Histórias d’África – O regresso do Pedro

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Figueira a Primeira” é a candidatura que gostava que ganhasse a Câmara Municipal da Figueira da Foz, por marcar o regresso de um autarca que fez as coisas bem, mesmo muito bem, entre 1997 e 2001, naquele município singular e que nos encanta, precisamente numa altura em que se encontrava caído no esquecimento da maioria de nós e, muito mais fora das fronteiras.

Faço aqui um exercício de intenção, não por que vote em Portugal e tão pouco por ser antigo companheiro de escola do Pedro e, em certa medida, seu admirador no que respeita às convicções e frontalidade… Mas antes por levar quase 30 anos de sucessivas visitas à mítica Figueira, precisamente por ser aí que há 30 anos, me consulto com o meu médico privado, um iminente clínico português, reconhecido além-fronteiras e membro da Academia de Ciências de Nova Iorque.

Por ser a Figueira o lugar que me levará de volta a Portugal por alguns dias, precisamente para ver o médico e o Amigo. Também para me deslocar a um concelho perto para abraçar a família que me resta…

Estou entre os muitos que percepciono a queda da qualidade de vida e o brilho da cidade principalmente desde 2010. Deixei de ver os grandes eventos qui çá pela falta de ousadia ou tão-só da inércia ou falta de prestígio de quem manda. Não basta apenas vestir bem, ser bem-parecido e ler discursos pomposos. Esses são predicados que não nos emanam cultura, condição inquestionável para tratar de um concelho litoral, integrado num Distrito relevante, mas periférico, em certa medida, e muito especial.

Encher hotéis e animar uma marginal ímpar entre as cidades europeias só se faz com competência, credibilidade e no arregaçar de mangas, impondo um produto de inegável singularidade para um turismo mais exigente, de uma classe média e média alta, junto dos operadores.

Pergunto se alguém conhece alguma das 17 Comunidades Autónomas de Espanha onde agora se venda a Figueira da Foz? É certo que já se promoveu, particularmente entre galegos e estremenhos… Mas até quando aconteceu?

E mais interrogo: Quantos cidadãos de Portugal emergem para a antiguidade melancólica dos hotéis Wellington, Mercure ou para a modernidade – controversa – do Eurostars Oasis Plaza e do turismo rural para aficionados do surf, a Quinta D’Anta, em Maiorca?

Muito poucos seguramente.

Perdoem-me a imodéstia, mas apenas acredito que rever uma Figueira revitalizada, outra vez no mapa dos grandes acontecimentos e nos cartazes dos melhores destinos turísticos de qualidade só será possível com a criatividade e rebeldia do Pedro Santana Lopes líder desta candidatura que custa a entrar no ouvido, “Figueira a Primeira”.

Precisa-se de engenho e arte: O turismo é a indústria essencial para a Figueira da Foz, mesmo após 540 dias de restrições que nos deixa a pandemia de SARS-CoV-2 e num período em que todos questionam o futuro do sector. Quer queiram ou não o turismo movimenta biliões directa e indirectamente e um conjunto de outras indústrias com predominância para o sector alimentar.

E por que falei em Espanha, basta aqui sugerir um mercado inexplorado: O da Autonomia das Canárias, com um potencial de 1,7 milhões de consumidores entre a população de 2,150 milhões que têm um enorme atractivo desde logo no tarifário das deslocações para o território peninsular, encontrando o aeroporto de Vigo relativamente perto e um dos acessos principais ao Norte e centro de Portugal. M;as há mais, as jointventures que se podem fazer como por exemplo com a companhia de bandeira Canária, a Binter que tem voos directos para Lisboa duas vezes por semana.

A Figueira e essa imensa Praia do Relógio – a que se juntam outras 4 de elevada importância – merecem melhor imagem. O concelho poderá não ser tão complexo de governar: São 379,05 quilómetros quadrados, 14 freguesias e um total de habitantes que não deverá estar longe dos 62.125 registados nos censos de 2011.

Depois temos que fazer jus à história: O território abrangido pela Figueira da Foz surgiu documentado em 1096, aquando da doação feita pelo Abade Pedro à Sé de Coimbra. Buarcos – o prolongamento da cidade – aparece referida em outra doação realizada em 1143 ao Mosteiro de Sta. Cruz de Coimbra. Buarcos recebeu foral em 1342 e foi sede do concelho até cerca de 1836.

Figueira a Primeira” para que volte a estar entre as primeiras de todas as estâncias de férias em Portugal e num dos melhores locais para viver com a qualidade que se lhe reconheceu há bem pouco tempo.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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