Histórias d’África – Cancro, SARS e turismo

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Impressiona: É o cancro que mais mata no arquipélago das Canárias. É o tumor no pulmão a segunda causa da mortalidade. Em Portugal, diagnosticam-se 10 novos pacientes com cancro de pulmão. Em 2020, registaram-se mais de 11.300 novos casos de cancros nas Canárias. Um em cada cinco deixaram-se de diagnosticar durante o confinamento por causa do SARS-CoV-2, apesar de se conviver com um dos melhores sistemas de saúde pública globais. As estatísticas apontam para um aumento em 25% dos novos casos de cancro na Europa, em 2020 relativamente ao ano anterior.

Saiba que

  • No arquipélago das Canárias o número de contágios dia, mantém-se acima dos 200 novos casos. Esta quinta-feira, dia 4 de Fevereiro, registaram-se 255 novos casos e mais três falecidos. São números mais elevados que na primeira vaga, ainda que aos olhos de mais de meio Mundo possam considerar-se residuais em virtude dos mais de 2,1 milhões de residentes. Vejamos:
  • Desde que se anunciou a pandemia registaram-se 537 falecidos;
  • De momento encontram-se em Unidades de Cuidados Intensivos 88 pacientes e mais outros 337 internados em todo o arquipélago;
  • Em isolamento domiciliário encontram-se 7.032 contagiados;
  • A incidência acumulada nos últimos 7 dias é de 79,22 casos por 100 mil habitantes, enquanto na ilha de Tenerife, a mais povoada com cerca de 1,2 milhões de habitantes situa-se nos 29,85 infectados por cada 100.000 residentes;
  • O total de casos desde o início da epidemia é de 36.395 casos sendo que já se produziram oficialmente 28.405 altas médicas.
Riu Paraíso Lanzarote Resort é um dos três hotéis que a cadeia hoteleira maiorquina RIU e o seu sócio alemão TUI colocaram à venda. É das mais importantes unidades hoteleiras da ilha de Lanzarote. Juntam-se um hotel na Madeira e outro no Panamá. O motivo prende-se com a necessidade de liquidez para reorganizar o negócio internacional com operações em 19 países

Seja como for, as ilhas podiam viver um período de SARS-CoV-2 ZERO se tivesse havido senso comum e vontade entre os responsáveis políticos – em número demasiado para o território, com um governo autonómico, dois governos provinciais e 88 municípios – e que os maiores agentes económicos, alguns dos mais prestigiados de Espanha, fossem mais exigentes, preventivos e não tanto reactivos com os poderes instituídos.

A indústria hoteleira sempre quis a qualquer custo salvar as receitas de Verão e do final de ano, tarefa que se revelou inexequível – com percas superiores aos 84% – primeiro, pelas limitações internacionais, particularmente impostas pelo Reino Unido e pela Alemanha, as duas maiores origens de turistas nestes dois períodos do ano; segundo, por que a 2ª vaga da pandemia começou em finais de Julho; terceiro, pela inexistência, até há poucas semanas atrás, de requisitos sanitários para os que chegavam por via aérea e marítima, como tetes PCR negativos realizados 48 horas antes dos embarques (exceptuavam-se os passageiros das transportadoras que o exigiam previamente como o caso da Ryanair), quarto pela ausência de controlo anti-SARS-CoV-2 de largas centenas de famílias que viajaram para a Espanha Peninsular e vice-versa, para passarem as Festas de Natal com familiares que acabariam por provocar transmissões comunitárias cujos resultados se fazem sentir agora.

Nas Canárias os pedidos das reservas turísticas para a Semana Santa – período calculado entre 29 de Março a 8 de Abril – caíram 84,5%. A cadeia hoteleira maiorquina RIU e o seu sócio alemão TUI colocam à venda três unidades com o objectivo de conseguir liquidez e reorganizar a sua operação internacional. São o Riu Paraíso Lanzarote Resort, RIU Palace Madeira e o RIU Plaza Panamá, num total de 1.500 habitações. A cadeia possui 100 complexos hoteleiros em 19 países. E segundo o “Preferent.com”, nas Canárias encontram-se à venda mais de 100 unidades, com preços desde os 300.000 euros, para um hotel rural em Valverde na capital da ilha de Hierro, até aos 31 milhões por um hotel renovado na Playa del Inglés, em Maspalomas, na Gran Canária. Segundo o jornal El Día, só na província de Las Palmas estarão 40 complexos hoteleiros à venda.

Sete navios de cruzeiro pairam ao largo de Santa Cruz de Tenerife. Muitas das vezes somos surpreendidos ao vê-los navegar lentamente na costa Sul da ilha ou a caminho da costa da Gran Canária. Intuito: Fazer auto manutenção para minimizar custos que são astronómicos, mesmo com tripulação reduzida. Entre eles encontramos dois dos mais significativos: Mein Schiff, da operadora alemã TUI, e o Aida Nova, este dos maiores do mundo e dos primeiros a poder locomover-se a gás natural liquefeito

A tudo isto junta-se uma outra espécie de pandemia, a dos migrantes ilegais que continuam a chegar do Noroeste de África às centenas todas as semanas, com especial incidência à Gran Canária, e cujo controlo sanitário é apenas realizado à chegada. Depois, são deixados em centros de acolhimento ou em hotéis sem qualquer fiscalização, entregues a si próprios: Circulam livremente, em grupos, nem todos com máscaras devidamente colocadas; reivindicam a sua condição alegando que se encontram privados das suas liberdades individuais; queixando-se de dormirem em hotéis, terem cama, roupa lavada e alimentação… Isto é, a maioria pretende chegar à Espanha continental para depois tentar entrada legal em França ou prosseguirem até aos países do Norte. Nas últimas semanas foram responsáveis por 45 delitos graves, um dos quais contou com a cumplicidade de voluntários da Cruz Vermelha.

A situação agrava-se com o anúncio do ministro de Inclusão, Segurança Social e Migrações, José Luis Escrivá, ter anunciado que não serão trasladados mais migrantes, a não ser os que estejam em condições de maior vulnerabilidade e o caso dos menores. Contudo, as dúvidas são tamanhas que os tribunais de Castilla-León e da Catalunha já autorizaram provas periciais médicas ósseas de modo a certificarem-se as idades declaradas por alguns dos migrantes menores.

O arquipélago das Canárias apesar de ser parte do continente africano, é a entrada Sul no espaço europeu, por se tratar de um território espanhol e corre o risco de transformar-se num enclave de migrantes ilegais que muito dificilmente encontrarão condições de vida que correspondam às suas expectativas bem como espaço para disseminarem os seus ideários, tarefa para a qual muitos foram destinados a realizar a Ocidente.

Os cruzeiros parecem tratar-se do parente pobre do sector do turismo: A pandemia tornou estes navios em inimigos públicos número 1. Ainda assim, já aconteceu uma experiencia piloto com Mein Schiff 2 de TUI Cruises com apenas 896 passageiros alemães e uma tripulação de 740 profissionais, numa operação em torno das ilhas Canárias. Agora, a terceira vaga da epidemia trava o turismo de cruzeiro em todo o Mundo e adia as operações para o final de Março. Ao largo de Santa Cruz de Tenerife encontram-se sete navios fundeados que, intermitentemente, podemos ver navegar entre as ilhas de Tenerife e Gran Canária em baixa velocidade, para se manterem e reduzirem custos consequentemente. Não se conhecem os prejuízos reais que devem ascender a milhares de milhões de dólares e significam milhares de desempregados.

– por José Maria Pignatelli (Texto não está escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico)

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