Histórias d’África – Novos contagiados com milhões de cópias do vírus

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A carga viral dos novos contagiados é o pior problema desta terceira vaga da pandemia por SARS-CoV-2. Vejamos: São precisas 1.000 cópias do vírus para se declarar um contaminado e presentemente detectam-se milhares de positivos com milhões de cópias. Milhares revelam ter até 450.000.000 de cópias… É isso mesmo: 450 milhões. De modo simplista explica-se: Cada destes positivos acaba por ter maior potencial contaminador e será um paciente com maiores dificuldades de superar a enfermidade. Também serão estes que arriscam a maiores e mais graves sequelas.

Em Espanha, o dia 20 de Janeiro ficará na história da pandemia de SARS-CoV-2 como o ‘Dia D’ da terceira vaga da expansão do vírus, ou seja em que a disseminação do vírus assume a envergadura da maioria dos restantes países europeus. Ultrapassou-se a fasquia dos 40.000 contaminados e dos 400 falecimentos, com um registo oficial de 464 mortos mais 269 que na quarta-feira anterior, 13 de Janeiro.


A carga viral dos novos contagiados é o pior problema da terceira vaga da pandemia por SARS-CoV-2. Vejamos: São precisas 1.000 cópias do vírus para se declarar um contaminado e presentemente detectam-se milhares de positivos com milhões de cópias. São milhares que chegam a revelar 450.000.000 de cópias. Uma barbaridade no entender dos médicos

O novo tsunami do SARS-CoV-2 encerra outro dilema: Compreender as características e a evolução das novas estirpes do vírus. São três as mais preocupantes: A cepa britânica, brasileira e Sul-Africana, esta última a mais aflitiva para os profissionais de saúde e comunidade científica pela percepção gerada em torno do facto de nenhuma das vacinas mostrar eficácia na sua condição imunizadora.

Mas há mais preocupações: Principalmente nos países em que a monotorização e registo dos vacinados é mais rigorosa, começam a surgir contagiados 5, 6 e 7 dias após a administração quer da primeira dose, quer mesmo da segunda dose da vacina Pfizer, especialmente nos idosos.

Perante alguns casos, o governo norueguês suspendeu temporariamente a campanha de vacinação, para procedimento de avaliação mais exigente. Importa determo-nos que este país do Norte da Europa – não integrante a União Europeia – tem legislação apertada no que respeita a quaisquer produtos para consumo humano. E assim devia acontecer em todos os outros.

20 de Janeiro, o ‘Dia D’ da terceira vaga em Espanha. Os números cresceram para mais do dobro da semana anterior

A isto teremos de somar um outro detalhe reconhecido pelo Conselheiro da Saúde do Governo da Comunidade da Andaluzia: o desperdício de 20% das vacinas, e isto pelo tipo de seringas que se utilizam, algumas delas não permitem ministrar toda a dose. Mas os profissionais sanitários denunciam outros desaproveitamentos: Nem todos os centros de saúde primária se encontram preparados para manter as vacinas da Pfizer a 80 graus negativos e mesmo as da Moderna nos -20º. O que acaba por suceder é a perca de centenas de doses tão-só pela perda da validade de segurança inscrita nas características técnicas da vacina publicadas.

Num terceiro plano, surgem outras inquietações que as farmacêuticas acreditam que passam desapercebidas: A vacina da Pfizer jamais terá uma eficácia de 90 ou 95%. E nem precisa de ter, já que a Autoridade Reguladora do Medicamento dos Estados Unidos, a FDA, tão-só exige uma eficácia de 50% para autorizar a produção em massa de uma vacina. Veja-se a taxa de sucesso das vacinas contra a gripe (na prevenção da infecção) não ultrapassa os 40 ou 60%.

Só metade dos 44 mil voluntários que participaram nos ensaios da Pfizer foram inoculados com a nova vacina… Os restantes 50%, foram injectados com um placebo composto por uma solução salina. E como apenas 94 deles terão ficado afectados com o vírus, concluiu-se por uma eficiência acima dos 90%. Também se desconhece a temporalidade da imunidade e se será ou não necessário repetir a vacinação nos próximos anos.

Não estamos perante uma afirmação negacionista; antes perante uma realidade confirmada pela fase três dos ensaios da vacina da farmacêutica norte-americana Pfizer e da sua parceira BioNTech, da Alemanha: Só metade dos 44 mil voluntários que participaram nos ensaios foram inoculados com a nova vacina… Os restantes 50%, foram injectados com um placebo composto por uma solução salina. E como apenas 94 deles terão ficado afectados com o vírus, concluiu-se por uma eficiência acima dos 90%. Esta é uma visão da engenharia matemática, mas está distante da realidade matemática se a levarmos ao extremo da exactidão. Há uma conclusão inquietante: As vacinas mRNA desenvolvidas em tempo recorde como jamais tinha sucedido no Mundo da farmacologia, são iminentemente políticas; nasceram com esta velocidade tremenda por pressões extra ciência. Convinha também conhecer a lista de nomes dos eventuais cientistas que estiveram na base da descoberta destas injecções milagrosas e os respectivos curriculuns… Dificilmente saberemos.

O mapa referencia os valores oficiais publicados no dia 21, quinta-feira. Os melhores registos acontecem fora da União Europeia: Israel já vacinou em definitivo 38,83% da população (sábado, noticiaram ter atingido a meta dos 40%) e os Emiratos Árabes Unidos imunizaram 22,71%.
Reino Unido e Gibraltar, o enclave britânico na Península Ibérica, já inocularam 8,62 e 7,42% das populações respectivamente. Ontem os EE.UU. quase chegaram aos 6% da população de 333,5 milhões de cidadãos. A Dinamarca lidera as estatísticas com 3,06%, seguida da Espanha (5º no ranking mundial) com 2,19% da população vacinada. Já Portugal ainda se fixa nos 1,04% da população vacinada

No campo das certezas, desconhece-se o período em que a vacina mantém a imunidade e se será ou não preciso repetir a vacinação a cada ano. Mais: Não se testaram humanos em idades abaixo dos 16 anos, e tão pouco se entende a eficácia em casos mais graves ou em assintomáticos, neste último caso se consegue evitar a transmissão do vírus.

Saiba o que é um placebo

Um composto de sustâncias químicas inactivas, uma espécie de soros à base de amidos e açucares. Carece de ação curativa mas que produz um efeito terapêutico sobre o paciente cuja toma o convence tratar-se realmente de um medicamento eficaz. Presentemente, os placebos são utilizados apenas em estudos de pesquisa.

Efeito Placebo é quando, neste caso concreto, a injecção de substância inactiva ocasiona efeito fisiológico positivo capaz de melhorar os sintomas sem que tenha capacidade para isso.

Na medicina, injeções de soro fisiológico e comprimidos de açúcar estão entre os placebos mais utilizados… Para produzir o que se designa por Efeito Placebo ou seja quando a substância associada ao procedimento ocasiona um efeito fisiológico positivo, sem que tenha capacidade para isso. Muitas comunidades de profissionais de saúde defendem o Efeito Placebo por acreditarem que é útil para reduzir o número de medicamentos e tratamentos com fármacos, deixando o organismo menos intoxicado.

Ainda assim a palavra de ordem é vacinar; vacinar; vacinar… Para que se possa chegar a Julho com 70% das populações vacinadas com o objectivo de gerar imunização de rebanho. Ora na Europa da União esse é um propósito que se adivinha difícil de conseguir. As estatísticas reveladas na sexta-feira, dia 22 são conclusivas. Os melhores registos acontecem fora da União Europeia, no Oriente Médio: Israel já vacinou em definitivo 38,83% da população e os Emiratos Árabes Unidos imunizaram 22,71%. Reino Unido e Gibraltar, o enclave britânico na Península Ibérica, já inocularam 8,62 e 7,42% das populações respectivamente. A Dinamarca lidera as estatísticas com 3,06%, seguida da Espanha, com 2,19% da população vacinada, país onde se bateu um recorde de 270 mil vacinas dadas em três dias. Espanha consegue administrar 76,22% das vacinas recebidas desde o final de Dezembro. Já Portugal ainda se fixa nos 1,04% da população vacinada.

No plano global, destacam-se os Estados Unidos da América que já vacinaram 5,30% dos 333,5 milhões de residentes, em contraciclo com a União indiana onde apenas 0,08% da população recebeu a vacinação.

Para reflexionar sobre a dimensão e a seriedade desta terceira vaga da pandemia revelo algumas evidências:

  • O SARS-CoV-2 está de regresso à China, ainda que a Organização Mundial de Saúde evite divulgar os números. O poder das comunicações cibernautas apesar do fortíssimo controlo dos serviços daquele Estado do Extremo-Oriente, encerra relevância: Há 11 milhões de cidadãos confinados e mais de 6 milhões que podem estar contagiados.
  • Em Portugal, sábado noticiam-se que nas últimas 24 horas, faleceram mais 214 cidadãos por causa do vírus e se detectaram mais 15.333 novos infectados.
  • Em Espanha ficou a saber-se que na Comunidade Valenciana com 4,9 milhões de habitantes, se encontram contagiados 3.500 profissionais de saúde. Alarmante se considerarmos que é uma das comunidades autónomas que mais sofre na última semana com esta terceira vaga: Dia 22, 8.630 casos novos e mais 90 mortos. Mantém-se 61.422 infectados activos dos quais 4.175 se encontram hospitalizados e 577 em unidades de cuidados intensivos.
  • A Ocidente morreram 3,4% dos infectados com SARS-CoV-2 enquanto faleceram 1,6% dos contagiados com gripe.
  • Já se julga que a primeira variante do vírus registou 14 mutações e em metade delas com a proteína que permite a entrada do vírus nas células.
  • Registaram-se 200 positivos por cada 1.000 testes PCR realizados na maioria das Comunidades Autonómicas de Espanha, com excepção das Canárias.
  • As percentagens entre assintomáticos e sintomáticos trocaram de posição literalmente desde há um mês: Agora, 80% dos contágios são sintomáticos com uma carga viral quase extrema e os assintomáticos passaram a ser 20%.
  • Agora, em Espanha, 1 em cada 5 hospitalizados é por infecção de SARS-CoV-2.
  • Como atrás escrevi, são precisas 1.000 cópias do vírus para se declarar um contaminado e presentemente detectam-se milhares de positivos com milhões de cópias. Muitos milhares com 450.000.000 de cópias. Acredita-se que esta carga viral – uma verdadeira barbaridade para a comunidade médica – está directamente relacionada com as cepas britânica e Sul-africana, esta última a mais violenta que terá derivado da variante brasileira e para a qual as vacinas não são eficazes. Conhecem-se dois exemplos terríveis que envolvem estes casos clínicos mais graves: A cidade brasileira de Manaus e na Línea de la Concepción no Sul de Espanha.
  • Na capital do Estado do Amazonas, o sistema de saúde colapsou e pede-se uma missão internacional de observadores por medidas contra a pandemia. Ironia das ironias: Manaus é onde mais se produzem vacinas em toda a América Latina… Os números oficiais apontam para 241 mil contágios e apenas 6.757 mortos, mas no terreno percebe-se que se estará a viver um dos maiores dramas sanitários que ocorreu na cidade. Morrem cada vez mais por falta de oxigénio nos hospitais, não há espaço nos cemitérios e garante-se que 70% dos 2 milhões de residentes já foram contagiados uma ou mais vezes. Na cidade o 1º infectado com a variante brasileira foi registado a 20 de Maio último e as reinfecções com a variante Sul-africana detectaram-se a 26 de Outubro. Provconseguirão imunização de rebanho sem a toma de uma única vacina, mas à custa da perca de milhares de vidas humanas.
  • Já na Linea da Concepción, a cidade espanhola da província de Cádis, situada no istmo que separa a serra Carbonera e o Rochedo de Gibraltar, onde se situa a fronteira entre Espanha e Gibraltar, parece ignorar-se os 2.000 contágios numa comunidade com pouco mais de 63 mil habitantes e onde 500 crianças se encontram em confinamento domiciliário por terem os pais a cumprir quarentena. Tratam-se dos casos directamente relacionados com o quotidiano em Gibraltar onde trabalham uma enorme percentagem dos residentes na Linea da Conception. O tráfego aéreo no enclave britânico mantém-se aberto a voos procedentes do Reino Unido. Os profissionais de saúde pedem que se negoceie o encerramento das fronteiras durante duas semanas, impedindo o transito de cidadãos entre os dois lados.
  • Por outro lado, os sanitários britânicos são peremptórios: Precisa-se aumentar o ritmo da vacinação no Reino Unido para os 2 milhões a cada cinco ou seis dias e esperar que as vacinas sejam realmente eficazes. Caso contrário, chegaremos a Junho com mais 100.000 mortos na Grã-Bretanha.
  • Ainda no Reino Unido teme-se que o alargamento do período entre a toma das duas doses dos inoculas possa anular o efeito da própria vacinação. As farmacêuticas determinaram que o intervalo das duas doses não deve exceder os 21 ou como máximo 28 dias, ou seja o ideal injectar as segundas doses na terceira semana. Ora no Reino Unido, decidiu-se que o hiato de tempo será entre as 10 e 12 semanas. Um erro, no entender dos especialistas de todo o Mundo que são ouvidos pela comunicação social.
  • Em Espanha pede-se um confinamento inteligente, bem diferente do de Março, ou seja autorizar as pessoas a circularem em espaços abertos, eventualmente a frequentar as esplanadas com as limitações e regras que se conhecem e evitar os espaços fechados. Na impossibilidade de evitar os espaços fechados apela-se ao investimento em filtros Hepa apropriados aos volumes de cada zona e implora-se pela utilização de canhões de ozono para desinfecção – há comunidades autónomas e municípios que adquiriram alguns destes equipamentos colocando-os ao serviço dos bombeiros para que se possam realizar estes procedimentos de modo seguro e gratuito -, pela higienização periódica das instalações sanitárias públicas e pelo controlo sistemático das águas residuais. Médicos e enfermeiros espanhóis não acreditam que a imunização com efeito de rebanho possa ocorrer até Julho, pela percepção de que não se conseguirá manter um plano de vacinação semanal da ordem dos 2 milhões de cidadãos nas próximas 30 semanas.

Saiba que é em Madrid que está o único hospital global de emergências construído exclusivamente para tratar pacientes de SARS-CoV-2. Foi edificado em 100 dias e é uma infraestrutura de raiz muito diferente do hospital “Huoshenshan” em Wuhan, que foi montado por uma espécie de contentores. Tem 1056 camas. Nele trabalham mais de 720 profissionais, encontram-se internados 350 pacientes e outros 8 em UCI. Já foram tratados 722 outros contagiados. Foi inaugurado a 1 de Dezembro e abriu oito dias depois.

É em Madrid que está o único hospital global de emergências construído exclusivamente para tratar pacientes de SARS-CoV-2. Foi edificado em 100 dias e é uma infraestrutura de raiz muito diferente do hospital “Huoshenshan” em Wuhan. Foi inaugurado a 1 de Dezembro

Hospital de Emergencias Enfermera Isabel Zendal é o único na Europa e no Mundo que foi construído em escassos 100 dias com o propósito imediato de tratar pacientes de SARS-CoV-2, por decisão do governo da Comunidade Autónoma de Madrid. Trata-se de um centro de saúde pública monográfico com alta tecnologia, para servir a crises pandémicas sejam elas quais forem. Essencialmente apoiará a rede de hospitais do Serviço Madrileno de Saúde em qualquer emergência. Inclui aquele que será o laboratório central da saúde pública da comunidade e alberga de forma permanente os centros coordenadores de SUMMA 112 e de SERMAS, que são unidades de emergência médica.

Esta infraestrutura custou 100 milhões de euros quase o dobro do estimado, mas resulta também da edificação do dobro da área inicialmente projectada. – por José Maria Pignatelli

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