Histórias D’África – Profissionais de Saúde espanhóis contra desordem europeia (I)

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Vacinar, vacinar, vacinar, mantém-se como palavra de ordem dos profissionais de saúde e da comunidade científica espanhola. Pode não imunizar, mas protege-nos a todos e todas as vacinas são seguras. Os riscos são mínimos de acordo com as estatísticas comunicadas quase diariamente. E os assessores políticos europeus não devem imiscuir-se na medicina e tão pouco jogar com a saúde pública. É inadmissível alarmar a sociedade com efeitos secundários em particular da vacina criada em Oxford quando não é a que mais trombos nem efeitos adversos provoca e quando há medicamentos mais perigosos. Os profissionais sanitários de Espanha estão entre os melhores do Mundo e esforçam-se por inocular o maior número de cidadãos.

Tenerife, Hospital Sul, manhã de dia 5 de Abril, preparava-se para vacinar cidadãos de risco elevado, entre os 55 e 65 anos. A vacina disponível era a da AstraZeneca e nessa altura não vimos recusas… Ainda se tentava confiar nos profissionais exímios em tudo.

Testemunho o esforço inaudito dos profissionais de saúde espanhóis e em particular das Canárias, estranhamente entre as dezassete Comunidades Autónomas que menos vacinas recebeu per capita. Ainda assim, a semana que agora termina, revela uma notícia animadora: Na quinta-feira, dia 8 de Abril, administraram-se 12.618 doses, atingindo os 114.637 cidadãos com a pauta completa de vacinação de um total de 354.705 injectados. Ou seja ministraram-se 77,60% do número de doses recebidas na Comunidade Autónoma que foi de 457.120. Assim, atingem-se os 6,78% de cidadãos inoculados com as duas doses.

O arquipélago recebeu 249.022 doses da Pfizer, 21.792 de Moderna y 83.891 de AstraZeneca e 21.792 da Moderna. Obviamente que é muito pouco para o território onde é preciso vacinar 1,8 milhões de pessoas para se conseguir o tão propalado efeito rebanho.

A estratégia anunciada por Pedro Sánchez a 5 de Abril, poderá não concretizar-se: Primeiro, pela desconfiança que os líderes da União Europeia espalham entre as populações perante o desentendimento a respeito da segurança das vacinas em particular da Oxford-AstraZeneca; Segundo, pela incoerência e secretismo em torno do número de vacinas adquiridas dos respectivos fabricantes, prazos de entrega e quinhões a distribuir por cada país Membro

No sábado, dia 3 de Abril, o Serviço Nacional de Saúde intensificou as notificações para os doentes de risco elevado entre os 55 e 65 anos, para se inocularem logo no dia 5 (segunda-feira passada).

No Sul de Tenerife já se tinha garantido a vacinação a 80% dos maiores de idade e dos profissionais de primeira linha. A organização no Hospital Sul segue rigorosa: Num pavilhão novo entra-se por um lado e sai-se pelo oposto, após um estágio de pelo menos 15 minutos obrigatório para todos, momento que serve para os enfermeiros detalharem pela segunda vez tudo o que se deve ou não fazer e os sintomas das eventuais adversidades.

O sucesso do Serviço Nacional de Saúde está na qualidade dos profissionais: Gostam do que fazem, são exigentes com os decisores e intransigentes na defesa da saúde igual para todos; também porque todos os residentes no País têm Médico de Família o que permite organizar os serviços de modo mais eficaz. E o mais curioso é que a competência dos serviços nem sequer é beliscada pelo facto do SNS ser da inteira competência dos governos autonómicos. Percepcionamos que se trata de uma área da coisa pública fundamental para todas as governações das Comunidades, por saberem que é decisivo nas escolhas dos eleitores na hora de votar.

Ao grupo de risco elevado entre os 55 e 65 anos começou a ministrar-se a vacina de Oxford, produzida pela anglo-sueca AstraZeneca… Mas com o desentendimento entre os Membros da União Europeia e o embaraço da Agência Europeia de Medicamento, em Espanha o intervalo de idades é agora entre os 60 e 65 anos, o que desde logo levanta a questão relativamente à 2ª dose para todos os que já foram injectados com uma primeira porção e que se encontram no hiato dos 55 a 60 anos? Também qual é o plano B do governo Pedro Sánchez que tinha acabado de garantir a imunização de 70% dos espanhóis até final de Agosto e que agora se debaterá com o adiamento da vacinação a dezenas de milhares.

Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, visita uma fábrica da Pfizer, em Kalamazoo, Michigan, onde estava sendo produzido uma das vacinas.
Recordemos que aquele país produz 92% das vacinas de todo o Mundo por decisão estratégica do pós-II Guerra Mundial, enquanto os países europeus se desinteressaram principalmente por questões económicas: O custo benefício da fabricação de vacinas é baixo, representando 2,6% dos lucros das farmacêuticas produtoras.
Na Europa, por causa da pandemia de SARS-CoV-2, estão a utilizar-se unidades de produção de vacinas veterinárias. Inclusivamente há meses que se fabricam inoculas que se encontram ainda em fase de testes como na unidade industrial da Zendal, em Porriño, na Comunidade autonoma espanhola da Galiza.

Já a nas Canárias desconhecesse o efeito desta diminuição do intervalo de idades a vacinar com o fármaco da AstraZeneca em virtude de não se apresentarem dados relativos às quantidades de vacinas que se receberão este mês de Abril e em Maio. Pergunta-se a razão sobre estas dúvidas: Qui çá por estarmos perante um governo em todo semelhante aos da Nação e isso permite aos dois governos ajustarem-se à uma realidade mais cruel, face às hesitações sobre o número concreto de vacinas que Espanha vai receber.

Um dado preocupante nas Canárias – segundo a comunidade de profissionais de saúde – relaciona-se com o facto de o território não ser homogéneo em virtude de ser constituído por 8 ilhas (apesar da Graciosa ser de tamanho diminuto não ultrapassando os 700 habitantes) o que obriga a vacinar 1,8 milhões de residentes para que se atinja a suposta imunidade de rebanho.

E se os políticos ouvissem os alertas dos médicos de que provavelmente precisaremos de mais percentagem da população vacinada em virtude da agressividade e persistência das novas estirpes do vírus… Como agiriam? E se os líderes europeus fossem intelectualmente mais honestos e divulgassem os números dos infectados já depois de terem recebido as duas doses das vacinas de mRnA, portanto da Pfizer e da Moderna que ocorrem entre os mais idosos? Não seria melhor que os políticos europeus organizassem as ideias e tomassem decisões comuns, mantendo a confiança dos cidadãos? Só na Comunidade de Madrid, dia 10 de Abril, ficará marcado pelo facto de 54% dos cidadãos que deviam ter recebido as primeiras doses da vacina da AstraZeneca não o fizeram ou por rejeição ou por nem sequer responderem à convocatória.

Em abril de 2020 arrancaram dez plataformas tecnológicas diferentes para desenvolvimento de vacinas anti SARS-CoV-2. Basearam-se em DNA ou RNA mensageiro, ou seja, as vacinas de DNA ou RNA oferecem uma promessa considerável de obter respostas imunológicas fortes e podem ser rapidamente avaliadas, para suposta estabilidade a longo prazo e preparadas para capacidade de produção em larga escala. Depois temos as plataformas que se focam em vetores virais – adenovírus – não replicantes, peptídeos, proteínas recombinantes, e ainda as que manuseiam vírus vivos atenuados e vírus inativados, as chamadas vacinas comuns.
No primeiro caso já se ministram a Pfizer–BioNTech e a Moderna, enquanto no segundo as da Sputnik V, a Oxford–AstraZeneca, a Convidecia e a Janssen da Johnson & Johnson. Já as inativadas convencionais são as da BBIBP-CorV, CoronaVac, Covaxin e CoviVac

O idealismo do governo central de Espanha, social comunista, liderado por Pedro Sánchez, está entre os mais titubeantes e irresponsáveis na gestão da pandemia e consequentemente da arquitectura de um plano nacional de vacinação que não existe: Está nas mãos dos governos autonómicos e naturalmente no número de vacinas que serão distribuídas de acordo com o anúncio da União Europeia ainda no decorrer deste mês de Abril e de Maio. Portanto, a antevisão do que será a progressão da vacinação até final de Agosto apresentada por Sánchez está dependente de um conjunto de factores que não domina. Pior, aconteceu na segunda-feira, dia precisamente quando já se adivinhava mais movimentações políticas internacionais relativamente à vacina de Oxford e aos seus supostos efeitos secundários.

O mais intrigante prende-se com a distribuição da vacina de dose única da empresa belga Janssen do grupo Norte-americano Johnson & Johnson. Primeiro porque se sabe que a empresa mendou destruir 16 milhões de doses

Mas a estratégia anunciada por Pedro Sánchez, a 5 de Abril, poderá não concretizar-se: Primeiro, pela desconfiança que os líderes dos países da União Europeia espalham entre as populações perante o desentendimento a respeito da segurança das vacinas em particular da Oxford-AstraZeneca; Segundo, pela incoerência e secretismo em torno do número de vacinas adquiridas, dos respectivos fabricantes, prazos de entrega e quinhões a distribuir por cada país Membro.

Por outro lado, temos de perceber que há outros países que adquiriram vacinas mal o seu desenvolvimento foi anunciado publicamente e antes de qualquer fase de ensaio, como os casos do Chile, cujo plano nacional de vacinação é um dos maiores sucessos globais, Emiratos Árabes Unidos, Israel, Reino Unido, Estados Unidos e mesmo do Brasil que é o maior fabricante de vacinas de toda a América do Sul e que já produz pelo menos uma das vacinas de inactivo chinesa.

Vejamos: A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Brasil aprovou no dia 31 de Março, o uso emergencial da vacina produzida pela empresa belga Janssen, controlada pela Norte-americana Johnson & Johnson. E segundo o Ministério da Saúde brasileiro já se contrataram 38 milhões de doses da inocula da Janssen, prevendo-se a entrega de 16,9 milhões entre os próximos meses de Julho e Setembro, e outras 21,1 milhões entre Outubro e Dezembro.

A vacina já teve uso emergencial aprovado também nos Estados Unidos e Canadá. Sabe-se também que existe uma encomenda realizada ao abrigo do programa Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS), para reunir e distribuir vacinas de forma mais igualitária do ponto de vista global, sobretudo pelos países pobres ou em via de desenvolvimento.

Em cima da hora, obtém-se actualizações, mas muitas delas já meio perdidas no tempo, face à velocidade em que as notícias costumam correr. Nem sempre a transparência está de mãos-dadas com a democratização dos procedimentos que nos anunciam sistematicamente. Esconde-se o conhecimento de modo sistemático. Os governos do Ocidente determinam cada vez mais, a designada ‘Informação Classificada’, ou seja guardam comunicação como segredo, precisamente o que não querem que os cidadãos sabem e nós, na generalidade, acomodamo-nos e não somos nada exigentes.

Em 11 de Março de 2021, a Novavax anunciou que a vacina NVX-CoV2373 tinha eficácia geral de 96,4% e prevenia 100% dos casos graves de SARS-CoV-2, como a estirpes Britânica e Sul-Africana. No mesmo dia, a EMA (Agência Europeia do Medicamento) anunciou autorização para o uso da vacina da Janssen na União Europeia.

Anteriormente, em 27 de Fevereiro, a FDA (Food and Drug Administration, a agência federal do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos), autorizou a vacina da Janssen (Ad26.COV2.S) para uso de emergência em adultos em território Estado-unidense. Um dia antes, o Governo do Brasil anunciou a compra de 20 milhões de doses da vacina indiana Covaxin.

O Gana tornou-se no primeiro país a receber vacinas do programa Covax Facilty da Organização Mundial de saúde. Aconteceu no dia 24 de Fevereiro.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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