Histórias d’África – O demónio da pobreza severa…

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A epidemia global de SARS-CoV-2 trouxe outras verdadeiras pandemias: Maior assimetria entre ricos e pobres, os ricos conseguem estar mais ricos e os pobres aumentaram em 2020 de modo preocupante; Diminuição da classe média; maior número de suicídios.

Nos países da União Europeia acredita-se que haja 30 milhões de pobres severos, um crescimento de mais de 8 milhões entre os últimos dois anos, principalmente após o início da pandemia.

Espanha é um dos países que já tem estatísticas precisas relativamente a 2020: Segundo a EAPNES, Rede Europeia Contra a Pobreza e a Exclusão Social, no Estado espanhol registam-se 4,5 milhões de pessoas em pobreza severa, ou seja 9,5% da população, sendo que 28% são cidadãos estrangeiros residentes.

No topo do ranking encontra-se a Comunidade Autónoma das Canárias com a pobreza severa a situar-se nos 16,5% da população. São 373.000 cidadãos que vivem enormes dificuldades, em pobreza quase extrema. E presentemente não chegam aos 750 mil cidadãos contribuintes para a segurança social, menos de metade da população activa.

No topo do ranking encontra-se a Comunidade Autónoma das Canárias com a pobreza severa a situar-se nos 16,5% da população, revelando um crescimento impressionante na ordem dos 49% apenas em 2020. São 373.000 cidadãos que vivem em enormes dificuldades. Uma grande percentagem esconde-se entre a vergonha e ficamos com a sensação que já se vive aparente normalidade pós-pandemia. Outros do factores decisivos para a sensação de habitualismo transmite-se pelas dezenas de milhares de residentes estrangeiros oriundo dos países europeus, a maioria de classe média e média-alta, muitos jubilados e com poder aquisitivo acima da média.

Não menos preocupante é saber-se que actualmente apenas descontam para a segurança social menos de metade da população activa do arquipélago, 750.000 cidadãos. O desemprego, consequente das restrições no sector do turismo por causa da epidemia de SARS-CoV-2, e a economia paralela que se gera pelos mesmos motivos são as razões das dificuldades.

A marca Hilton Grand Vacations Incorporated, propriedade da cadeia internacional Hilton, anunciou a aquisição dos 9 resorts de timeshare da Diamond Resorts International Incorporated., numa operação superior aos 1,4 mil milhões de dólares, onde se incluem mais algumas unidades europeias. O grupo norte-americano junta ao seu império nove hotéis em Tenerife, dois em Lanzarote e um em Gran Canaria. A aquisição poderá ser decisiva na recuperação da indústria do turismo a curto-prazo porque abre, pela primeira vez de modo efectivo, as portas das Canárias aos mercados Norte-americano, canadiano e australiano que se revelam presentemente os maiores emissores de um target médio-alto e alto, mais exigente, mas mais gastador em absoluto, muito para além dos meros pacotes de viagens de férias dos europeus

Recorde-se que em 2018, a taxa de risco de pobreza (após transferências sociais) nos Estados Membros da União Europeia a 27 foi de 16,8 %. E os 20 % da população com o rendimento disponível mais elevado na União Europeia tinham um rendimento 5,1 vezes superior ao dos 20 % com o rendimento disponível mais baixo.

Brexit revela-se desastroso para as Canárias: Exportações de hortícolas para o Reino Unido caíram 44% no primeiro semestre deste ano comparativamente a igual período de 2020. Vendas globais de bens e serviços a países terceiros caem 15,6%. E as importações diminuem 26% relativamente ao primeiro semestre de 2019 o que acaba por equilibrar a balança comercial.

O arquipélago vive maioritariamente da indústria do turismo e dos serviços que lhe estão associados, e da agricultura e da agro-indústria. Se por um lado, a epidemia se revelou uma catástrofe para o turismo; por outro, o Brexit tornou-se num gigantesco desastre para o sector da horticultura das Canárias. Inimaginável que os primeiros 6 meses deste ano se revelassem piores que em 2020: As exportações de hortícolas para o Reino Unido caíram 44% no primeiro semestre deste ano comparativamente a igual período de 2020. Estas exportações ficam abaixo dos 1.000 milhões de euros.

As estatísticas dos primeiros 6 meses deste ano revelam que os países terceiros compraram menos 15,6% de bens e serviços no arquipélago comparativamente com o primeiro semestre de 2020.

Mas os sinais de crise acabam por equilibrar a balança das transacções comerciais: As importações também caíram 26% relativamente a período homólogo de 2019.

Já os dados do turismo ainda são provisórios: A partir de julho a recuperação poderá situar-se acima dos 65%. Em Junho já estavam abertos 55% dos alojamentos hoteleiros, entre eles as 32 unidades pertencentes às cadeias RIU e Melía. De qualquer modo, em Junho, a taxa de ocupação real foi de 17%, significando que uma importante percentagem dos turistas optaram pelo aluguer de “villas vacacionales”, os alojamentos turísticos particulares, por claro efeito do medo de contágio do vírus em espaços mais frequentados.

De qualquer modo, assiste-se a outra preocupação que já não preocupava os europeus há anos: Inflação acima de zero, atingindo neste primeiro semestre, em Espanha, a fasquia do 3,4%.

Contudo, nas Canárias, estranha-se o aumento dos preços dos produtos agrícolas, num período em que se se inutilizam uma média de 150 toneladas ao mês. Resultado mais imediato é a importação destes produtos por algumas das maiores empresas de distribuição. Um exemplo prático: Nas últimas semanas, em Tenerife, vende-se tomate português nos hipermercados Mercadona, precisamente numa ilha de produção excepcional deste fruto, com mais de uma colheita anual.

O preço dos combustíveis, a ‘Hilton Grand Vacations’ e as rent-a-cars ajudam a economia das Canárias. Nas promoções semanais podemos compara diesel e gasolina premium a 0,889€ e 1,039€ por litro respectivamente. A Hilton abre as portas dos mercados estadunidense, canadiano e australiano e as empresas de aluguer de automóveis compararam mais 40,21% em Maio deste ano que em 2019.

A marca Hilton Grand Vacations Incorporated, propriedade da cadeia internacional Hilton, anunciou a aquisição dos 9 resorts de timeshare da Diamond Resorts International Incorporated., numa operação superior aos 1,4 mil milhões de dólares, onde se incluem mais algumas unidades europeias. O grupo norte-americano junta ao seu império nove hotéis em Tenerife (Santa Bárbara Golf, Sunset View, Royal Tenerife Country Club, Sunset Bay, Sunset Harbour e Royal Sunset Beach Club), dois em Lanzarote (Jardines del Sol e Club del Carmen) e um em Gran Canaria (Club Cala Blanca).

Brexit revela-se desastroso para as Canárias: Exportações de hortícolas para o Reino Unido caíram 44% no primeiro semestre deste ano comparativamente a igual período de 2020. Vendas globais de bens e serviços a países terceiros caem 15,6%

A aquisição poderá ser decisiva na recuperação da indústria do turismo a curto-prazo porque abre, pela primeira vez de modo efectivo, as portas das Canárias aos mercados Norte-americano, canadiano e australiano que se revelam presentemente os maiores emissores de um target médio-alto e alto, mais exigente, mas mais gastador em absoluto, muito para além dos meros pacotes de viagens de férias.

Aqui, a Hilton servirá também de veículo publicitário da imagem do arquipélago como lugar ideal para viver, investir, disfrutar de um clima quase singular, de natureza ímpar, da condição de ilhas afortunadas onde há quase de tudo e onde os serviços públicos ainda se mantém com elevada qualidade apesar da crise.

Um parêntesis: Hilton Grand Vacations Incorporated converte-se no maior grupo multipropriedade do Mundo com 154 resorts dedicados exclusivamente ao sector do turismo. Em Espanha é responsável por 1.200 empregos e só no continente europeu já tem 380.000 membros na lista de clientes permanentes.

Já os preços dos combustíveis baixos ajudam ao incremento da economia e da mobilidade que subsiste muito do transporte rodoviário particular. O exemplo prático é perceptível, analisando o preço do litro das gasolinas 98 premium num mercado muito concorrencial entre petrolíferas, mesmo entre concessões da mesma marca (no arquipélago não há cartelização dos preços): varia entre o 1,16€ e o 1,21€ por litro e nas promoções semanais entre o 1,0136€ e o 1,09€. Por exemplo, em Tenerife poderemos comprar 20,79 litros deste combustível mais caro tão-só por 21,60 euros, ou seja a 1,039€/litro. Quanto ao diesel Plus, em dias de promoção, poderemos abastecer 11,25 litros por apenas 10€, significando um custo de 0,889 euros por litro.

A venda de automóveis ligeiros, incluindo todo-o-terreno e SUV’s foi fortemente ajudada pelas empresas de aluguer que compraram em Maio último 537 veículos contra 383 em igual período de 2019 (mais 40,21%), depois de um ano de 2020 bastante negativo. De qualquer modo, se juntarmos as compras das empresas e dos particulares, o saldo é negativo em 29,91% já que em maio de 2019 venderam-se um total de 3.988 viaturas contra 2.795 automóveis no passado mês de Maio.

Enfermidades psiquiátricas são outra das novas epidemias: Em Espanha, 2 em cada 10 cidadãos toma tranquilizantes para dormir e a cada 2 horas e meia regista-se um suicídio… E nem sequer os registos se encontram entre os piores países europeus.

Mas a Ocidente revelam-se outras inquietações que não sendo novas foram avivadas pela pandemia: A saúde mental. Vejamos o caso espanhol que está longe de ser dos mais preocupantes: Um em cada 10 residentes no país sofre de enfermidades do foro psiquiátrico; 2 em cada 10 (20% da população) toma tranquilizantes para conseguir dormir.

Mas o mais perturbante ´sabermos que a cada 2 horas e meia há um cidadão que se suicida em Espanha.

¿2020, o Ano dos Divórcios?

Na Europa, o número de divórcios globalmente cresceu em período da pandemia de SARS-CoV-2. Estuda-se a razão, mas os números surpreendem se atendermos ao facto de que presentemente os casais vivem cada vez mais em regime de união de facto.

Em Espanha, o Conselho Geral do Poder Judicial revelou os números relativos aos quatro trimestres de 2020: 22.980 divórcios entre Janeiro e Março; 15.816 de Abril a Junho; 24.644 ocorridos em Julho, Agosto e Setembro; 27.610 separações entre os dias 1 de Outubro e 31 de Dezembro que assinalou o recorde do ano. Portanto, no ano passado, em Espanha divorciaram-se 91.050 casais.

Nada de novo na estratégia Europa 2020: O cidadão comum não percebe. É uma estratégia sem ambição e ideias claras.

A estratégia Europa 2020 para um crescimento inteligente, sustentável e inclusivo define metas – sem que saibam bem quais são e como se poderão concretizar – para ajudar, pelo menos, 20 milhões de pessoas a saírem de uma situação de pobreza extrema e exclusão social e aumentar para 75% a taxa de emprego da população entre os 20 e os 64 anos.

O idealismo e vagueza desta estratégia fica demonstrada quando lemos as iniciativas emblemáticas da estratégia Europa 2020, designadamente, que “a Plataforma Europeia contra a Pobreza e a Exclusão Social e a Agenda para Novas Competências e Empregos contribuem para a consecução destas metas”.

Outra das imprecisões que pouco significa para o cidadão comum é que será através do seu “Pacote de Investimento Social, que a Comissão Europeia dá orientações aos países em matéria de modernização dos seus sistemas de segurança social, a fim de garantir um investimento social ao longo da vida”.

E o que é o Pacote de Investimento Social?

Sabemos que contempla:

O Pacote de Emprego, que define a via a seguir para uma recuperação geradora de emprego.

O Livro Branco sobre as Pensões, que apresenta uma estratégia para pensões adequadas, sustentáveis e seguras

O Pacote de Emprego dos Jovens, que aborda especificamente a situação dos jovens.

Tenerife aprova circuito para testes de Fórmula 1 e MotoGp

que não serve à crise nem esbate a pobreza.

Todos iguais entre socialistas europeus.

Tenerife aprova circuito para testes de Fórmula 1 e MotoGp que não serve à crise nem esbate a pobreza. O vice-presidente do governo da ilha nem sequer detalhou custos. Mas os números do Autódromo Internacional do Algarve são esclarecedores: custou 250 milhões de dólares. O circuito de Portimão como também é conhecido foi inaugurado em 2008. Já a pista de Tenerife um comprimento de 4,068 quilómetros e uma recta maior com 816 metros. A pista será construída numa das zonas mais afectadas pelos ventos alísios, numa área de 350.000 m2. Anuncia-se um circuito preparado para velocidades entre a mínima de 180,19 Km/h e a máxima de 310,59 Km/h (Foto publicada em soymotor.com)

Tenerife retomou o projecto de construção do ‘Circuito Insular do Motor’, segundo reza a história um sonho dos tenerifeños de há 30 anos. Enrique Arriaga, primeiro vice-presidente do Cabildo de Tenerife, ou seja do governo da ilha, disse ao periódico online SoyMotor.com que “Haverá toda uma série de coisas relacionadas com o mundo do motor que podem dar muito mais atividade e que podem tornar muito mais atraente a ilha”, adiantando: “Queremos abrir Tenerife não só por motivos turísticos, mas também pela riqueza que pode gerar atrair competições e treinos, como já se faz com outras atividades“. O que Enrique Arriaga não esclareceu foi o custo da obra megalomaníaca e parece confundir-se com a realidade de que realmente a economia das Canárias depende em mais de 50% da indústria do turismo e nem sequer precisamos de incluir todas as actividades desde o sector agrícola, à distribuição, passando pelos serviços que o próprio turismo faz funcionar e o resultado directo na empregabilidade. Certamente, não será um circuito para corridas de automóveis e de motos que trará maior fluxo de turismo às Canárias e a Tenerife em particular, tanto mais que a pista será destinada exclusivamente a corridas caseiras.

Por outro lado, o também conselheiro insular da Área de Estradas, Mobilidade, Inovação e Cultura da actual governação de Tenerife, não explica como sustenta a ideia que as equipas de Fórmula 1 e do MotoGP coloquem nos seus mapas de circuitos para testes, uma pista em Tenerife a 1.577 quilómetros do continente europeu que, no seu perímetro, já tem dois circuitos muito utilizados como o de Portimão, no Algarve, e o ‘velhinho’ andaluz de Jerez de la Frontera. Estas pistas encontram-se precisamente numa região com um Inverno bastante temperado e, por isso mesmo, são escolhas frequentes das equipas destas modalidades mas também de outras não menos espectaculares para testes e treinos privados.

Poderemos questionar que receitas prognostica o governo socialista de Tenerife realizar com treinos particulares das equipas destas modalidades?

Mas vamos a números: O Autódromo Internacional do Algarve (algumas vezes chamado de Circuito de Portimão), inaugurado em 2008, custou 250 milhões de dólares. Trata-se de uma pista com 4,692 km (2,916 mi) que incluiu uma pista de karting, uma pista off-road e um parque tecnológico. Junto edificou-se um hotel de 5 estrelas e um complexo desportivo com apartamentos. Tornou-se num dos circuitos mais procurados e está entre os melhores da Europa.

Ora o que se pergunta é se não haverá outros investimentos prioritários onde gastar 200 milhões de euros, num período de profunda crise e onde, em pleno mês de Setembro, mais de 30% das camas de turismo permanecem encerradas, com uma percentagem de desemprego recorde no território de Espanha?

Sabemos que o projecto carece de aprovação definitiva por parte das federações internacionais de Automobilismo e Motociclismo para que as obras possam começar no próximo ano. Segundo Enrique Arriaga a “pretende-se a homologação com a FIA grau 2 + 1T e com a FIM grau B + AT, que é a necessária para treinos de Fórmula 1 e MotoGP “.

Mas os sonhos do governo socialista não acabam aqui: Promete-se um polígono industrial para coisas relacionadas com o motor sem que se conheça o interesse de alguma indústria do sector com peso e que possa acrescentar valor à economia.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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