Histórias d’África – Nem Maio da deusa romana Bona Dea. Nem Juno da mulher do deus Júpiter

PUB

A farsa da cogovernação… O governo não aplica critérios sanitários, mas políticos, para impor novas restrições às autonomias, e isso volta a gerar agravos comparativos, caos jurídico e confusão social”, é assim que começa o editorial do ABC online publicado ao início da noite de quinta-feira que adianta que o “Governo voltou a demonstrar que sua famosa ‘cogovernação’ com as autonomias para a gestão da pandemia é de tirar e voltar a por, é uma fraude política por se aplicar de acordo com a sua própria conveniência do governo”. É precisamente a intitulada declaração de actuação coordenada imposta por Carolina Darias, uma ministra inexperiente sem qualquer formação no âmbito da saúde, conjuntamente com as decisões globais do governo de Pedro Sánchez que está na base do Reino Unido insistir em manter Espanha em âmbar, não colocando o país na lista de destinos seguros para as férias de Verão. E os maiores perdedores são os arquipélagos das Baleares e das Canárias. Durante o mês de Maio os hoteleiros já anteviam a convicção que as percas somariam entre os 30 e os 40%.

De acordo com a BBC há outros países que podem ser retirados da lista verde entre eles Portugal que poderia facilitar o tráfego de cidadãos da Grã-Bretanha entre os dois países ibéricos e sem hipótese de controlo e rastreio futuro em caso de novos contágios por SARS-CoV-2 em regressados ao Reino Unido. Perfeitamente compreensível do ponto de vista estratégico do governo de Boris Johnson.

Esta decisão não impede que os cidadãos da Grã-Bretanha viagem a Espanha. A problemática reside no regresso destes passageiros: Terão de escolher entre duas opções no regresso a casa e em qualquer delas sair de Espanha com prova PCR negativa; 10 dias de quarentena com teste PCR ao 2º dia após a chegada e novo teste ao 8º dia; ou pelo “Teste to Release” que significa ter duas provas negativas, a primeira ao 2º dia após a chegada e uma segunda ao 5º dia, com permissão de fazer a vida normal ao sexto dia. Os reformados ou os que são proprietários de uma segunda casa nas ilhas tem uma situação mais cómoda: Podem esperar pela normalização que se acredita acontecer no final de Agosto.

Obviamente que os cidadãos residentes na Grã-Bretanha +podem viajar a Espanha, tanto mais que há dezenas de milhares de espanhóis que trabalham no Reino Unido e estariam na disposição de passar férias com a família. Muitos deles não o fazem há mais de um ano por força das circunstâncias e do receio sobre as permanentes alterações das regras entre os países. A problemática reside no regresso destes passageiros que para além dos dias de quarentena terão de efectuar pagamento antecipado que ronda na ordem das 187 a 340 libras. E as medidas de contingência podem ver-se agravadas financeiramente: O Reino Unido mantém quarentenas em hotéis pré-medicalizados para originários de países em risco extremo, semáforo vermelho e a troco de mais de 1.700 libras.

PUB

Mas há mais: O governo inglês pondera aumentar as duas listas de países em semáforo laranja e vermelho.

São quatro os factores fundamentais para avaliar em que lista verde, âmbar ou vermelha são colocados os países de destino: A percentagem de população vacinada, a taxa de infecção, a prevalência de variantes preocupantes e o acesso do país a dados científicos fiáveis e sequenciação genómica. Espanha entrou em Junho com 2 por cada 10 residentes vacinados com a pauta completa. Será preciso um esforço desmedido para conseguir inocular 70 a 80% da população completamente, para além de se garantirem vacinas que cheguem para este desígnio, circunstância que nenhum país domina. Sexta-feira, dia 4, ultrapassou-se a fasquia dos dez milhões de vacinados completamente, 10.257.209. Ainda faltam imunizar completamente 26,8 milhões para que tenhamos descanso.

É tempo para recordar uma das afirmações do médico César Carballo, director-adjunto do Serviço de Urgências do hospital Universitário Ramón y Cajal: “Espanha deve ser uma fortaleza e continuar a exigir testes negativos PCR a todos os que pretendem entrar no país” venham de onde vierem e independentemente das fronteiras que utilizem. Este e outros profissionais de saúde que se fazem ouvir periodicamente nos canais de televisão, são ainda favoráveis a que esta medida se estenda a todos os passageiros vindos do exterior incluindo aos que se movimentem entre a Península e as comunidades autónomas das Baleares, Canárias e as cidades de Ceuta e Melilla.

A Iberostar que encarregou o BBVA de vender o seu hotel Las Dalias, em Adeje, no Sul de Tenerife, na fórmula sale & leaseback. Trata-se de uma unidade que vale 100 milhões de euros, foi construída em 1985, tem 429 habitações, sofreu uma reforma global em 2015 e onde se faz presentemente um investimento de 13 milhões para adaptar o hotel aos novos requisitos de sustentabilidade

Em Espanha, entrámos em Junho com 9.979.204 residentes, quase 21% da população, já completamente imunizados. Segundo o Ministério da Saúde outros 18.720.164 de cidadãos – 39,5% – foram inoculados com uma dose e entre eles 85% dos maiores de 50 anos. Astúrias é a Comunidade Autónoma que segue mais adiantada no ranking espanhol, com quase 33% de sua população imunizada. Segue-se Castela e Leão (32,2%) e Galiza (30,5%). Dos totalmente vacinados encontram-se 45,5% dos maiores de 50 anos. Mas esta semana a revista “The Lancet Healthy Longevity” revela que quem superou o SARS-CoV-2 corre um risco mínimo de reinfectar-se nos próximos 10 meses. Contudo a reinfecção poderá ser mais severa.

A infecção por SARS-CoV-2 – o Síndrome Agudo Respiratória Grave Coronavírus 2 – reduz substancialmente o risco de nos voltarmos a contagiar pelo menos nos próximos dez meses, de acordo com um estudo publicado nesta quinta-feira, dia 3 de Junho, na revista “The Lancet Healthy Longevity”. Mas o artigo adverte que a reinfecção pode ter sintomas mais severos após um primeiro contágio ligeiro. E mais problemático: Infectar-se com SARS-CoV-2 não garante aos jovens imunidade total à reinfecção.

Esta conclusão resulta de uma análise padrão de contágios entre mais de 2.000 pessoas que coabitam e trabalham em lares de idosos no Reino Unido entre Outubro de 2020 e o passado mês de Fevereiro e foi realizado por técnicos do University College London (UCL).

E agora o que esperar das quotas de ocupação nos hotéis das Baleares e das Canárias, as duas Autonomias que mais dependem dos ingleses? Precisa-se procurar novos mercados rapidamente, mostrar o que se tem de bom e principalmente apelar aos espanhóis que façam férias cá dentro. Só é preciso senso comum entre as transportadoras aéreas que ligam Barcelona e Madrid às Canárias: É demasiado pedir quase 1.600 euros para viagem de ida e volta para uma família de quatro membros. Porventura será mais económico apanhar um voo da Binter em Lisboa: É possível comprar 8 viagens entre os 822 e os 860 euros com tudo incluído. E mesmo com duas viagens entre Lisboa e Madrid ainda sobra dinheiro para alugar carro nas Canárias. A Vueling já anuncia preços promocionais para os arquipélagos. Um Verão como estamos agora representa perca de receitas na ordem dos 40%. Uma verdadeira pandemia para quase todos os sectores da economia das ilhas. Mais de 128.000 desempregados canários apenas cobrarão subsídio único de 452 euros.

Em 20 ou 30 dias não será fácil atrair turistas de destinos fora da Europa. E fazer-lhes crer que as Canárias são realmente um destino seguro: Felizmente o final de Maio fica assinalado pela redução para metade do número de contágios diários relativamente aos últimos 5 meses: 76 casos! Poderá fazer-se um esforço com um lançamento de uma qualquer promoção ou iniciativa entre os nórdicos ou os canadianos ávidos de Sol, praia, natureza, golfe e distracções entre as melhores do planeta. Seria economicamente acessível garantir-lhes testes antígenos à chegada, gratuitos, e pluralizar testes PCR a custos moderados à partida como medida estratégica em facilitar a vida a quem procura disfrutar de uma semana, dez, quinze ou mais dias de férias e não se deparar com constrangimentos à chegada aos países de origem. Seria uma comodidade e um indicador de credibilidade que nos tem faltado nas Canárias.

Não é admissível que pelo menos 128.000 dos 272.700 desempregados canários – estatísticas anunciadas pelo governo da autonomia – apenas recebam um subsídio único de 452 euros, valor que na maioria dos casos apenas chegará para pagar a renda da casa ou a mensalidade da hipoteca.

As Ilhas Canárias são das zonas mais produtivas do mundo, com maior rendimento por hectare, quando comparado com a produtividade média mundial. Em 2019, produziram-se 380 milhões de quilos de bananas e apenas 8% se destinaram ao consumo interno islenho. Existem 7.752 produtores que mantém cultivados 8.639 hectares. O desentendimento dos Estados Membros com o Reino Unido por causa do Brexit tem consequências imediatas nas exportações agrícolas das Canárias. Os britânicos são os maiores clientes. O tomate canário está a ser substituído pelo tomate marroquino

As Ilhas Canárias são das zonas mais produtivas do mundo, com maior rendimento por hectare, quando comparado com a produtividade média mundial de 21ton/ha (MARM, 2009). Em condições ideais de cultivo, a produção média de bananas ronda as 40 toneladas por hectare. Mas existem muitas explorações que com essas condições obtêm rendimentos superiores a 100 toneladas. Em 2019, produziram-se 380 milhões de quilos de bananas e apenas 8% se destinaram ao consumo interno islenho. Existem 7.752 produtores que mantém cultivados 8.639 hectares.

Menos compreensível é que não se consiga negociar com os Reino Unido para que se mantenham as exportações de produtos agrícolas produzidos nas ilhas, particularmente as qualidades de tomate e de pepino, bem como das bananas e aqui ainda mais pertinente seria o governo socialista da autonomia fazer o que lhe compete junto do homologo nacional, liderado pelo mesmo partido: Negociar a preferência pelas qualidades singulares das cinco variedades de bananas canárias – da espécie vegetal monocotiledónea do género Musa, do grupo Cavendish, a Gros-Michel, Lacatán, Poyo, Gran Enana y Pequeña Enana (s quatro últimas têm em comum que resistem à doença do Panamá mas não o ataque dos nemátodos) – em detrimento da aposta da importação massiva das bananas produzidas na América latina, numa clara estratégia geopolítica de boa relação com os Estados Unidos, proprietários das três maiores multinacionais de produção e comercialização de bananas Sul americanas, a Dole, Chiquita e Del Monte, apesar do mecanismo de protecção estabelecido pela União Europeia relativamente à produção das bananas de Canárias, Madeira, Martinica e dos países da área ACP, ou seja África, Caribe e Pacífico, que gozam de preferência na comercialização nos mercados dos Estados Membros.

Mas sabemos todos que isso não sucede: Todos os dias nos principais mercados abastecedores das maiores cidades europeias somos confrontados com a comercialização da banana Sul-americana, sem a correspondente certificação do modo de produção e por exemplo químicos fertilizantes utilizados e com preços mais competitivos.

A comunidade de agricultores de bananas publicou em Maio um aviso de página inteira no jornal El Día, a anunciar a morte lenta dos produtores perante a passividade do governo central que manifesta ainda ter um enorme desconhecimento das capacidades da agricultura do arquipélago.

O arquipélago – e Tenerife em particular – encontra-se numa situação geográfica peculiar com grande diversidade de microclimas: Em poucos quilómetros de distância passasse de zonas secas e quentes para ambientes húmidos e frescos. Os agricultores sabem perfeitamente adaptar os seus ciclos produtivos e operações agrícolas de modo a ajustarem-se às condições da sua exploração. Assim, quando em algumas áreas se está a terminar a colheita, em outros está-se precisamente no ciclo da iniciação o que permite colheitas durante todo o ano.

Os 7.752 produtores de bananas optaram por fazer publicar um anúncio que adverte da morte do sector de que dependem mais de 20 mil pessoas e a manutenção de 8.639 hectares de terra cultivada

O turismo não se circunscreve apenas a taxas de ocupação em hotéis. Nas Canárias sustenta percentagem significativa de uma agricultura diversificada, relevante e sustentável, mesmo no contexto do país, na agroindústria global, na pesca, nos lacticínios, nas cervejeiras, na restauração, no comércio generalizado, nos serviços e aqui com importância entre os negócios das rent-a-car, com incidência na venda sazonal de automóveis, e das inúmeras empresas das actividades de lazer. O turismo representa mais de 30% do PIB da Comunidade Autónoma das Canárias e mais de 40% da empregabilidade entre todos estes sectores.

Não há nem jamais houve motivo para que um arquipélago a meio do Atlântico, na costa de África, não se pudesse blindar à manutenção de contágios do vírus SARS-CoV-2 muito mais elevados que os sucedidos na primeira vaga, entre o final de Fevereiro e Julho de 2020. Nem sequer seria necessário isolar as ilhas como aconteceu nos primeiros 100 dias da pandemia. Bastaria restringir os voos internacionais aos aeroportos de Tenerife e da Gran Canária, mantendo a boa gestão nas ligações com as outras ilhas quer por via aérea quer por via marítima: Todas tem aeroportos e contam com os melhores ferries do Mundo para transportar todo o tipo de veículos e passageiros em tempo recorde. E à entrada exigir-se realmente provas PCR negativas e para quem não os apresentasse, ter a capacidade de fazer testes antígenos rápidos nos 3 aeroportos de entrada.

Uma estratégia de credibilidade e, essa sim, a publicitar nos mercados emissores do turismo como facto de uma organização desejável nesta altura. Mas não aconteceu e não sucede sempre: Nas Canárias é muito fácil de entrar sem o devido controlo sanitário anti SARS-CoV-2. Basta ver as centenas de autocaravanas que chegam da península vindas em ferries que saem de Cadiz ou Huelva: De todos os modelos e para todos os gostos; algumas de aluguer, outras particulares; mais novas ou antigas com turistas de todo o género…

E há um denominador comum entre quase todos e arriscado do ponto de vista higiénico: Aparcam por maiores períodos em qualquer artéria, mesmo de aldeamentos mais recônditos ou junto de qualquer rodovia sem condições de salubridade ajustáveis a este tipo de veículos, onde não podem conectar-se à rede eléctrica nem por exemplo despejar os inodoros com resíduos orgânicos. Sexta-feira, dia 4 de Junho, deparámo-nos com 23 autocaravanas quase todas juntas em fila em dois arrumamentos do complexo habitacional de Palm Mar, onde não existe qualquer equipamento que permita o estacionamento prolongado de caravanas e de autocaravanas.

São centenas de autocaravanas que chegam da península E há um denominador comum entre quase todos e arriscado do ponto de vista higiénico: Aparcam por maiores períodos em qualquer artéria, mesmo de aldeamentos mais recônditos ou junto de qualquer rodovia sem condições de salubridade ajustáveis a este tipo de veículos, onde não podem conectar-se à rede eléctrica nem por exemplo despejar os inodoros com resíduos orgânicos. Sexta-feira, dia 4 de Junho, deparámo-nos com 23 autocaravanas quase todas juntas em fila em dois arrumamentos do complexo habitacional de Palm Mar, onde não existe qualquer equipamento que permita o estacionamento prolongado de caravanas e de autocaravanas.

Pergunto-me a mim mesmo: Se a propagação de autocaravanas vindas em ferries da península é o turismo que os governantes de esquerda progressista, no poder desde 2019, querem para o arquipélago? Quanto silêncio vemos entre os hoteleiros, mesmo os dos maiores grupos multinacionais. O tempo traz-nos mais hotéis inscritos – e já ultrapassam os 100 – nas listas de vendas ou à procura de grupos de investimento como é o caso da Iberostar que encarregou o BBVA de vender o seu hotel Las Dalias, em Adeje, no Sul de Tenerife, na fórmula sale & leaseback. Trata-se de uma unidade que vale 100 milhões de euros, foi construída em 1985, tem 429 habitações, sofreu uma reforma global em 2015 e onde se faz presentemente um investimento de 13 milhões para adaptar o hotel aos novos requisitos de sustentabilidade.

A Iberostar é uma multinacional espanhola de origem familiar, com sede em Palma de Mallorca que detém com 120 hotéis de 4 e 5 estrelas em 70 destinos de 22 países, nos continentes europeu, América e África. Emprega mais de 28.000 empregados e a sua facturação anual ultrapassa os 2.000 milhões de euros.

Las Dalias é um dos cinco estabelecimentos da Iberostar na ilha de Tenerife – outros 3 também na Costa Adeje e um outro na capital, o conhecido Heritage Grand Mencey de cinco estrelas – que, numa primeira hipótese, a empresa pretende conseguir uma operação de sale & leaseback, ou seja a Iberostar seguia ocupando o hotel após a venda, na qualidade de inquilino e mantendo os valores da marca. Seria um acordo pós-venda por 12 anos prorrogável a cada 5 anos a que a multinacional enquadra no denominado Projecto Sunrise, (‘Nascer do Sol’). De qualquer modo, a administração da empresa admite outras opções como vender e depois assinar um contrato de aluguer.

O caos multiplica-se com o Governo exigindo uma coisa, várias autonomias outra, e o Supremo ditando outras mais. Necessariamente, tanta confusão provoca decisões como a tomada ontem pelo Reino Unido, que excluiu as Canárias e as Baleares da sua lista de destinos seguros para poder viajar. O varapau para o turismo espanhol é de árdego”, in editorial do ABC online.

Mas voltemos ao editorial do jornal ABC na sua edição online actualizada sem que antes faça um parêntesis: Carolina Darias, ministra da saúde, é uma licenciada em direito sem qualquer experiência de trabalho que não seja na política e enquanto quadro da função pública da Comunidade Autonómica das Canárias com um curriculum muito curto para o cargo ainda que este seja um ministério quase sem tarefas, a não ser de coordenação, e das relações internacionais para fazer a ponte com as Comunidades Autónomas que têm a totalidade das competências em matéria de saúde pública.

O ABC escreve que “a chamada ‘declaração de atuação coordenada’ imposta por Carolina Darias a todas as comunidades para forçá-las a aplicar novas restrições da liberdade, especialmente no campo do lazer ou da restauração, está a gerar um mal-estar crescente. Tanto, que Madrid e o País Basco já advertiram que se recusarão a aplicá-las, e inclusive recorrerão aos tribunais quando as novas medidas entrarem em vigor. Também a Catalunha, a Galiza, a Andaluzia e Múrcia manifestaram a sua rejeição, o que prevê mais convulsões territoriais”.

E pode ainda ler-se: “Esta nova versão da ‘desescalada’ que Darias pretende instaurar de maneira imperativa demonstra que ou o Governo continua perdido no seu conjunto de negligências, ou directamente actua com má fé política, mantendo uma tensão entre autonomias que ninguém necessita. Semanas atrás, Pedro Sánchez alegou que a Espanha não precisava de mais ‘Estado de Alarme’. E estava certo. Além disso, argumentou que deveria ser o Supremo Tribunal a criar um legislador paralelo e a resolver as diferenças entre as autonomias. De novo sacudia de cima de si mesmo os problemas, a sua especialidade. Nunca mostrou um plano B ao alarme e nunca legitimou as comunidades autónomas para cobrir as lacunas legais contra uma pandemia. Os seus problemas políticos deviam ser resolvidos pelos juízes com soluções jurídicas. E nisso ficou tudo até que a própria Darias disse que «a judicialização não é uma medida que se proponha neste momento», justamente o contrário, por certo, do que sustentou Carmen Calvo (Vice-primeiro-ministro da Espanha) dias atrás. No entanto, o Supremo já anulou ontem o recolher obrigatório aprovado semanas atrás pelas Baleares por ser uma medida desproporcionada.

O editorial termina precisamente com a tese que aqui tenho defendido e que é uma espécie de tendão de Aquiles do governo de Espanha, social comunista e com ministros nem sempre coerentes:O caos multiplica-se com o Governo exigindo uma coisa, várias autonomias outra, e o Supremo ditando outras mais. Necessariamente, tanta confusão provoca decisões como a tomada ontem pelo Reino Unido, que excluiu as Canárias e as Baleares da sua lista de destinos seguros para poder viajar. O varapau para o turismo espanhol é de árdego”.

E quando os Órgão de Comunicação Social

apresentam estatísticas diferentes…

Muitas vezes, as estatísticas de vacinação noticiadas pelos Órgãos de Comunicação Social espanhóis não são iguais. Todas provém de organismos de Estado. As diferenças relacionam-se com o facto de algumas – poucas felizmente – serem anunciadas por aquelas instituições que o governo ‘progressista’ controla e serem construídas à sua imagem. Mas não é um exclusivo de Espanha: É assim em meia Europa, onde os poderes se convertem em entusiastas da manipulação convencidos que é assim que atraem maior número de seguidores.

Dia 28 de Maio, os canais da Mediaset e da AtresMedia noticiavam precisamente os mesmos registos de vacinados, tal qual a Rtve: 8.804.363 residentes, com pauta completa, correspondente a 18,6% da população; e 17.707.320 pessoas com uma só dose, significando 37,3% dos habitantes recenseados.

Já o diário online Canárias7 publicava que com uma única dose já se encontravam vacinados 26 133 689, ou seja mais 8 426 369 de pessoas, enquanto difundia o mesmo número de inoculados com as duas doses.

“Índia” atormenta. Na Grã-Bretanha, ainda são poucos os casos totais da variante B.1.617.2, mas crescem a cada semana e já representam 75% dos últimos casos de novos contágios.

A realidade da variante B.1.617.2 (“india”) na Grã-Bretanha resume-se:

Ainda são poucos os casos; Crescem a cada semana; as vacinas funcionam em alguns casos sem que se saiba a sua eficácia (na Índia há milhares de contagiados com a variante que já estavam vacinados completamente); ainda há muitos britânicos por vacinar; Já sobem novamente o número de hospitalizações.

A variante Índia não permite relaxamentos nas medidas mínimas de segurança sanitária anti SARS-CoV-2.

Na última semana, 75% dos novos contágios no Reino Unido são todos desta variante, conhecida como a da Índia. A razão está nas relações intracomunitárias, isto porque a Grã-Bretanha nunca fechou o tráfego entre passageiros dos dois países, apenas ‘apertou’ as já apertadas medidas de prevenção anti-SARS-CoV-2.

Veremos agora o que sucede no resto da Europa, principalmente nos países do Sul que se querem manter abertos a qualquer preço – precisamente sem a necessidade de apresentar qualquer teste PCR negativo se demonstrarem estar vacinados com uma ou duas doses das inoculas – aos turistas britânicos na ideia peregrina de salvar a economia de Verão que se percepciona longe das expectativas a cada dia que passa… Os líderes dos maiores grupos hoteleiros são os primeiros a assumir que as percas nunca serão inferiores a 40% relativamente às receitas de 2019. E curiosamente são os primeiros a pedir prudência e testes PCR negativos a todos os que entrem no País quer estejam ou não vacinados, mesmo aos que já tenham pauta completa. A ideia é solidificar um Espanha enquanto destino seguro a partir do Outono, mesmo que isso signifique percas relevantes no Verão… Importa não arriscar e deitar tudo a perder por mais tempo: Salvar um Verão que à partida está meio perdido em termos de receitas é um sofisma.

Os hoteleiros concordam com a comunidade médica e científica: As vacinação é a única defesa que temos, mas não garante imunidade total e a todos quantos já foram vacinados, tal como sucede com qualquer outra vacina. Aliás, a sequenciação dos vacinados que se faz em todos os países onde as campanhas de vacinação se encontram mais avançadas revelam que os vacinados quando contagiados são na maioria assintomáticos, o que complica o rastreio.

Sexta-feira, dia 4 de Junho, em Madrid, na Residência de Maiores Orpea San Blas, anunciou-se que foram diagnosticados 21 casos de infectados por SARS-CoV-2, no dia 30 de Maio. Estavam todos vacinados com as duas doses. Sete dos idosos residentes requereram hospitalização na unidade de Ramón y Cajal mas apresentam uma evolução favorável. Anteriormente, a 11 de Maio, foi anunciado que nas Canárias se tinham registado 3.236 contágios entre recém-nascidos até crianças com 9 anos.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

PUB IMDENTALCARE