Histórias d’África – O vírus não mata ideias peregrinas…

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Os novos poderes socialistas, apoiados maioritariamente pela extrema-esquerda comunista, elevam maus exemplos, impensáveis em democracias ocidentais centradas em Estados de Direito. Estas soluções governativas com as novas esquerdas dominantes, revelam-se piores que as suportadas por partidos mais moderados, mesmo com as coligações do habitualmente designado centro-direita: São mais incongruentes; procuram consensos sempre junto dos partidos mais pequenos – ou regionalistas como o caso espanhol – radicais; assumem maiores dimensões com mais ministérios e funcionários; consequentemente são mais despesistas (o actual governo espanhol gasta 42 mil milhões de euros ao ano); são populistas sobremaneira; decidem-se por medidas demagógicas que acarretam aumento de impostos… É preciso deter-nos que Espanha é o único país da União Europeia a aumentar impostos neste ano com um conjunto de medidas fiscais incluídas no Orçamento de Estado.

Da esquerda para a direita: Ilha de La Palma, Hierro, La Gomera, Tenerife, Gran Canária Fuerteventura e Lanzarote (esta com a pequena ilha da Graciosa junto). Surpreendente é manterem-se 814 casos activos na ilha de Lanzarote que tem apenas 150.998 habitantes a que acrescem os 721 residentes da Graciosa

Em Espanha os últimos tempos registam abusos de vária ordem, mesmo sabendo-se que já existem detentores de cargos públicos julgados e com condenações pesadas em alguns casos, naturalmente de diferentes quadrantes políticos.

Mas sucedem-se exemplos grotescos qui çá de uma baixeza impensável num País grande, numa monarquia constitucional – a avaliar pela rectidão e nível cultural das suas iguais europeias, concentradas a Norte do continente – e que se encerra entre as maiores potências globais mesmo conhecendo-se o aumento das dificuldades sociais e económicas e a passagem ao estágio de semi-pobreza e eventualmente de pobreza de algumas centenas de milhares de cidadãos. O Banco de Espanha estima o desemprego a situar-se entre os 17,1% e os 21,5%.

O Vice-Presidente segundo do governo, o comunista Pablo Iglesias, ocultou os detalhes de 26 contratos do seu ministério, nos primeiros 5 meses da pandemia: Incumpriu com a Lei da Transparência não revelando os beneficiários nem as quantias dos compromissos assinados.

Mas Pablo Iglesias que vive com Irene Monteiro, também ela ministra da Igualdade tem uma ama para os filhos que é assessora no Ministério da mulher, María Teresa Arévalo Caraballo. O facto foi conhecido no início do mês, não foi desmentido e suscita as maiores críticas entre a cidadania espanhola.

O actual governo é constituído por 22 ministros, entre eles quatro vice-presidências, precisamente mais 10 ministros que o anterior líder do Executivo, Mariano Rajoy do PP.

Os números da crise nos maiores países europeus são alarmantes. Em Espanha, só no sector da restauração até final do terceiro trimestre de 2020, registavam-se a perda de 271.000 empregos, outros 220.000 encontravam-se em eRTE, em todo semelhante à layoff portuguesa. Juntando a área da restauração e bares da hotelaria encontravam-se em risco mais 1,4 milhões de postos de trabalho. Só a suspensão da Semana Santa de Sevilla significou um prejuízo de 400 milhões e as “Fallas de valência” 700 milhões de euros. Espanha perde 11,6% do PIB.

A gestão da Comunidade Autónoma das Canárias e por exemplo do Cabildo de Tenerife não é em todo semelhante: Revela-se uma enorme falta de visão estratégica desde que governam e em particular no período da pandemia. As imagens que mostram a evolução dos casos de SARS-CoV-2 impressionam pela inabilidade dos poderes políticos instituídos.

Na primeira vaga, o pior dia ficou assinalado com 147 casos numa população global da região autonómica superior a 2,1 milhões de residentes. Os 100 dias de isolamento do Mundo trouxeram a bonança em Abril, Maio e Junho, mas não souberam impor fórmulas estritas para a mobilidade na ansia de salvar o Verão turístico. O resultado vê-se uma segunda vaga que se converteu numa 3ª etapa da pandemia e às percas absolutas 87,5% das receitas do turismo.

É verdade que os números da evolução da pandemia jamais atingiram os valores da maioria dos países. Mas a falta de rigor nas entradas no arquipélago numa clara falta de vontade em investir para obter as maiores receitas do turismo acabaram por resultar em percas absolutas superiores aos 87,5%, a um desemprego sem precedentes e ao aumento em mais de 51.000 novos casos de pobreza. A tudo isto junta-se a colocação à venda de 100 unidades hoteleiras e à persistência do “Turismo Zero”. O arquipélago vive do consumo interno e isso não faz abrir as portas dos hotéis salvo casos pontuais dos estrangeiros seniores residentes que vão fazendo turismo cá dentro.

E agora? Os governantes aproveitam a ligeira melhoria na tabela de infectados e mortos – obviamente as cifras sempre foram relativamente baixas em função do número de habitantes – para anunciarem o alívio das restrições levantando o recolher obrigatório na ilha de Tenerife que se faz das 23:00 às 06:00… Mas de repente alguém, de bom senso, tratou de recordar os exageros que podiam suceder com a chegada do Carnaval, para agora se voltar atrás na decisão e manter-se o “toque de queda” no mesmo horário até ao próximo dia 22 de Fevereiro.

Por outro lado, espera-se que tenham aprendido a lição que haja entendimento entre os poderes executivos e os operadores para que só entrem nas ilhas cidadãos com testes negativos realizados na origem, nas 48 horas anteriores às viagens e que isso seja extensível, de uma vez por todas, a qualquer passageiro, procedente ou residente na Espanha peninsular. Não pode haver excepções, nem mesmo para a classe política, para os deputados das ilhas nas Cortes. Ninguém pode garantir imunidade entre o ir e o vir e devem ser os primeiros a dar o exemplo.

Mas é absolutamente imperioso que não ensaiem nenhuma festa em período de Carnaval – o segundo maior do Mundo e que junta mais de meio milhão de pessoas – e a Semana Santa. Está-se na faixa dos 30.000 vacinados e isso é muito pouco para tranquilizar e alimentar esperanças de uma normalidade já em meados do próximo mês.

As Canárias precisam de ideias novas para se reinventar: Aumentar a empregabilidade no sector primário aproveitando a terra afortunada que dá quase tudo; Dirigir campanhas para um turismo mais técnico e de natureza e arquitectar mensagem de segurança para os turistas sénior para que não deixem de voar para as Canárias, eles que são determinantes nas receitas em tempo de Inverno no hemisfério Norte. E dispensam-se ideias peregrinas em querer mais uma transportadora aérea, pois já existe a Binter que chega perfeitamente.

O presidente do Cabildo Insular de Tenerife, Pedro Martín, terá de medir as suas prioridades em tempo de crise e os seus desejos megalómanos: As transportadoras aéreas espanholas, Binter, Ibéria e Vueling, estas duas últimas da holding IAG, encontram-se seguramente abertas a negociar maior operacionalidade entre o arquipélago e o maior número dos aeroportos da Espanha peninsular.

Pedro Martin, socialista e psicólogo, sempre ligado à actividade publico-política (governa por pacto parlamentar do tipo “geringonça” portuguesa, mas sem ter ganho as eleições em 2019) tem de se elucidar sobre custos das operações aéreas para verificar que nem o seu Cabildo de Tenerife nem a maioria dos hoteleiros podem assumir esses custos. Nem tão pouco aí reside alguma oportunidade para a maioria dos desempregados das ilhas. E isto é tão verdade, mesmo que o conceito fosse fretar aviões a companhias que não fazem voos regulares como a portuguesa Hi Fly cuja frota se destina a fretamentos, podendo ser contratada para fornecer apenas o jato com tripulação, via “Wet Leasing”, ou serviço ‘Charter’.

Um exemplo que é preciso considerar atendendo às características da maioria das transportadoras e dos voos para as Canárias que são realizados em Boeing 737. Trata-se de um avião da família de aeronaves narrowbody bimotor turbofan que foi concebido para ser um avião com custos de operação baixos.

O 737 fez o primeiro voo em Fevereiro de 1968 e desde então foi actualizado para 10 séries e com capacidades para transportar entre os 85 a 215 passageiros. Ora, uma operação num hiato de tempo entre a hora e as duas horas com com um destes aparelhos da Boeing custa 22.000 dólares, valor que não inclui custos com os salários dos tripulantes. Por outro lado, impõe-se saber que cada avião destes custa entre os 89 e os 134,9 milhões de dólares. É isto que o Presidente do Cabildo Insular das Canárias parece desconhecer.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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