Histórias d’África – Vírus a quanto obrigas: Passaporte para o Mundo

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“Passaporte COVID” ou “Passaporte SARS-CoV-2”, seja qual for o nome, é mais uma decisão hibrida da sociedade política Ocidental. A medida não pode garantir ao Mundo que um cidadão completamente vacinado não contagie terceiros não vacinados ou mesmo pacientes curados de SARS-CoV-2 que supostamente se encontram imunizados ou mesmo outros inoculados. Numa perspectiva mais regional, o governo da Galiza anuncia intenção de tornar obrigatória a vacinação anti-SARS-CoV-2 sob pena de coimas até 600.000 euros para os negacionistas.

Passaporte COVID” ou “Passaporte SARS-CoV-2”, seja qual for o nome, é mais uma decisão hibrida da sociedade política Ocidental. Uma ideia liderada pelo Reino Unido, Grécia e Israel com o intuito de salvar o próximo Verão turístico. Em Espanha, as Comunidades Autonómicas das Baleares e das Canárias também se ajustam a esta resolução.

Por outro lado, o Governo da Comunidade Autónoma da Galiza, na Espanha peninsular, anuncia a pretensão de impor a vacinação anti SARS-CoV-2 obrigatória sob pena de aplicação de sanções pecuniárias até aos 600.000 euros para quem se negue à vacinação.

Dois temas relativamente polémicos, mas que encerram apenas a respostas simples.

A eficiência e razoabilidade do passaporte está nas mãos das comunidades médicas e científicas, bem como das comissões de bioética ou ética médica que têm de esclarecer os poderes políticos e responder a perguntas tão simples como:

  • Podem garantir ao Mundo que um cidadão completamente vacinado – com as duas doses que os abastecedores propõem nas características técnicas das vacinas – não contagia terceiros não vacinados ou mesmo pacientes curados de SARS-CoV-2 que supostamente se encontram imunizados?
  • Que garantias são dadas pelos fabricantes das vacinas e pelos expertos nos mais diversos coronavírus sobre o espaço de tempo em que os vacinados se mantêm imunizados ou mitridatizados ao SARS-CoV-2?
  • Qual é a diferença entre um imunizado por vacinação e um outro que já foi paciente do vírus para que apenas o primeiro mereça um “Passaporte COVID”?
  • Como é que o “Passaporte” poderá salvar o Verão turístico nos principais destinos do planeta se as melhores previsões apontam para que só consigam estar vacinados 40 a 50% dos europeus dentro das próximas 16 semanas?
  • E que procedimento se planteia para os turistas de outros países, onde ainda não começaram as campanhas de vacinação ou se encontram numa fase inicial e muito residual? (…) Hoje, há mais de 100 países que não principiaram campanhas de vacinação anti SARS-CoV-2.

Já o debate sobre obrigar ou não os cidadãos a vacinarem-se a troco de multas da ordem dos 600 mil euros, encerra questões do forro da jurisprudência e na maioria dos países Ocidentais pode conflituar com as Constituições dessas nações. Não vai ser fácil ao governo da comunidade galega consegui-lo, ainda que a alegação principal seja o interesse da saúde pública. Vejamos duas questões mais pertinentes:

  • Independentemente da violação dos direitos individuais perfeitamente consagrados a Ocidente e na generalidade do Mundo judaico-cristão, mesmo em nome do bem comum, da suposta erradicação da pandemia, como se contempla a opção da escolha da vacina? Ou seja como se respeita o cidadão que quer ser vacinado mas que pretende escolher entre submeter-se à vacinação por uma inocula de mRnA, por exemplo da Pfizer ou da Moderna e uma de de vectores de adenovírus como a britânica AstraZeneca ou a russa Sputnik 5?
  • E a obrigatoriedade da vacinação será realmente a única solução que garante a eliminação do SARS-CoV-2 e das suas cepas cujas sequenciações revelam cargas virais imensas, mesmo inimagináveis? Exemplifico com a criança nascida na manhã do dia 24 de Fevereiro, nos Estados Unidos, que foi detectada com 51.800 unidades do vírus (atente-se que uma pessoa é infectada às 1.000 unidades) e que tudo indica seja uma sub-variante da cepa britânica a que designam de “Califórnia”.
  • Independentemente das inúmeras competências delegadas nos governos autonómicos de Espanha, poderá ser contraproducente caso mais nenhuma das Comunidades Autónomas o faça, particularmente as vizinhas

Pedro Sánchez desliza prazo para vacinação dos 70% da população: Do princípio para o final do Verão. Em Espanha, só ontem se atingiu a fasquia dos 1.221.000 de imunizados com as duas doses da vacina. O Verão começa dentro de 16 semanas e faltam vacinar mais de 31 milhões.

Faltam dezasseis semanas para começar o Verão, prazo anunciado pelo presidente do governo espanhol, o socialista Pedro Sánchez, para vacinar 70% dos espanhóis, criando o tão desejável efeito de rebanho.

Ora em Espanha a população residente em 46,9 milhões de cidadãos. E teremos de partir do princípio que as vacinas são em duas doses. Há que vacinar obrigatoriamente 32,8 milhões de cidadãos. Como mínimo, 31 milhões de pessoas. Portanto, são precisas administrar 62 milhões de doses em apenas 16 semanas isto para atingir a meta propagandeada dos 70% de vacinados com a chegada do Verão.

Os profissionais de saúde de Espanha encontram-se obrigados a aplicar 3,875 milhões de doses por semana, uma quantidade incrivelmente difícil de conseguir: 553.571 injecções por dia, 23.000 inoculas administradas por hora, considerando uma vacinação ininterrupta durante 24 horas x 7 dias da semana.

Pode ser que se consiga atingir este desígnio: Não há impossíveis, mas antes dúvidas sobre a capacidade de meios humanos e espaços adequados que possam suportar a logística complexa exigida sobretudo pelas duas vacinas de mensageiro de RnA, das Norte-americanas Pfizer e Moderna pelas suas características de conservação sobejamente conhecidas de todos.

Felizmente que aumenta a sero prevalência em Espanha: Já deverá rondar os 12,5% da população. Já são mais de 5 milhões de cidadãos residentes em Espanha que estiveram infectados de SARS-CoV-2 e que poderão atravessar um estágio de imunização mais ou menos prolongado, mas isso é um dado que se mantém no campo das incertezas, tal qual sucede com as vacinas. Aliás, a temporalidade da imunização pode também condicionar-se pelas mutações do vírus que se apresentam mais agressivas com o crescente do próprio número de isentados. E a esses 5 milhões teremos de acrescentar os 1,221 milhões de vacinados com as duas doses.

O impacto das eleições da Catalunha, de 13 de Fevereiro, no aumento dos contágios revela-se agora, contrapondo com a diminuição global do número de infectados no resto da Espanha peninsular: 3.000 novos pacientes de SARS-CoV-2 na quarta-feira, dia 24 de Fevereiro, num total de 9.212 contágios. Infelizmente, mais uma vez, os profissionais de saúde tinham razão nas suas previsões.

Quarta-feira, dia 24 de Fevereiro volta a registar um aumento de 1.569 contaminações: Subiram dos 7.643 para 9.212 casos por força do incremento de casos na Catalunha com 600 internados em risco máximo. Contudo a melhor notícia é a diminuição de 54 falecidos, de 443 para 389.

A campanha de vacinação no Chile é um sucesso: Começou depois de se garantir uma organização global para quase toda a extensão do país. No final da terceira semana de Fevereiro já tinham administrado as duas doses a 2,7 milhões de habitantes de um total de 19,116,208 de acordo com o censo de 2020. Ou seja 14,12% da população.

De acordo com os números anunciados, o Chile soma 807 872 contagiados, 20.173 falecidos e um total de recuperados recorde na América do Sul de 767.332 pacientes. A actualização em “ourworldindata” avança com um total de 16,18% da população vacinada com duas doses de acordo com os registos do dia 23 de Fevereiro.

https://ourworldindata.org/covid-vaccinations

Em sentido oposto, e entre os países mais desenvolvidos, Austrália, Nova Zelândia não iniciaram campanhas de vacinação, muito por força de terem optado por regimes de confinamento globais com enormes restrições, particularmente os neozelandeses que se encontram em isolamento do resto do Mundo quase absoluto, há quase uma ano.

Os países com maior taxa de vacinados são o enclave de Gibraltar com 93,89% da população, Israel com 88,77%, Seychelles com 66,68%, e Emirados Árabes Unidos que já imunizaram 57,31% dos seus cidadãos residentes. A média entre os países europeus é de 7,07%, enquanto os países membros da União se situam nos 6,35%.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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