Histórias d’África – Fé nas vacinas. Preocupação com os anticorpos

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È indiscutível que a vacina é a única ferramenta que o Mundo dispõe para combater a pandemia do vírus SARS-CoV-2. Mas as governanças têm de passar a dar menos importância às opiniões e mais aos factos descritos por quem sabe e acompanha tudo o que se relaciona com a evolução desta epidemia universal. E serem circunspectos com os cidadãos, falando verdade e com transparência. Imaginemos se todos os vacinados começassem a testar os anticorpos ao vírus, haveria surpresas? Será que 17 dias após uma segunda dose nos garante a imunidade, ou seja que ficamos como que “esterilizados”? E por que razão o melhor do Mundo a combater a epidemia, Israel, já arrancou com a 3ª campanha de vacinação? Em quantos países os líderes apenas constatam factos e dados matemáticos, deixando de lado meras opiniões? Provavelmente contam-se pelos dedos de uma mão…

Feios, Porcos e Maus” é o título da admirável sátira do italiano Ettore Scola que se ajusta perfeitamente à trágico-comédia da epidemia de SARS-CoV-2, 18 meses depois da sua globalização que a tornou em pandemia. Mas esta nova e verdadeira pelicula jamais mereceria o Prémio Para a Melhor Realização no Festival de Cannes como o director de cinema italiano conseguiu em 1976.

1º Acto: Ler o resultado de testes aos anticorpos após uma primeira e segundas doses da vacina anti-SARS-CoV-2 pode afectar os mais racionais, os que dão maior importância a pandemia e aos consequentes efeitos sociais, económicos e culturais. O relato que se segue acontece invariavelmente com as três inoculas mais administradas nos Estados Membros da União Europeia. Vejamos:

Os valores ideais para nos considerarmos imunizados é a partir dos 5,5 pontos. 16 Dias após a 1ª dose da AstraZeneca, obtém-se o resultado de 0,02 e 17 dias depois da 2ª dose temos 4,2. Certo que de imediato obtemos mais de 90% de anticorpos, mas… Entre a segunda e a terceira semana após sermos inoculados com a pauta completa da vacina não nos devemos sentir livres de cenário de contágio, ou seja não estamos realmente como que esterilizados ao vírus.

Essa esperança ocorre a partir dos 50 dias, mas há pelo menos dois estudos realizados entre as comunidades científicas e médicas que revelam que os anticorpos registam uma caída a partir dos 90 e 120 dias e em alguns casos quase assustadora, para desespero dos autores das investigações.

Pelo menos em Inglaterra e Portugal avaliam-se milhares de profissionais de saúde que se encontram entre os primeiros cidadãos a estarem completamente vacinados com as inoculas de ambas as plataformas, de mRnA e de adenovírus, particularmente dos laboratórios da Pfizer, Moderna e AstraZeneca.

Em Inglaterra, avaliam-se mais de 20.000 cidadãos, enquanto o Centro Hospitalar Universitário de Coimbra analisa 9.000 profissionais. De acordo com o Diário de Notícias, os investigadores de Coimbra, coordenados por Lucília Araújo, já tem conclusões para mais de 4 mil avaliados, perfeitamente em linha com o que se revelou há mais de uma semana em Londres: Os anticorpos caem abruptamente e de uma forma mais suave nos que tinham contraído a infecção. Todos os que dedicam meses ao estudo do comportamento do vírus têm razão ao afirmar que são precisamente os que já passaram pela enfermidade que possuem uma resposta mais robusta ao SARS-CoV-2, bem como os vacinados mais jovens e as mulheres relativamente aos homens.

Devem-nos ocorrer algumas perguntas pertinentes:

  • Por que razão a Organização Mundial de Saúde questiona a decisão dos governos de Israel e do Reino Unido em avançar numa terceira campanha de vacinação, o que aliás já acontece há 10 dias, no país do Médio Oriente?
  • Que ética tem a OMS para nos dizer que, antes de avançarmos para uma terceira dose, nos devemos obrigar a um esforço de partilha com os países mais pobres no estrito objectivo de conseguirmos que o Mundo, ou 80% dele, se vacine o mais depressa possível?
  • O dever do governo de Israel é defender os seus. Porventura da OMS é influenciar os seus Estados Membros a diligenciar junto das farmacêuticas para que disponham de meios para produzirem mais inoculas. Também de promover as vacinas que exigem menores recursos logísticos como a da Pfizer, já que ninguém acredita que a maioria dos países africanos e muitos asiáticos disponham de infraestruturas e capacidade em distribuir e manter milhares de milhões de vacinas a temperaturas negativas extremas.
  • Por que não se questiona os aumentos extemporâneos das vacinas da Pfizer, em 25%, e da Moderna, em 15%, para as encomendas relativas aos últimos contratos assinados este ano e até 2023, para um fornecimento de 2,1 mil milhões de doses à União Europeia?
  • E qual é a motivação técnica e científica da União Europeia optar em definitivo apenas na escolha de vacinas da plataforma de mensageiro de RnA, particularmente do laboratório Pfizer, desenvolvida pela alemã Biontech? Um parêntesis: Só a Espanha para realizar uma campanha para terceira dose, precisa de investir mais 3,5 mil milhões de euros.
  • Espanha já começou o seu plano de doações de vacinas integrado no mecanismo internacional Covax, AstraZeneca e o governo do Reino: 650.000 doses entregam-se na Nicarágua, Guatemala, Paraguai e Perú. Seguem-se mais 22,5 milhões de doses que fazem parte do compromisso assumido com este mecanismo, sendo que 7,5 milhões se destinam a países ibero-americanos.
  • Que raciocínio preside à ideia dos Estados Membros da União Europeia que o chamado “Passaporte Covid” é a maior garantia para evitar contágios?
  • O Ocidente conhece os resultados dos estudos que a cada semana se tornam públicos, como um realizado em Singapura – apenas restrito à variante “Delta”- que revela que a transmissibilidade a partir de um vacinado com programa completo se situa em 8,8, enquanto os não vacinados ou aqueles que apenas receberam uma dose podem transmitir a enfermidade a outros 15 cidadãos?
  • Não será perigoso relaxar as medidas de rastreio? Aceitarmos o “Passaporte Covid” como único abono à transmissibilidade e só com ele poder aceder aos interiores de estabelecimentos de restauração, museus, espectáculos, etc.? E por que ficam de fora os supermercados e centros comerciais? E com que moral interditamos os milhares de cidadãos que ainda se encontram na fila de espera? E se a vacina não é obrigatória em lado nenhum, como poderemos exigir um certificado? Pior: A maioria dos donos e empregados dos estabelecimentos de restauração sabem que não podem pedir qualquer documento a um cidadão que comprometa o direito à protecção de dados. E nem sequer o pedem. Do mesmo modo, os tribunais superiores da maioria das Comunidades Autónomas de Espanha não autorizam a medida. Em Inglaterra, mantém-se as hesitações, o debate e acontecem divergências no seio do próprio governo sobre estas medidas. Em França aprovou-se, agora já com cobertura do Tribunal Constitucional, mas encheram-se as ruas de protestos. Já em Itália, a medida entrou em vigor e o governo ameaça com a suspensão de funções e salário a 200.000 professores que não se encontram vacinados e tão pouco levaram uma única dose. Em Itália há 1.465.572 docentes registados no ensino público. Está aberto do debate pelo facto de se abrir um precedente que se considera perigoso e por que ninguém acredita que estes professores sejam todos negacionistas.
  • Por que motivo – independentemente do “Passaporte” ou certificado sanitário – não se exige a quem viaja provas PCR negativas com 24 horas ou não se fazem testes antígenos à partida, nos aeroportos ou infraestruturas ferroviárias ou portuárias de maior fluxo de passageiros, mesmo nas rodovias nas zonas de fronteira?
  • O que se faz com os resultados dos testes antígenos? Por exemplo, passa uma semana que estas análises rápidas são vendidas livremente em Espanha: Dos resultados de 30.000 testes notificados aos Serviços de Saúde Pública, 26,6% deram positivo. Foram rastreados? Destes sabemos quantos estavam parcial ou completamente vacinados? Impõe-se conhecer essas estatísticas, utilizá-las como amostragem desde logo, pois já se ultrapassou a fasquia dos 28 milhões de residentes completamente vacinados o que nos situa nos 60% da população… E agora mais do que nunca teremos de avaliar a verdadeira imunização das inoculas, também para que se possa perceber que a designada imunidade de rebanho não se conseguirá com 70% da população vacinada. Perante a estirpe mais preponderante – conhecida por Delta (B.1.617.2) e a mais transmissível de todas – teremos de atingir a fasquia dos 90% e prepararmo-nos para campanhas massivas de terceiras doses e provavelmente progredir no sentido de planos de vacinação anuais, isto pelo menos até 2023, ano em que se espera que 70 a 80% da população mundial possa estar vacinada contra o SARS-CoV-2.
  • Quais os motivos que estão na base de mais 73 mortos na última semana, entre internos em residências de maiores espanholas que se encontravam vacinados com pauta completa, maioritariamente da Pfizer? E os milhares de contágios que ocorrem nesses lares?
  • Mais uma vez, teremos de voltar ao tema “Passaporte Covid”: Onde começam e acabam as garantias do documento?
  • Também teremos de exigir transparência na informação sobre a eficácia das vacinas e exigir que se divulguem todas as investigações que se fazem por elas e com elas. Seguramente os governos sabem.

Vejamos as claves da infecção nas duas últimas semanas, particularmente num Mundo Ocidental, completamente desorientado que engana os cidadãos com promessas que ninguém pode dar por garantidas e cujas governações ”sacodem a água do capote” desresponsabilizando-se de quase tudo… Observe-se a imposição do “Passaporte Covid” como forma de pressão à vacinação ao invés de legislarem no sentido de tornarem a vacina obrigatória e inclusivamente de promoverem condições para a sua generalização. Em França, ainda não se conseguiu atingir os 40% da população, mas decidiu-se pela imposição do certificado de vacinação completa para se poder entrar na maioria dos recintos fechados.

Em Março, Abril ou Junho ninguém ousaria vaticinar que se pudessem ultrapassar a cifra dos 1.000 contágios diários e que se pudessem ter 7 pisos de um hospital central literalmente ocupados com infectados de SARS-CoV-2. É precisamente o que aconteceu na primeira semana de Agosto no Hospital Universitário de Nuestra Señora de La Candelaria, na ilha de Tenerife: Já no final dia 29 de Julho, registavam-se 51 ingressados em UCI e outros 293 em regime de internamento com cuidados intermédios. No dia 7 de Agosto diagnosticaram-se mais 638 infectados. Mantinham-se 563 hospitalizados e 15.694 casos activos. Em Espanha, a taxa de ocupação em UCI é de 21,9%. 3 Macro festivais de musica em Barcelona provocaram 2.200 contágios rastreados, apesar das medidas restritivas e da exigência de apresentação de provas PCR ou teste antígeno negativas
  • O governo da República Popular da China faz o anúncio espantoso de que não autorizará a Organização Mundial de Saúde a realizar nenhuma investigação no laboratório de Wuhan, mas admite que “a OMS poderá contemplar que o vírus SARS-CoV-2 terá ‘saltado’ do laboratório”. Não especifica o dispensatório, as dúvidas quanto à origem mantém-se ainda que agora possamos admitir com maior certeza que o patógeno terá saído do Instituto de Virologia de Wuhan, um dos 50 que existem no Mundo com o nível mais alto – 4 – de biossegurança.
  • A quinta vaga – que se deve quase unicamente à estirpe Delta (B.1.617.2) – é a mais transmissível, salda-se por um elevado número de infectados, reduz a esperança imunológica das vacinas, particularmente as da plataforma de mRnA, mesmo entre vacinados com pauta completa, torna os mais vulneráveis os jovens que não se encontram vacinados e não cumprem quaisquer regras de segurança perante o fim ou alívio das restrições anunciadas em meio Mundo… E só não produz mais mortos a Ocidente pelo impacto das campanhas de vacinação e, sobretudo, porque os profissionais de saúde sabem agora como actuar no imediato, proporcionar maior eficácia no tratamento e evitar mortos em maior número.
  • Em Espanha, 1 em cada 5 hospitalizados encontra-se ingressado em UCI.
  • Há 90 milhões de Norte-americanos que ou não responderam ao chamamento para a vacinação ou são simplesmente negacionistas. Desde o passado dia 30 de julho, Estado de Nova Iorque começou a pagar 100 dólares a cada cidadão que se vacine. E o exemplo seguiu-se nos restantes Estados a partir de segunda-feira, dia 2 de Agosto. Estima-se um gasto global de 9.000 milhões de dólares neste incentivo. O presidente Joe Biden autorizou que, para este estímulo à vacinação, fossem utilizadas as verbas extraordinárias entregues às Federações para suportar despesas excepcionais por causa dos efeitos negativos da pandemia.
  • Há países que avançam e recuam na decisão da obrigatoriedade de apresentação de um ‘passaporte Covid’ para entrar no interior de recintos de espectáculos, restaurantes, discotecas, bares… Em Espanha, os Tribunais Superiores das Comunidades Autónomas não são unanimes: Na Galiza é o que acontece há duas semanas, enquanto nas Canárias, o Tribunal chumbou a iniciativa do governo autonómico, com o preceito da inconstitucionalidade e na base de que não é admissível que os privados acedam aos dados pessoais dos cidadãos, nem tão pouco se vislumbra ético proibir quem não pode ser responsabilizado por não se encontrar totalmente vacinado ou nem sequer ter uma dose administrada já que isso depende na maior medida da própria governação.
  • A falta de legislação adequada para casos de pandemia na enorme maioria dos países ocidentais e o relaxamento de quase todas as medidas restritivas abrem uma janela de oportunidade para os mais novos que não se coíbem de aproveitar as férias escolares para dar asas ao anseio de festejar… Em Espanha com os célebres botellones e macrofiestas de rua, apesar da proibição do consumo de bebidas há anos, acontecem agora com maior frequência e numa clara desobediência à ordem pública.

A Ocidente abre-se o debate:

  • Deve-se ou não cobrar as despesas de saúde aos negacionistas e aos participantes nas macros festas nocturnas que tenham de ser hospitalizados no serviço público por infecção do SARS-CoV-2?
  • Deverá sancionar-se todos estes cidadãos que contagiem terceiros, mesmo nos seus núcleos conviventes e, em particular todos aqueles que já se encontrem vacinados?
  • Como tratar os profissionais de saúde que negam vacinar-se e que dão positivo em provas PCR, já tendo contaminado conviventes nas residências de maiores, onde trabalham?
  • Aliás como é admissível que a transmissibilidade seja cada vez maior nestes estabelecimentos em residentes que se encontram completamente vacinados e nem sequer saem à rua ou participam em eventos exteriores?

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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