Histórias d’África – Ocidente quer salvar economia de Verão com vacinação lenta. Pfizer e Moderna anunciam 3ª dose obrigatória para todos.

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Meio Mundo, a Ocidente já acredita que é agora, que o vírus SARS-CoV-2 está controlado. O tempo é de virar a página e correr à normalização: Salvar a economia das férias de Verão a Norte do globo. Aposta-se na imunidade de rebanho pela vacinação mesmo sem que alguém saiba quando isso será possível e – bem mais delicado – sem garantir prazos da própria imunização. Pfizer e Moderna, autores de inoculas de mensageiro de RnA, já anunciaram a necessidade de uma terceira dose das suas vacinas para reforço a todos que foram injectados com duas doses que supostamente assumiriam pauta completa. Isto mesmo já se comunica no Reino Unido a milhares de profissionais da linha da frente que iniciarão a terceira fase da vacinação em Outubro deste ano. Em Espanha o dia 24 de Maio assinala o início da dispensa de apresentação de teste PCR negativo à chegada ao país para passageiros originários do Reino Unido, Austrália, China, Hong Kong, Coreia do Sul, Macau, Nova Zelândia, Ruanda, Singapura e Tailândia.

Levantam-se as restrições aos países com semáforo em cor verde: De acordo com os resultados anunciados pelas autoridades sanitárias de cada país ou pelos que são assinaladas pela OMS, neste último caso onde os serviços de saúde tem maior dificuldade em registar estatísticas.

Aeroporto Sul de Tenerife, a imagem da desolação. Voos são poucos e os aviões aterram e levantam mais vazios que cheios. Por enquanto os britânicos que viajarem para Canárias, Baleares e Espanha peninsular – territórios classificados como ‘semáforo laranja’ pelo governo de Boris Johnson – terão de escolher entre duas opções no regresso a casa e em qualquer delas sair de Espanha com prova PCR negativa: 10 dias de quarentena com teste PCR ao 2º dia após a chegada e novo teste ao 8º dia; ou pelo “Teste to Release” que significa ter duas provas negativas, a primeira ao 2º dia após a chegada e uma segunda ao 5º dia, com permissão de fazer a vida normal ao sexto dia

Por isso, há profissionais de saúde que desconfiam dos números publicados relativamente ao Ruanda, país da África Oriental, sem fronteira com o mar e com uma população de 12,6 milhões: No domingo, dia 23 de Maio, anunciaram-se 72 novos casos para uma média de 81 contágios nos últimos sete dias. Por um minuto que seja devemos deter-nos nos países em seu torno: Uganda a Norte; Burundi a Sul; a gigantesca Tanzânia a Leste; e a enorme República Democrática do Congo, tudo países com um sistema de saúde residual e onde é extraordinariamente difícil controlar os movimentos fronteiriços.

Mas há outras estatísticas curiosas, caso da Tailândia onde desde o passado dia 14 de Abril se incrementa uma vaga de contágios até então não registada: Domingo, 23 de Maio as cifras atingiram 3.382 novos casos de contágios, mantendo-se uma média de 4.008 infectados nos últimos 7 dias. Os números podem confrontar-se com uma realidade populacional de 69,6 milhões de habitantes, mas não deixa de ser relevante questionar a saúde pública principalmente nos vizinhos Myanmar, Laos, Vietnam e Camboja, bem como as eventuais transmissões comunitárias com movimentos de cidadãos da União Indiana. Por outro lado, até ao passado Domingo, apenas se encontravam vacinados com pauta completa 1,4% da população, 969.100 pessoas e com uma dose 1.941.565, ou seja 2,8% dos residentes no país. Manifestamente pouco para se arriscar abrir fronteiras em modo livre.

Em Espanha o dia 24 de Maio assinala o início da dispensa de apresentação de teste PCR negativo à chegada ao país para passageiros originários do Reino Unido, Austrália, China, Hong Kong, Coreia do Sul, Macau, Nova Zelândia, Ruanda, Singapura e Tailândia. Ainda assim na manhã de segunda-feira, dia 24 de maio nada de novo: Só um dos painéis electrónicos anunciava partidas: Precisamente 14 voos e destes 3 a realizar entre ilhas e outros dois para Madrid

Mas esta mudança nas limitações de entrada de passageiros não alterará substancialmente a prática quase generalizada nos aeroportos das Canárias. Há dias que não se pedem testes PCR negativos a ninguém. Aeroporto Sul, Rainha Sofia, Tenerife, no sábado, dia 8 de Maio, pelas 11:30 horas: Chegaram dois voos procedentes de aeroportos de Londres, do Reino Unido, um da Easyjet e outro da Ryanair. Nenhuma autoridade policial ou aeroportuária pediu a nenhum dos passageiros se eram ou não possuidores de provas PCR negativas. O mais surpreendente é que os 30 passageiros do voo da Ryanair também não foram questionados à saída de Londres no aeroporto de Stansted. Mas não será este relaxamento nas medidas anti SARS-CoV-2 que salvarão a economia de Verão com mais turistas do Reino Unido, o principal emissor, a avaliar pelas restrições impostas pelo governo britânico a todos os passageiros que regressem de Espanha colocada no laranja.

São todos bem-vindos às Canárias cujo território nem se pode considerar território inseguro relativamente à pandemia, apesar das estatísticas se manterem estáveis e os números de contagiados ser baixo relativamente à população global – uma média ligeiramente superior aos 150 casos diários – e com o número de falecidos quase nulo. Ainda assim sempre acima dos registos da primeira vaga da pandemia onde o pico ocorreu em Abril de 2020 com 147 infectados contrastando com os 162 diagnosticados a 21 de Maio.

A liderança política fala em território vulnerável; eu opto por elevar a negligência no controlo de entradas no território que testemunhei em algumas ocasiões, acumulando as vagas periódicas da migração ilegal procedente de Marrocos, do Saharaui, Mauritânia e Senegal, não esquecendo que muitos são originários de outros países subsarianos e do Oriente-médio que só este ano teve um incremento de 400% relativamente a igual período de 2019.

Por enquanto os britânicos que viajarem para Canárias, Baleares e Espanha peninsular – territórios classificados como ‘semáforo laranja’ pelo governo de Boris Johnson – terão de escolher entre duas opções no regresso a casa e em qualquer delas sair de Espanha com prova PCR negativa:

  • 10 dias de quarentena com teste PCR ao 2º dia após a chegada e novo teste ao 8º dia.
  • Ou pelo “Teste to Release” que significa ter duas provas negativas, a primeira ao 2º dia após a chegada e uma segunda ao 5º dia, com permissão de fazer a vida normal ao sexto dia.

Nestes casos o passageiro terá de efectuar pagamento antecipado que ronda na ordem das 187 libras. De qualquer modo, o Reino Unido mantém quarentenas em hotéis medicalizados para originários de países em risco extremo, semáforo vermelho e a troco de mais de 1.700 libras.

Mas esta mudança nas limitações de entrada de passageiros não alterará substancialmente a prática quase generalizada nos aeroportos das Canárias. Há dias que não se pedem testes PCR negativos a ninguém. Os números de contagiados são baixos relativamente à população global – uma média ligeiramente superior aos 150 casos diários – e com o número de falecidos quase nulos. Ainda assim sempre acima dos registos da primeira vaga da pandemia onde o pico ocorreu em Abril de 2020 com 147 infectados contrastando com os 162 diagnosticados a 21 de Maio

Cor de laranja significa descrédito para uma larga maioria dos potenciais turistas originários do Reino Unido que pretendem viajar até Canárias, numa grande percentagem repetentes. As estatísticas são reveladoras: 70% dos estrangeiros que passam férias no arquipélago manifestam desejo em voltar. Isto era assim até á pandemia de SARS-CoV-2. Aeroportos cheios; infraestruturas hoteleiras maiores ou menores, mais ou menos intimistas, de 3, 4 ou 5 estrelas, turismos rurais sempre a mais de 70%. Agora, aos poderes políticos falta precisamente o que não faltou à maioria dos cidadãos residentes: Cultivar a prudência com quem chega de fora. Mantêm a imprevidência enquanto se esforçam para que o Tribunal Superior aceite manterem-se restrições aos que cá vivem e aos mesmos de sempre, à restauração, mesmo que isso se considere aceitável. Também prometeram imunidade de rebanho nos próximos 60 dias, mas só 299.562 cidadãos estavam completamente vacinados no dia 24 de Maio, 16,01% da população das Canárias onde foram administradas um total de 941.778 doses. Mas pelas características territoriais é desejável ministrar rapidamente quase 1,8 milhões de vacinas.

As farmacêuticas Pfizer, através da alemã BioNTech e a Moderna, autores de inoculas de mensageiro de RnA, já anunciaram a necessidade de uma terceira dose das suas vacinas para reforço a todos que foram injectados com duas doses que supostamente assumiriam pauta completa, tal como determina as características aprovadas pela Agência Europeia do Medicamento.

Pfizer e Moderna, autores de inoculas de mensageiro de RnA, já anunciaram a necessidade de uma terceira dose das suas vacinas para reforço a todos que foram injectados com duas doses que supostamente assumiriam pauta completa. A terceira dose da vacina da Moderna deverá acontecer num hiato de oito meses após a primeira injecção, enquanto a da Pfizer será aplicada entre os 6 e os 9 meses após a segunda injecção, sendo que depois terá de administrada de 18 em 18 meses

Domingo, 23 de maio de 2021, Stéphena Bancel, francês que é diretor executivo da Farmacêutica Moderna, disse ao ‘Le Journal du Dimanche‘ que será necessário administrar uma terceira dose de reforço a todos os vacinados com o padrão completo e que deve acontecer num hiato de oito meses após a primeira injecção.

A Moderna é a segunda farmacêutica que faz semelhante anuncio, isto depois de, no dia 27 de Abril, Ugur Sahin – fundador da BioNTech e citado como criador da primeira vacina de mensageiro de RnA para neutralizar o SARS-CoV-2 – ter comunicado precisamente o mesmo relativamente à sua inocula produzida pela Pfizer.

De acordo com a comunicação de Ugur Sahin, um oncologista germano-turco, a terceira dose deverá ser aplicada entre os 6 e os 9 meses após a segunda injecção. O CEO da BioNTech adiantou ainda que a vacina se terá de administrar de 18 em 18 meses.

Tailândia regista incremento da epidemia desde o passado dia 14 de Abril: Domingo, 23 de Maio as cifras atingiram 3.382 novos casos de contágios, mantendo-se uma média de 4.008 infectados nos últimos 7 dias

Portanto, 20 meses após o aparecimento oficial do vírus SARS-CoV-2, mantém-se as incertezas sobre como e onde tudo começou e a razão da pandemia. Também se torna difícil compreender como há países pobres, onde a saúde pública é deficitária, onde a pandemia não chegou a ser preocupação ou como a China já voltou à normalidade no início de Fevereiro onde apenas registava uma média diária de 20 novos casos, numa população global de 1,398 bilhões de pessoas. E afinal quanto tempo dura realmente a imunidade contra o vírus relativamente às vacinas?

Cientificamente a resposta varia se se falar de imunidade celular ou humoral. Marcos López de Hoyos, presidente da Sociedade Espanhola de Imunologia (SEI), afirma que «as evidências que estão aparecendo indicam que a resposta imunitária de anticorpos dura cerca de seis meses, pese embora ainda seja necessário mais tempo de evolução e para consequente avaliação».

A teimosia do governo de Espanha em pretender administrar uma segunda dose da vacina Pfizer a todos os menores de 60 anos que receberam a primeira dose da AstraZeneca foi uma perca de tempo. O estudo encomendado ao Instituto de Saúde Carlos III já tinha conclusão antecipada que acompanhava o ideário do governo de Pedro Sánchez, mesmo contra todas as instituições científicas ou tutelares internacionais. Sánchez perdeu a batalha: A Comissão de Bioética autorizou a administração da segunda dose de AstraZeneca para as pessoas com menos de 60 anos que não desejam receber a segunda dose de Pfizer.

A Comissão de Bioética de Espanha fez o que lhe competia e o que a ciência e a medicina impõe, sobretudo no domínio da ética: Autorizou a administração da segunda dose de AstraZeneca para as pessoas com menos de 60 anos que não desejam receber a segunda dose de Pfizer.

Deve ser assinado um consentimento informado para que possa produzir-se a pauta completa da vacinação com o soro de AstraZeneca. Cada Comunidade Autónoma decide como chamar todas as pessoas que receberam sua primeira dose de AstraZeneca.

Outras inseguranças do relaxamento das restrições anti SARS-CoV-2 na maioria dos países a Ocidente, prende-se com as eventuais transmissões comunitárias por movimentações internacionais a avaliar pelo número de operações aeroportuárias diárias e que no dia 24 de Maio foram de 170.794 voos (ainda assim menos 39.735 que na mesma data de 2019). Por exemplo, India e Brasil são dois países emissores de muitos passageiros aéreos e continuam com um incremento elevadíssimo. Dia 23 de Maio: India regista 4.454 mortos e 222.315 novos contágios enquanto o Brasil debateu-se com 37.498 novos infectados e 790 falecidos.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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