Histórias d’África – Um vírus que veio do inferno!

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Baixa a incidência da epidemia na Europa; folgam-se as medidas restritivas. Mas o que meio Mundo ignora são as estirpes duplamente mutantes como o caso da ‘nova’ cepa da India para as quais as vacinas, principalmente as de mensageiro de RnA podem nem sequer servir. Acontecem 245 contágios por minuto. Há internados em UCI graves e que já estavam vacinados. Há cerca de 6 meses acreditava-se que 40% dos indianos – população total que ultrapassa 1,3 mil milhões de habitantes, 16,51% da população Mundial – se encontravam imunizados, pelo gigantesco contágio com o vírus e a relativa e aparente facilidade com que a pandemia parecia ter abrandado, tal como sucedeu na cidade brasileira de Manaus e que acabou por se transformar no inferno que todos conhecemos com dezenas de milhares de mortos. Mais que uma certeza, o governo nacionalista hindu teve a mesma sensação de segurança e deixou que se folgassem as medidas restritivas não se opondo como convém à popularidade do poder, aos festejos nacionais que encerram ponto alto em dez celebrações que juntam milhões. Agora, registam-se mais de 205 mil mortos e 18,5 milhões de infectados.

É preciso conhecer a Índia ou a sua história para perceber que algumas destas festas estendem-se quase por todo o ano. Elejo o Uttarayan, também conhecido por ‘International Kite Festival’ que se celebra no Estado de Gujarat a 14 e 15 de Janeiro – e imagine-se prolonga-se durante todo o ano – em mais de 2 mil festivais em 24 dos 28 estados que compõe aquele país do continente asiático. O Festival das Pipas ou Uttarayan, como é mais conhecido, mobiliza a generalidade da população meses antes para poderem iniciar a fabricação das chamadas pipas de todos os tamanhos e cores. As festas dão aos indianos como que uma sensação de alegria e felicidade que é compartilhada veementemente entre as religiões e culturas dos diversos povos que constroem o próprio país, de Gujarat a Assam, de Kashmir a Tamil Nadu… tal como sucede com uma outra festa, a kumbh Mela.

Podem ler sobre as 10 maiores festas idianas em: http://inroutes.com/10-festivais-indianos-que-voce-nao-pode-deixar-de-conhecer/

Mas a India caracteriza-se por contradições imensas:

  • É o segundo país do Mundo – atrás dos Estados Unidos da América – que forma mais engenheiros informáticos e encontra-se entre os cinco + na indústria aerospacial e na medicina.
  • “Bollywood” – como o nome indica – o espaço para a maior indústria cinematográfica do mundo, precisamente à frente de Hollywood.
  • A desigualdade social mantém-se de forma assustadora. Entre 1,3 bilhões de pessoas 100 milhões são multimilionários, ou seja mais de duas vezes a população de Espanha.
  • A renda per-capita é de 1.709,39 dólares, o que a situa a India no posto 148º, numa de 196 países.
  • Encontra-se entre os países pobres do ponto de vista sanitário e junta um fenómeno religioso perigosíssimo que se prende com a partilha do rio Ganges com o hinduísmo onde mergulhar, beber a sua água e nele vazar tudo o que de mais importante se tem na vida é sagrado. Uma corrente de resíduos está a matar o Ganges que passa por grandes centros de peregrinação, como Varanasi, onde milhões de devotos mergulham na busca pela salvação, sem saber que cada gota dele é tóxica. Atravessa ainda as cidades de Hardware, Calcutá, Allahabad, Patna, Kanpur, Ghazipur.

A Índia aprovou formalmente o uso emergencial de duas vacinas contra o coronavírus enquanto garante ter iniciado uma das maiores iniciativas de inoculação do mundo. A autoridade reguladora de medicamentos do país autorizou os imunizantes desenvolvidos pela AstraZeneca com a Universidade de Oxford e pela empresa local Bharat Biotech. A vacina da Bharat Biotech foi aprovada sem dados sobre sua eficácia ou teste de larga escala.

A estirpe indiana já chegou à Europa, primeiro porque o Reino Unido não proibiu voos procedentes da União Indiana, nem tão pouco outros países como Portugal e Espanha acautelam as entradas de indianos que se fazem necessariamente através de voos indirectos. Mas o SARS-CoV-2 indiano chegou ao porto de Vigo, ao terminal de Bouzas: Está a bordo do Prometheus Leader, um navio específico para transporte de automóveis, que navega com bandeira de Singapura e se encontra isolado por causa de 5 contagiados, dois deles ingressados no hospital Vithas Fátima. E outros 16 tripulantes encontram-se em quarentena. Antes, o navio esteve em dois portos alemães, um dinamarquês e outro no Reino Unido.

As autoridades são descuidadas. Ou não querem saber ou omitem o trajecto do navio Prometheus Leader desde o passado dia 17 de Abril: Esteve atracado em Bremerhavem, na Alemanha, dois dias de onde saiu no dia 19 com destino ao porto norueguês de Drammen, onde esteve 14 horas e 57 minutos; Voltou à Alemanha, mas desta vez a Cuxhaven, onde permaneceu quase 18 horas, navegando depois para Southampton no Reino Unido de onde partiu para Vigo pelas 16:28 do dia 25 de Abril, para atracar no Norte de Espanha ao princípio da tarde do dia 27.

Agora, já temos 400 casos da variante Indiana detectados no Reino Unido, 25 em Itália, 20 na Bélgica, 6 em Portugal e pelo menos 19 casos em Espanha, estes concentrados em torno da tripulação do Prometheus Leader que se encontra isolado.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

Iker Jimenez, no seu programa Horizonte do Cuarto Milenio, analisou a variante indiana do SARS-CoV-2. Veja em:

https://www.cuatro.com/horizonte/cepa-covid-india_18_3130845041.html#utm_medium=cuatro&utm_source=web_push

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