Histórias d’África – Quem não quer que as Canárias sejam o lugar mais seguro do Mundo?

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Nas Canárias, o último dia de Junho registaram-se o maior número de contágios de SARS-CoV-2 desde Agosto do ano passado: 378 dos quais 248 na ilha de Tenerife e este sim, um novo recorde. Mas Julho não começa melhor: Dia 1, com 343 novos casos dos quais 222 em Tenerife. Nestas 48 horas, a Gran Canária também mantém a média acima dos 80 casos: 82 e 81 novos infectados. Apesar da persistência dos contágios, a Alemanha coloca Canárias no semáforo verde, o que infelizmente não deverá significar aumento das reservas imediatas. Não há transparência suficiente para que saibamos onde, quando e como ocorrem estas transmissões num arquipélago que podia estar entre os territórios mais seguros do Mundo. E porque razão se admite a entrada no território de adolescentes para festas de final de curso escolar sem quaisquer testes anti-vírus?

Tenerife mantém-se no semáforo vermelho e no Nível 3, o pior, em matéria de restrições: Incidência acumulada por 100.000 habitantes nos últimos 14 dias: 234,01. À data de hoje, o arquipélago regista 3.721 diagnosticados activos.

Ou seja há 11 meses que não se consegui travar a pandemia ou, pelo menos, voltar aos números da primeira vaga, onde apenas de registou um dia, no final de Março, com 147 casos registados.

Mais preocupante é o índice do factor R(t), ou seja do nível de transmissibilidade que de acordo com a análise das estatísticas dos últimos quinze faz-nos acreditar que cada infectado possa contagiar outros 4 cidadãos.

Consequências imediatas:

  • Turismo abaixo dos 30% relativamente a 2019.
  • Adivinha-se uma época de Verão praticamente perdida e receia-se pela temporada de Outono.
  • Quase 50% da população activa não tem nada para fazer.
  • Sudoeste da ilha de Tenerife, onde se encontram o maior número e maiores unidades hoteleiras quase às moscas e mesmo estas são poucas.
  • Actividades dependentes mergulham numa crise sem precedentes com especial destaque para o sector agrícola. A agricultura tenerifenha vê-se obrigada a deitar fora, todos os meses, em média cerca de 150.000 quilos de frutas e legumes, precisamente os excedentes produzidos pela paragem turística e também pelas dificuldades de exportação para o Reino Unido, impostas pelo Brexit e que ninguém quer renegociar.

E as perguntas que se impõe:

  • Será que os cidadãos são globalmente incultos?
  • Será que ninguém percebe que as vacinas anti-SARS-CoV-2 – tal como todas as outras umas mais e outras menos – não imunizarão 100% de todos quanto sejam vacinados?
  • Será que não temos a capacidade de perceber que haverá uma faixa de 25 a 35% de vacinados que jamais ficarão livrados de contágio? E consequentemente o ‘Passaporte Covid” não garantirá imunidade global?
  • Nas Canárias, desafortunadamente não há transparência suficiente para que saibamos onde, quando e como ocorrem estas transmissões num arquipélago que podia estar entre os territórios mais seguros do Mundo?
  • Porque se mantêm os controlos aleatórios nos aeroportos e nas infraestruturas portuárias, principalmente para quem chega às ilhas vindos da Península?
  • Porque não se oferece (ou exige) provas PCR negativas a todos os que entram no arquipélago, mesmo aos originários da península espanhola e inclusivamente aos vacinados. Ou será que um residente em Barcelona ou em qualquer outra parte da Espanha peninsular está garantidamente livre da infecção?
  • E por que não se explica que neste como em outros casos, os vacinados com pauta completa só conseguirão eventual imunização passados duas semanas de serem inoculados com o programa de vacinação completa?
  • Por que razão não se quer assumir a evidência que a Ocidente a maioria dos países se encontram distantes da imunização de rebanho, ou seja de ter entre os 75 e os 85% de cidadãos totalmente vacinados?
  • E pior, qual será o motivo dos países ocidentais particularmente os Estados Membros da União, não terem aproveitado estes 18 meses de pandemia para conseguirem legislação adequada a esta crise global, no estrito sentido de proteger os direitos sociais comuns impedindo excepcionalmente que se coloquem os direitos individuais à frente de tudo?
Os indicadores de risco publicados a 2 de Julho, mostram-nos dois dados preocupantes. A percentagem da transmissibilidade que curiosamente é superior na Gran Canária relativamente à ilha de Tenerife: 78,02% e 60,78%. Isto poderá significar que estamos perante a desconfiança de contágios por estirpes mais agressivas e também que o vírus se propaga agora através de pessoas mais novas, entre os 12 e os 29 anos… Isto acontece porque os vírus tem a capacidade inata de perceberem onde podem proliferar com maior à vontade e onde não encontram barreiras

A persistir esta ineficácia – e uma certa ignorância propositada – de quem manda teremos seguramente o prolongamento das inquietudes da maioria dos possuidores de senso comum.

Vejamos um pormenor da falta de critério no controlo da pandemia em matérias restritivas: É ridículo de que nos centros comerciais e nos supermercados o vírus “siga dentro de momentos”, se mantenha afastado como sempre e nestes espaços não há regras de limitação de entradas excepto em alguns estabelecimentos de porta aberta para as ruas e na maioria por iniciativa própria.

No arquipélago encontram-se hospitalizadas 219 pessoas, e destas 30 estão ingressadas em UCI Segundo o Conselho de Saúde do Governo da Comunidade Autónoma, já se realizaram um total de 1.218.344 PCR, dos quais 3.049, ontem no dia 2 de Julho.

O Governo das Canárias anuncia que 40,91% da população já recebeu o padrão completo da vacina contra oSARS-CoV-2: Foram administradas 1.885.958 doses, o que corresponde a 802.224 pessoas. E já existem 1.159.764 de residentes que receberam, pelo menos, uma dose da vacina, 59,15 por cento da população-alvo. Contudo, o governo autonómico inclui agora um novo grupo alvo: Crianças entre os 12 e os 15 anos, significando que a estratégia de vacinação ascende a 1.950.774 cidadãos islenhos.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

* Mapas com estatísticas publicadas pelo jornal “El Día”

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