Histórias d’África – A mania das grandezas do futebol português…

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1,2 Mil milhões é quanto devem os três maiores e agora a culpa é da pandemia de SARS-CoV-2. Mas há outras razões, as mesmas que acontecem há mais de 30 anos.

Futebol Clube do Porto, Benfica e Sporting lideram a tabela dos clubes portugueses mais endividados. Somam 1.214 milhões de euros a divida global das três agremiações: 497,3 milhões é a divida do F. C. Porto, enquanto o Benfica deve 425 milhões e o Sporting 291,8 milhões. Isto não significa que tenham encetado estratégias de contenção das despesas face à redução de receitas provocada directa e indirectamente pela pandemia de SARS-CoV-2 que, agora, serve de razão para todos os males maiores.

Basta determo-nos nos custos assumidos pelo Benfica com o regresso, em Julho do ano passado, do treinador Jorge Jesus em plena epidemia global e sem final anunciado. O clube assumiu gastar 26,2 milhões de euros com o treinador e a sua equipa técnica nas próximas três temporadas: 18 milhões destinados aos salários de Jorge Jesus e 7,2 milhões para os ordenados dos seus adjuntos. Esta contratação multimilionária – que teremos de somar um milhão da cláusula de rescisão – custou 37,4 milhões de euros em percas directas pelo clube ter falhado ‘Champions‘, com a eliminação da Liga dos Campeões por ser derrotado pelo modesto PAOK de Salónica já com Jorge Jesus na liderança. Mas apesar de a pandemia deixar os estádios sem espectadores e um vazio de outros eventos, Luís Filipe Vieira, presidente do clube, gastou 80 milhões de euros na contratação de jogadores, o mais elevado ‘investimento’ de sempre da história do clube… À 22ª jornada – a 12 partidas do final da temporada – o Benfica encontra-se na quarta posição da classificação a 13 pontos de distância do líder Sporting e atrás do Sporting de Braga e do F. C. Porto.


19 Anos depois, a temporada futebolística do Sporting poderá tornar-se inesquecível principalmente para os adeptos mais novos. É líder do campeonato e se tudo acontecer dentro da normalidade conquistará o título que não acontece desde a época 2001-2002. Entretanto, conquistou a 14ª edição da Taça da Liga de Portugal ao vencer o Sporting de Braga, por 1-0. Sucedeu a 23 de janeiro último

Neste momento, a horas de receber o Boavista, o Benfica disputa acesso á Liga dos Campeões, mas terá três maiores desafios para o conseguir: vencer em Braga, no próximo dia 21, o Sporting de Braga, 2º classificado com mais 4 pontos; em Paços de Ferreira a 11 de Abril (5º classificado com menos 4 pontos); e o F. C. Porto, no Estádio da Luz a 9 de Maio, que é por enquanto o 3º na tabela com mais 3 pontos.

A Liga Milionária que o Benfica não joga

Ainda que o Benfica esteja distante em afirmar-se como candidato a triunfar na Liga dos Campeões, a sua participação poderia significar receitas de 37, 4 milhões de euros, com relativa simplicidade. Vejamos:

O acesso direto à fase de grupos – que o Benfica de Jesus não conseguiu – tinha garantido 15,25 milhões de euros.

Depois, por cada jogo podia receber 2,7 milhões por cada vitória ou 900.000 euros por empate. A estes montantes, acresce 1,1 milhões de euros por cada lugar no ranking entre os 32 participantes da ‘Champions’.

Na liga Europa, o clube recebeu 2,92 milhões de euros, mais 570 mil euros por vitória e 190 mil por empate. E como nem sequer conseguiu atingir os oitavas-de-final, as receitas desta competição nem sequer chegam para pagar passe futebolístico do extremo Everton Cebolinha.

Quase sempre utiliza-se o mesmo modus operandi para solucionar as dívidas dos clubes: meios perdões ou totais das instituições bancárias, incluindo daquelas que foram ou se mantém a ser resgatadas pelo Estado português, diria pelos cidadãos contribuintes… E o mesmo acontece relativamente á Autoridade Tributária e Instituto da Segurança Social por força de indulgências totais ou parciais ou espaçamentos nos prazos de pagamento a perder de vista.

A má gestão dos maiores clubes desportivos de Portugal – sempre terrivelmente nociva – não encerra nenhuma novidade para a maioria dos cidadãos. Basta um ‘olhar para trás’ atento e situarmo-nos no final da década de 80’ do século passado e viajar ao presente.

Os passivos acumulam-se. Apenas diminuem – ou se tornam sustentáveis (?) – quando se vendem jogadores por verbas milionárias no final das épocas mais gordas no que toca à matéria-prima.

Ainda assim, teremos de duvidar da solidez das apresentações de contas dos maiores clubes que têm equipas de futebol a jogar no campeonato mais importante e entre os que disputam os lugares cimeiros. Desde logo as maiores perplexidades encontram-se na honorabilidade dos dirigentes, alguns a perpetuarem-se no poder e capazes de uma influência social e política impares. Os mais velhos não esquecem décadas em que as lideranças políticas, incluindo presidentes da República, se deslocavam à cidade do Porto, literalmente ao beija-mão a Jorge Nuno Pinto da Costa, em vésperas de eleições, que preside aos destinos do F.C. Porto desde 17 de Agosto de 1982, ou seja há 38 anos e 206 dias. Também não nos podemos esquecer que foi Rui Rio, actual líder do PSD, o primeiro político que se impôs, enfrentando Pinto da Costa no período em que foi Presidente da Câmara Municipal do Porto, inclusivamente acabando com os enormes gastos de dinheiros públicos nas celebrações de triunfos do clube da cidade.

Mas afinal pergunta-se como é que os clubes pagam as suas dívidas?

Precisamente olhando para o passado, mais ou menos longínquo, encontramos as respostas e muito simples, sempre em consequência da utilidade e serviço público prestados pelos clubes.

Ora então acontece pelos adiantamentos dos direitos de transmissão dos jogos e publicitários relativamente à imagem de marca; por meios perdões ou totais das instituições bancárias, incluindo daquelas que foram ou continuam a ser resgatadas pelo Estado português, ou seja pelos cidadãos contribuintes; e o mesmo acontece relativamente á Autoridade Tributária e Instituto da Segurança Social por força de indulgências totais ou parciais ou espaçamentos nos prazos de pagamento a perder de vista.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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