Histórias d’África – Campanha dos diabos

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Correos de España lançam campanha anti-racismo com selos alusivos a quatro cores de pele, mas cada uma com o seu preço. E a menos valiosa – imagine-se – é a negra… E o preço vai baixando quanto mais escura é a tonalidade. Podem inventar tudo o que pretendam em nome da criatividade publicitária: Esta mensagem não passa junto do comum dos mortais, mesmo dos mais letrados. Ansiedade das sociedades do Ocidente Europeu em mostrarem que primam pelas igualdades entre quem tem cor de pele diferente, seguidores de religiões distintas, de opções sexuais e de igualizar o homem à mulher e vice-versa acaba normalmente da pior forma. E tantas vezes sem que os próprios promotores dessas paridades transformadas regularmente em eventos deem conta disso mesmo.

Em pleno Século XXI, no ano de 2021 e em tempos de pandemia quase universal de um vírus SARS-CoV-2, nunca se falou tanto na cor da pele dos humanos, de feminismo e de homossexualidade. São notícia quase todos os dias como se não houvesse outros temas determinantes para o futuro das sociedades. Obviamente que a Ocidente e no hemisfério Norte quantos de nós querem saber do aumento da fome contínua nas regiões Ocidental e Central do continente africano; do que podemos ler no Programa Mundial de Alimentos, PMA, que indica como causas a alta de preços, conflitos e impacto da pandemia de SARS-CoV-2, onde a vacinação é quase nula. Quantos de nós estaríamos dispostos a ler noticias sobre os mais de 5 milhões de crianças com desnutrição aguda a viver no Sahel; sobre as estatísticas relativas a 2020 que apesar de imprecisas, indicam numa fase preliminar que morrem diariamente de fome ou de subnutrição entre 6.100 e 12.200 pessoas.

Está na moda transformar as desigualdades em igualdades. É o que mais interessa às pseudoelites que nos governam: É tão simples fazer discursos sobre nada e empolgar as populações sobre preocupações que não adiantam rigorosamente nada à vida de quem, todos os dias tem de contar as moedas para colocar o prato da sopa à mesa; dos desempregados que não são capazes de perspectivar o dia de amanhã; dos desprotegidos que não têm tempo para dormir… E que pensar quando os Correos de España lançam campanha anti-racismo com selos alusivos a quatro cores de pele, mas cada uma com o seu preço. Precisamente, o preço vai baixando quanto mais escura é a tonalidade. Imagine-se o selo branco vale 1,60 euros enquanto o preto fica-se pelos 70 cêntimos: Isso mesmo 0,70€.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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