Histórias d’África – ABSURDO! Páscoa estrita para espanhóis e livre para turistas

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Em Espanha só os da casa podem contagiar; os de fora encontram-se imunizados? Voltam as restrições rigorosas de mobilidade para a “Ponte de São José” e “Semana Santa”, para todos os cidadãos residentes em Espanha. Mas mantêm-se as liberdades para todos os estrangeiros que vierem de fora. Continuaremos a assistir à chegada de milhares de franceses a Madrid e a Barcelona fugidos das limitações que persistem no território francês e com um denominador comum a todos os outros turistas: Nos aeroportos, só se pedem testes PCR negativos de modo aleatório. A Nordeste, na fronteira de Jonquera, na vila Els Límits, na provincia de Girona, há via livre a partir do final da tarde, encerrando o paradigma do turismo de sexo.

O bom senso diz-nos que devemos estar de acordo que é decisivo evitar uma quarta onda de incremento da pandemia SARS-CoV-2 e, portanto, impor restrições mais rigorosas na mobilidade na Semana Santa – de 26 de Março a 9 de Abril – que as que aconteceram n a época natalícia e que acabaram por se traduzir no maior número de contágios e falecidos desde a declaração de pandemia. Em Espanha é primordial que isso suceda: Estamos perante uma sociedade maioritariamente cristã, católica e com um calendário festivo singular entre os demais países do Ocidente europeu. Por isso, as limitações também se decretaram para a chamada “Ponte de São José”, de 17 a 21 de Março.

E desta vez as Comunidades Autónomas em sede de Conselho Interterritorial, acordaram em claves fundamentais, como as limitações perimetrais à mobilidade dos cidadãos entre comunidades autonómicas e, em muitos casos, também entre províncias e municípios. Ou seja são os governos das comunidades autonómicas que decidem sobre a maior ou menor mobilidade dentro dos seus territórios.

Já para os turistas, a mobilidade é praticamente livre.

Por outro lado, as autonomias das Canárias e Baleares regulam-se pelo disposto no Real Decreto 926/2020 de 25 de Outubro que no essencial é manterem-se as normas determinadas aquando da segunda vaga e praticamente as mesmas que se cumprem presentemente com a redução da lotação dos estabelecimentos de restauração e comércio generalista e o recolher obrigatório a partir das 23 horas, o que vigora desde sempre salvo as excepções onde se adiantou o início do toque de queda para as 22 horas.

Mas a tempestade das transmissões comunitárias acontece também muito à custa de uma característica dos espanhóis e de alguns outros europeus: Das festas de fim-de-semana. A proibição e as sanções pecuniárias não são suficientemente persuasivas: Nas maiores cidades as intervenções policiais fazem-se às centenas. As autoridades policiais em Madrid e Barcelona desmantelam entre as 300 e as 450 festas ilegais (à porta-fechada) todas as noites de sábado: Acontecem em discotecas, bares, garagens, pisos e vivendas de aluguer turístico. Um regabofe que não para, mesmo com coimas da ordem dos 320 euros para os participantes e entre 30 e 60.000 euros para os proprietários dos espaços, desde que se comprove a sua intervenção na autoria da organização e publicitação, quase sempre através das redes sociais.

Depois, temos os “botellones”: Ajuntamentos de rua acompanhados de consumo de bebidas alcoólicas que saltam a própria legislação comum, pois é proibido consumir bebidas alcoólicas na rua. Aqui as multas são em média de 60 euros pelo consumo das bebidas e 100 euros por não terem a máscara colocada.

Alfredo Corell, inmunólogo e professor catedrático: “Há uma tendência errónea para pensar que os que passaram pelo coronavírus já têm uma hiperprotecção(‘Hay una tendencia errónea a pensar que los que pasaron el coronavirus ya tienen una hiperprotección’)

A média dos contágios por cada 100 mil habitantes registada nos últimos 14 dias em Espanha. As Canárias sobem no ‘ranking’ das Comunidades Autónomas: passa de 17º para 9º. As cidades autónomas de Melilla e Ceuta – enclaves em território marroquino e que dependem directamente da administração central do Reino de Espanha – lideram a incidência acumulada com número de infectados preocupante

Ora esta dualidade de critérios assusta os profissionais de saúde, para quem o vírus SARS-CoV-2 não tem nacionalidade e o exemplo é-nos dado com a relativa simplicidade dos números: França regista uma incidência acumulada por 100.000 habitantes de 452 contágios, enquanto Espanha baixa para os 139 casos.

E atente-se às estatísticas do arquipélago das Canárias, onde há dois dias ocorreram 252 novos contágios e mais 4 mortos. Aliás, nas Canárias, o número de falecidos sofre um incremento de 25% este mês de Março e mantém-se acima dos registos à época da primeira vaga, entre Março e Julho do ano passado.

Mas há outros recados: Presentemente 60% a 80% das novas infecções são com a estirpe britânica, mais agressivas pela superior carga viral que demonstram e consequentemente maior velocidade de contágio; e a vacinação segue em baixa principalmente pela falta de vacinas e, agora, pela polémica gerada em torno da inocula da AstraZeneca que supostamente será responsável por trinta casos de acidentes vasculares – embolias pulmonares e tromboses – como efeito colateral.

Contudo, os sanitários espanhóis afirmaram aos Órgãos de Comunicação Social que não há quaisquer evidências de que a vacina britânica possa produzir acidentes vasculares enquanto efeito colateral, e que nenhuma organização de saúde pública decidiu suspender a administração da vacina da AstraZeneca. Estamos perante deliberações políticas que aconteceram em oito países europeus com a Dinamarca à cabeça e, em Espanha só na Comunidade Autónoma das Canárias, onde se separaram 260 doses de um lote da AstraZeneca vacina que já tinha sido administrada a 27.500 residentes no arquipélago.

A farmacêutica informa que “uma análise da base de dados de segurança, com mais de 10 milhões de registos, não mostrou qualquer evidência de risco aumentado de embolia pulmonar ou trombose venosa profunda“.

Europa protagonista: Tornou-se no continente que acumula maior número de mortos. E o mais irónico é que acontece com o início das campanhas de vacinação. Até nas Canárias, num dos territórios mais seguros, sobem os registos. Tudo por falta de concertação entre os países Membros da EU.

O absurdo da dualidade de critérios das medidas anunciadas em Espanha para travar uma nova vaga da pandemia com uma menor liberdade de movimentos comunitários em período da Semana Santa – mesmo sabendo-se da suspensão de toadas as maiores celebrações – garantirá uma mão-cheia de quase nada.

E pergunta-se:

  • Como se justificam as estatísticas da epidemia nas Canárias?
  • Onde se encontram as fontes para os novos contágios?

Seguramente não coabitam nas ilhas de modo permanente: São transmissões provocadas pela mobilidade entre ilhas, Espanha peninsular e outros países de origem dos poucos turistas que chegam.

Como se justificam as estatísticas da epidemia nas Canárias e onde se encontram as fontes para os novos contágios? Seguramente não coabitam nas ilhas de modo permanente: São transmissões provocadas pela mobilidade entre ilhas, Espanha peninsular e outros países de origem dos poucos turistas que chegam.
Pergunto-me a mim mesmo: Quantos destes viajantes, particularmente os que se movimentam entre o arquipélago e a península, se acompanham de testes PCR negativos? Por que razão se insiste em não promover os testes antígenos, principalmente os salivares, tal como sugerem os profissionais de saúde e as comunidades científicas… Como já acontece no Reino Unido e na Alemanha.

Pergunto-me a mim mesmo:

  • Quantos destes viajantes, particularmente os que se movimentam entre o arquipélago e a península, se acompanham de testes PCR negativos?
  • Por que razão se insiste em não promover os testes antígenos, principalmente os salivares, tal como sugerem os profissionais de saúde e as comunidades científicas… Como já acontece no Reino Unido e na Alemanha. Recordemos que foi a própria chanceler Ângela Merkel que anunciou o início da campanha destes testes com 60 milhões de provas nas primeiras semanas, mas com o tremendo objectivo de se chegarem aos 160 milhões de testes antígenos por semana.

Sexta-feira, 12 de Março, um ano depois em que oficialmente tocaram os alarmes de pandemia a Ocidente, a Europa regista oficialmente 889.533 mortos por infecção pulmonar bilateral profunda provocada pelo vírus SARS-CoV-2 e 39.403.579 casos (actualização às 09:13 horas do dia 12 de Março).

O número de mortes pela doença atingiu o marco do milhão de vítimas mortais a 28 de Setembro último, com a América Latina e as Caraíbas à cabeça. E duplicou em apenas três meses e meio, o que mostra que a transmissão do vírus aumenta em regiões e países onde parecia estar controlado, precisamente a Europa que é agora a região que mais mortes acumula.

Agora, já é a própria Organização Mundial de Saúde a anunciar que “não se espera que a imunidade colectiva seja alcançada em 2021”.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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