade gerada no país.

Já a Alemanha sustenta-se nas centrais termo-eléctricas a carvão, apesar dos discursos anti-poluição e a favor da luta contra as alterações climáticas, e no contrato bilateral, muito vantajoso, com a Rússia para compra de gás natural, a que junta 8 reactores nucleares que garantem 11,6% do total de energia electrica produzida. Não esquecer que, em Junho de 2020, na Alemanha – país conhecido pela coerência -, perto da cidade de Dortmund, se inaugurou mais uma central a carvão.

à central termoelétrica alemã é uma das 400 centrais a carvão que estão atualmente em planeamento e construção, um pouco por todo o planeta.

Faço um parêntesis para transcrever um excerto do artigo de opinião, assinado por Eduardo Moura, em 2 de Junho de 2020, na página online «CapitalVerde»: “Qual é a mensagem que a Europa está a enviar ao mundo? Se a Europa pode inaugurar uma central, por que outros não devem fazê-lo? Se o racional alemão que justifica a central é bom, por que outros racionais não serão igualmente bons? Portanto, vamos lá inaugurar as 400 centrais a carvão que estão atualmente em planeamento e construção, um pouco por todo o mundo.

Veja-se bem o racional alemão, do governo e da Uniper/Fortum, proprietárias da nova central, citando o seu comunicado explicativo «the transition to a low-emission society must be made without compromising security of supply or an affordable cost of energy, in a socially just manner”. Ou seja «a transição para uma sociedade com baixas emissões deve ser feita sem comprometer a segurança do abastecimento ou um custo de energia acessível, de uma forma socialmente justa». Impossível estar em desacordo, não há nada mais inatacável! Mas, caramba, não é este o argumento do mundo inteiro?

Mesmo Espanha, onde toda a energia é facturada pela maioria das eléctricas pelo valor máximo equacionando-se apenas o custo da geração por gás natural. Ou seja não se atende à energia distribuída pelas 5 centrais nucleares em funcionamento – sendo que duas delas são unidades gémeas, possuindo dois reactores – e pelos parques eólicos e fotovoltaicos. As empresas aplicam o preço do pelo máximo da co-geração, precisamente pela cotação do mercado do gás natural. De qualquer modo, em média, apenas 41,7% das facturas corresponde realmente à energia consumida.

Por que razão se torna escandaloso pagar a energia na sua totalidade tendo como base a co-generação por gás natural?

Em Espanha, a origem da produção de electricidade do sistema em 2020 era maioritariamente a partir das renováveis e nucleares, representando 66,4% do total.

Para o arquipélago das Canárias, numa factura da Iberdrola, verificamos que 32,7% do valor total destina-se a impostos e encargos, enquanto os direitos de transporte e a distribuição representam 24,3% do total facturado

Para o arquipélago das Canárias, numa factura da Iberdrola, verificamos que 32,7% do valor total destina-se a impostos e encargos, enquanto os direitos de transporte e a distribuição representam 24,3% do total facturado. Em Agosto, pagou-se o KWh entre os 0,139105€ e os 0,212011€, ou seja uma percentagem acima do máximo ideal que é de 0,19€. Por outro lado, um dos maiores exemplos que dá razão a quem defende uma reforma estrutural no sector, prende-se com os subsídios às renováveis e à co-geração por resíduos que representa 12,1% dos 25,2% dos encargos facturados, enquanto para o deficit anual (nada que os portugueses desconheçam) se destinam 9,5% desse mesmo valor.

Vejamos as percentagens mais significativas da origem da produção de electricidade do sistema espanhol em 2020:

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As percentagens mais significativas da origem da produção de electricidade do sistema espanhol em 2020 eram: Renováveis, 43,6%; Nuclear, 22,8% (só estas duas fontes somam 66,4% do total da electricidade consumida); Gás natural, 17,9%; carvão, 2%; Fuel/gas, 1,7%; Co-generação de alta eficiência, 3,7%.

Renováveis, 43,6%; Nuclear, 22,8% (só estas duas fontes somam 66,4% do total da electricidade consumida); Gás natural, 17,9%; carvão, 2%; Fuel/gas, 1,7%; Co-generação de alta eficiência, 3,7%.

Alumínio torna-se em metal quase precioso

Os alarmes dos mercados internacionais voltam a tocar seis meses depois de soarem por causa dos preços do gás natural. Agora a razão é o alumínio: Há 15 meses cotava-se a 1.778 dólares a tonelada; há 70 dias, o preço era de 2.878 dólares, e agora, precisamos de 3.000 dólares para compara mil quilos de alumínio.

O alumínio cotava-se há 15 meses a 1.778 dólares a tonelada; há 70 dias, o preço era de 2.878 dólares, e agora, precisamos de 3.000 dólares para compara mil quilos de alumínio

O alumínio torna-se em mais um metal quase precioso: 3.000 dólares é quanto custa uma tonelada à entrada do mês de Setembro. A culpa é do excesso de procura da indústria chinesa que desatou a comprar quantidades exorbitantes, sobretudo para armazenar. A inflação dos preços foi o resultado imediato. As indústrias da automação a Ocidente são as mais prejudicadas. Já estavam a sentir a pressão dos custos da electricidade e agora veem-se sem a sua principal matéria-prima. Já se reduzem os turnos e diminui-se a produção numa iniciativa de controlar os custos. Quebra também do mercado de semi-condutores: Subitamente a oferta é menor que a procura.

Só 20% do alumínio é obtido pela reciclagem

O gasto quase gigantesco de energia para se produzir o alumínio é o maior problema presentemente já que o preço do gás natural está em alta como nunca.

O alumínio é um dos elementos mais abundantes da crosta terrestre (8 %) e um dos metais mais dispendiosos em obter. Estima-se que a produção anual é de 33,1 milhões de toneladas, sendo a China e a Rússia os produtores mais importantes, com 8,7 e 3,7 milhões, respectivamente. Uma parte muito relevante da produção mundial resulta da reciclagem. Em 2005, representava aproximadamente 20 % da produção global total.

A matéria-prima a partir da qual o alumínio é extraído é a bauxite, que é denominada na localidade francesa de Les Baux, onde foi extraída pela primeira vez. As principais jazidas localizam-se nas Caraíbas, Austrália, Brasil e em África. A bauxite extraída nestes países é mais facilmente disgrega. É um minério rico em alumínio, entre 20 % e 30 % em massa, contra 10 % ou 20 % dos silicatos alumínicos existentes em argilas e carbonos. É um aglomerado de vários compostos que contém caulinite, quartzo óxidos de ferro e Titânia, e onde o alumínio se apresenta em várias formas de hidróxidos como a gibbsita Al (OH)3, boehmita AlOH e diásporo AlOH. Este metal é extraído apenas do minério conhecido como bauxite, por transformação em alumina pelo processo Bayer e em alumínio metálico por electrólise.

A produção de alumínio começa com a extração de bauxite como matéria-prima, um tipo de solo argiloso que se encontra num cinturão em torno do equador. E é extraída a poucos metros abaixo do nível do solo.

São necessárias três matérias-primas diferentes para a produção de alumínio: óxido de alumínio, energia eléctrica e carbono. A eletricidade passa do cátodo negativo para o ânodo positivo, ambos feitos de carbono. O carbono ânodo reage com o oxigénio da alumina e forma CO2.

É facilmente perceptível perceber a consecução do alumínio em https://www.hydro.com/es-MX/aluminium/about-aluminium/how-its-made/

As propriedades físicas

Como já escrevi atrás, o alumínio é um constituinte abundante na natureza, só avançado pelo oxigênio e o silício. O Oxido de Alumínio ou também chamado alumina é um material transparente com a capacidade de proteger o próprio alumínio já que esta se gera com o contacto do ar protegendo-o da corrosão. E redunda numa camada esmaltada, mas sensível ao tacto com outros metais em virtude dos demais metais poderem remover esta característica da parede protectora devido aos átomos. Trata-se de um metal leve, com uma densidade de 2 700 kg/m³, e com um baixo ponto de fusão, a 660°C. Tem uma cor acinzentada, meio transparente e reflecte muito bem a radiação electromagnética do espectro visível e térmico. É bom condutor eléctrico (entre 35 e 38 m/(Ω mm²)) e térmico (80 a 230 W/(m K)).

Propriedades mecânicas

Alumínio é um material macio (escala de Mohs: 2-3-4) e maleável. Em estado puro tem um limite de resistência em tração de 160-200 N/mm² (160-200 MPa). Também se lhe reconhece a capacidade de servir como isolante no processo de oxidação: é tal como um material inox no revestimento. Tudo isto torna o alumínio adequado para o fabrico de cabos eléctricos e lâminas finas, mas não como elemento estrutural, porque é resistente à corrosão, mas em contrapartida é um metal macio. Mas pode-se melhorar estas propriedades juntando-o com outros metais, o que permite usá-lo para soldadura, precisamente como soldagem.

Preços do MWh da electricidade na Europa, em 7 de Outubro (fonte: Jornal online NIUS)

Os preços da electricidade em Espanha

Preços kWh CFE 2021

Tarifa Consumo Básico Consumo Intermédio baixo

Tarifa 1 0.866 $/kWh 1.051 $/kWh

Tarifa 1A 0.826 $/kWh 0.987 $/kWh

Tarifa 1B 0.826 $/kWh 0.987 $/kWh

Tarifa 1C 0.826 $/kWh 0.987 $/kWh

¿Quanto custa a luz em Espanha à data de 18 de Outubro de 2021?

Preço do kWh no mercado regulado dia 18 de Outubro de 2021

Hora Península, Baleares y Canarias Ceuta y Melilla

15h 0,23467 €/kWh 0,23467 €/kWh

16h 0,23564 €/kWh 0,23564 €/kWh

17h 0,2689 €/kWh 0,2689 €/kWh

18h 0,30234 €/kWh 0,28984 €/kWh

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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