Histórias d’África – A vacina que o Diabo pediu a Jesus para abençoar (I)

vacina para Covid-19
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27 de Dezembro de 2020 fica na história do Mundo Judaico-Cristão como o Dia Mundial da Injecção da Esperança. Precisamente o dia em que se iniciou a campanha de vacinação global contra o SARS-CoV-2 após uma autorização mais robusta que a do Reino Unido que aconteceu a 2 também deste mês de Dezembro, capitalizada como uma vitória política do Ocidente. De qualquer modo, a decisão substitui a ciência mais sensata, a que se desenvolve nas universidades e nos laboratórios independentes que se nuclearizam nas avaliações técnico-científicas realizadas sobre os experimentos efectivamente realizados. E desta vacina pouco se sabe, o mesmo sucede com a russa Sputnik V, a primeira anti-Covid a ser registada no Mundo e a ser já ministrada a maiores de 60 anos, e a chinesa da Sinovac Biotech, a produzir em parceria com o Instituto Butantan da cidade de São Paulo.

27 de dezembro de 2020 será também o dia de todos os outros dias da farmacêutica Norte-americana da Pfizer e o laboratório de biotecnologia alemão BioNtech que veem os seus activos manterem-se em alta, apesar de todas as incoerências da sua vacina contra SARS-CoV-2 que:

Por um lado, constrange a duas injecções, no Reino Unido num espaço rigoroso de 28 dias (aliás facto descrito nas notificações já realizadas a profissionais de saúde, através de uma App particularizada), enquanto nos restantes países que a começaram a ministrar no Domingo, 27, se situa nos 21 dias de intervalo – vá lá perceber-se a razão (?);

Por outro, impõe uma logística complexa e milionária por ter de ser transportada e distribuída a uma temperatura na ordem dos 80 graus negativos – cuja validade não suportará mais de 5 dias em temperaturas entre os -2º e a temperatura ambiente – que obriga a utilização daquilo que se conhece como neve carbónica ou gelo seco e ou nitrogénio líquido.

Para que se perceba o que se são este produtos uma explicação simplificada:

Chamamos gelo seco ao estado sólido do dióxido de carbono e quando se sublima não deixa resíduos de humidade. Apresenta uma temperatura de sublimação de -78 ºC e o seu ponto máximo muito baixo e o facto de não deixar resíduo líquido convertem-no num excelente refrigerante com várias possibilidades de utilização. Já o nitrogênio líquido ou azoto líquido – densidade no ponto tríplice é 0.807 g/mL – é o líquido produzido industrialmente em larga escala pela destilação fracionada do ar líquido (frequentemente designado pela abreviação, NL2). Isto é, nitrogênio puro em estado líquido que em ebulição a 77 K (-196,15°C) e é um fluido criogênico que pode causar rápido congelamento ao contato com tecidos vivos. E quando apropriadamente isolado, o nitrogênio líquido pode ser armazenado e transportado, por exemplo, em garrafas ou outras embalagens térmicas ainda que desejavelmente de dimensões médias, permitindo armazenamento de algumas semanas. Como convém neste caso, o nitrogênio líquido facilmente se converte ao estado sólido caso seja colocado em câmara de vácuo (accionado por bomba de vácuo centrifuga). Mas convém relevar que a sua eficiência como um refrigerador é reduzida pelo facto de que ferve imediatamente ao contacto com um objecto aquecido, envolvendo o objeto em uma nuvem de gás nitrogênio isolante. Trata-se do resultado vulgarmente conhecido por efeito Leidenfrost que pode ser contrariado com um resfriamento mais rápido através da ligação de um objecto dentro de uma mistura de nitrogênio sólido com líquido.

Saiba que

Devemos submergir em águas mais profundas, deixando-nos do absolutamente superficial:

Estamos perante uma tecnologia inédita e nunca adoptada na história da ciência, mas que, segundo alguns médicos de saúde pública, poderá ter um potencial de revolucionar o combate a doenças infecciosas, além do SARS-CoV-2.

Esta vacina da Pfizer e a que aí vem já a seguir da também farmacêutica estado-unidense Moderna são vacinas de RNA ou mRNA (que significa mensageiro de RNA) sintéticas desenvolvido em laboratório que instrói a célula da pessoa a produzir proteínas, gerando uma reação de anticorpos contra a espícula, a coroa ou crosta. Então, em caso de entrar um SARS-CoV-2 no organismo da pessoa vacinada, este estará (?) preparado, com anticorpos, para destruir essas espículas, o que impedirá que a infecção se instale.

E explicando de outro modo: A vacina utiliza uma cópia feita pelo homem de um químico natural chamado RNA do mensageiro para produzir uma resposta refractária. A vacina transfere moléculas de RNA sintético em células humanas. Uma vez dentro das células, a vacina ‘RNA funciona como mRNA, o que permite as células construírem a ‘proteína estrangeira’ que normalmente seria produzida por um patógeno – tal qual um vírus – ou por uma célula cancerígena.

Numa publicação do Órgão de Comunicação Social online, Canaltech do Brasil, podemos ler uma nota curiosa que revela que “é importante entender as informações genéticas para entender o que são as vacinas RNA” que são como comunicações armazenadas e utilizadas dentro dos nossos organismos. Então, “nesse processo, o DNA é um ácido nucleico que armazena esses dados, enquanto o RNA actua, diretamente, na produção de proteínas. Quanto ao mRNA, é um instrumento que a célula tem para pegar um determinado código genético e enviar para estrutura que produz novas proteínas”.

Vacina da Pfizer-BioNtech passou de 90% de eficácia para 95% num espaço de uma semana o que sugeriu uma operação de charme político-económico com ganhos em bolsa. Farmacêutica estado-unidense declara que a sua vacina é segura para infecções leves e não dá ‘prazo de validade’. É uma vacina de duas doses que no Reino Unido serão ministradas num intervalo justo de 28 dias, comunicados aos cidadãos notificados via App, enquanto em outros países se anuncia 21 dias. União Europeia compra mais sete vacinas, num total de 1.400 milhões de doses. Mas a competição desenfreada entre farmacêuticas antevê um total de 200 imunizantes. 44 Propostas chegaram à fase de experimentação em humanos e dessas, um grupo de 10 projectos atingiu a fase três de estudos… E todos falam em objectivos comuns em proveito da humanidade.
Os líderes da Pfizer e da BioNtech e a preocupação com a grandeza dos números na corrida desenfreada pelo recorde de vendas das vacinas anti SARS-CoV-2… Uma batalha muito para além da saúde pública e do bem-estar global. O sucesso ou não desta que é a primeira vacina distribuída em maior escala a Ocidente revelar-se-á na valorização de activos e será sempre capitalizada como uma vitória política do Mundo judaico-cristão

Outra das dúvidas mais frequentes que se ouvem nas conversas de esplanada ou mesmo em ‘chats’ das redes sociais é sobre a eficiência e a duração da vacina. Ora devemo-nos recordar que um relatório preliminar da própria Pfizer, anunciado a 14 de Novembro, assinalava que a sua inocula tinha 90% de eficácia e era segura para infecções leves. Surpreendentemente uma semana depois já tinha uma eficiência de 95%. Isto em contraciclo com o que anunciavam os laboratórios da Moderna (que tém desde sempre a percentagem em 94,5%) e da AstraZeneca que depois de divulgar uma eficácia entre os 62% e os 90%, veio neste último domingo, através do seu director Executivo, Pascal Soriot, comunicar que a sua vacina encontra-se em condições de acompanhar as da Pfizer e da Moderna nos cerca de 94% de poder.

Mas contínua por saber-se sobre a sua prevalência sobre as infecções graves e a sua durabilidade. As comunidades médicas – mesmo as da especialidade de virologia e imunologia – de alguns países europeus acreditam que o a sua duração não ultrapassará os 6 ou 7 meses.

Perante as incertezas a União Europeia defende-se: Garante a aquisição de 1.400 milhões de doses, enquanto só a Espanha pede 140 milhões. Além da Pfizer-BioNtech, perfilam-se pelo menos outros cinco fornecedores: AstraZeneca, Moderna, Curevac, Johnson & Johnson e Sanofi-GKS. Espanha deverá adquirir pelo menos duas das vacinas nacionais que já se encontram em produção na unidade de produção biotecnológica da Biofarm (Zantal) e que aguardam a finalização de testes e aprovação pela Agencia Europeia do Medicamento.

A Sputnik V terá sido a primeira vacina registada no mundo. Baseia-se em um vector adenoviral humano. Segundo os autores, “a plataforma tecnológica de vetores baseados em adenovírus torna mais fácil e rápido criar novas vacinas por meio da modificação do vector transportador inicial com material genético de novos vírus emergentes que ajuda a criar novas vacinas em um tempo relativamente curto”. Está entre as dez vacinas agora candidatas mais próximas do fim dos ensaios clínicos e do início da produção massiva que consta na lista da OMS.

Saiba que

A Rússia divulga uma eficácia da vacina Sputnik V de 91,4% e valores ainda mais altos contra casos mais graves de coronavírus. O ensaio clínico de pós-registro da Sputnik V envolve 40.000 voluntários e as fases dos ensaios decorrem na Bielorrússia, nos Emirados Árabes Unidos, Índia e Venezuela. Contudo, a vacina já está a ser ministrada na Rússia e a sua produção depende directamente do Fundo Russo de Investimento Directo, RDIF que se encarrega de reunir um conjunto de parceiros fabricantes de vacinas acreditados na India, China, Coreia do Sul e Brasil.

A administração russa já divulgou que recebeu pedidos de 1,2 biliões de doses de 51 países

Os mais cépticos relativamente à brevidade com que se apregoam tantas vacinas com tamanha eficiência interrogam-se como é que funcionam e pedem explicações simples. Isto acontece porque se divulga muito pouca informação técnica e científica. E o pior de tudo é que persiste a maior incerteza de todas: Como e onde começou a disseminação do SARS-CoV-2 e quem foi o infectado Zero (?)

Os cidadãos comuns pedem explicações simples como se anunciam tantas vacinas em tempo recorde e com tanta eficiência para um vírus que muta como todos os outros. Os profissionais de saúde querem ler conclusões técnico-científicas. E o pior de tudo é que persiste a maior incerteza de todas: Como e onde começou a disseminação do SARS-CoV-2 e quem foi o infectado Zero (?)
União Europeia compra mais sete vacinas, num total de 1.400 milhões de doses e pelo menos a cinco farmacêuticas diferentes

Mas afinal como funcionam as vacinas de vectores de adenovírus?

O Centro Gamaleya explica de modo relativamente perceptível a todos. Vejamos:

“Vetores” são portadores que podem entregar material genético de um outro vírus para uma célula. Nesse caso, o material genético do adenovírus que causa a infecção é removido e o material com um código de proteína de outro vírus – neste caso de um coronavírus – é inserido. Este novo elemento é seguro para o corpo, mas ajuda o sistema imunológico a responder e produzir anticorpos que protegem contra infecções”, no caso do SARS-CoV-2. Os adenovírus humanos são considerados os mais fáceis de modificar, razão pela qual se tornaram muito populares como vectores. A administração russa garante que estas vacinas provocam uma forte resposta do sistema imunológico humano.

Entre as vacinas ressaltam dois denominadores comuns: Maior efeito só após 7 dias da segunda dose. Todos ainda desconhecem a eficácia das vacinas relativamente à nova estirpe do SARS-CoV-2 descoberto no Reino Unido mas que já infecta em vários países, como o caso de uma infectada em Portugal que foi atingida pelas duas mutações do vírus em simultâneo.

Diferenças mais relevantes prendem-se com as temperaturas de conservação e transporte e os preços. Entre as que já se conhecem temos:

Pfizer-BioNtech – 15€, transporte a 80º negativos e possibilidade de vida útil de 5 dias a temperaturas entre os – 2º e os 10º positivos em ambientes com efeito Leidenfrost;

Moderna – 21€, transporte e conservação a 20º negativos;

AstraZeneca – 3€, transporte e preservação entre os 8 graus negativos e os 2º positivos;

Sputnik V – 10 dólares, transporte e armazenamento entre 2º e 8º positivo (de momento a única que não necessita de se acondicionar a temperaturas negativas).

Marrocos encomenda doses da Vacina da chinesa Sinopharm em quantidade suficiente para imunizar 80% da população adulta nas próximas 12 semanas. Emiratos Árabes e Bahrein já iniciaram campanhas de vacinação de emergência com a Sinovac.

Pouco se sabe sobre as duas vacinas chinesas: A BBIBP-CorV é um dos dois imunizantes desenvolvidos pela companhia estatal chinesa Sinopharm, uma conhecida por Sinovac e a outra por CoronaVac, esta última alvo de discórdia entre as autoridades de saúde do Brasil sobre a possibilidade de também ser utilizada na imunização ao SARS-CoV-2.

Saiba que

As vacinas chinesas utilizam a tecnologia de vírus inativado: a da Sinovac, que está em testes no Brasil em parceria com o Instituto Butantan e o governo de São Paulo, as duas da Sinopharm (uma com Instituto de Produtos Biológicos de Wuhan, e outra com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim), contém o próprio vírus morto.

A tecnologia do vírus inactivo não é nenhuma novidade: São vacinas comuns na prevenção da poliomielite, hepatite A e o tétano. Elas provocam o corpo a produzir as defesas a partir de um contacto antecipado e inofensivo com o vírus.

Segundo a Agência Brasil, “nessa tecnologia, se cultiva o vírus em laboratório, e, depois de ter uma grande quantidade inactiva-se – ou seja mata-se o vírus em linguagem popular – através de temperatura ou substâncias químicas, ficando um vírus inteiro, morto, inativado, mas com essas proteínas conservadas e capazes de induzir uma resposta imune”.

Mas esta tecnologia levanta um quebra-cabeças que se prende com a segurança dos laboratórios onde se vão multiplicar os vírus activos para depois os inactivar. Esta operação apenas se pode desenvolver em laboratórios com nível de biossegurança máximo: manipulam-se vírus activos que se cultivam para se multiplicarem e isso significa, neste caso, lidar directamente com os SARS-CoV-2 potencialmente infeciosos.

Entre Junho e Agosto o imunizante da Sinopharm começou a ser aplicado com caráter de emergência nos profissionais de saúde, autoridades governamentais e outros grupos considerados especiais na China. As estatísticas emitidas pelo governo da República Popular da China revelam que, até ao passado dia 1 de Novembro, já tinham sido vacinados 1 milhão de chineses, enquanto o mesmo critério de vacinação já se tinha iniciado em Setembro nos Emiratos Árabes Unidos, país que participa dos testes clínicos da fase 3. Aliás o Ministério da Prevenção e Saúde deste país do Sul do Golfo Pérsico promulgou o registo oficial da vacina chinesa no passado dia 9 de Dezembro, com o intuito de iniciar campanha de vacinação de emergência a toda a população residente.

Também o vizinho Bahrein permitiu o uso da vacina e qualquer cidadão com mais de 18 anos poderá tomar o imunizante gratuitamente, enquanto Marrocos já fez encomendas de doses para vacinar 80% da população adulta nas próximas 12 semanas. Recorde-se que o rei do Bahrein, Hamad bin Isa al-Khalifa já se tinha vacinado nos testes da fase 3.

Saiba que

Presentemente há uma única certeza: Teremos de continuar a conviver com o SARS-CoV-2 e que ele é um vírus social, comunitário, sistémico que portanto nunca foi vencido como anunciou publicamente, a 10 de Junho último, Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha, entre outros líderes mundiais. Nem mesmo com as vacinas que agora se começam a ministrar. Por exemplo Espanha apenas receberá 250.000 doses por semana e durante os próximos dois ou 3 meses, o que significa vacinação completa para 125.000 cidadãos, já que todos estaremos obrigados a duas injecções para nos considerarmos vacinados e não será, certamente, com carácter definitivo já que ninguém garante o prazo de validade: primeiro, por se desconhecer as mutações ou novas estirpes do próprio vírus; segundo, porque o grau de eficiência depende da vacinação massiva e da convicção de que ninguém faltará à segunda dose o que se afigura determinante para os sucesso.

Todos fogem como o Diabo foge da Cruz em prognosticar que as vacinas anti SARS-CoV-2 poderão ter de integrar um calendário anual de vacinação independentemente de se tornar ou não obrigatória. – por José Maria Pignatelli

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