Histórias d’África – Saiba que nem todos são filhos do mesmo Deus

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No sector da restauração em Tenerife, só as esplanadas podem funcionar. Os que não as têm devem encerrar nos próximos 12 dias. Impunham-se ideias criativas para salvar os encerramentos definitivos inevitáveis. O Município de San Miguel de Abona aplicou respostas excepcionais antes das medidas excepcionais: autorizou esplanadas provisórias como a do restaurante cafetaria Sole, num pedaço de um estacionamento e com licença gratuita. Aplauso generalizado da vizinhança até porque o Sole é sinónimo de qualidade apesar do ambiente simples, de bairro para o bairro, onde muito boa gente, estrangeiros incluídos, gostam de comer; dos ‘barriquitos’ e batidos excepcionais até aos menus diários e às pizzas, hamburguesas e ’fejitas’ caseiras tudo cozinhado à vista de todos.

Em boa hora aconteceu: salvam-se empregos de quem já passou mais de 100 dias em eRTE quanto mais ter de se resignar a aceitar o desemprego.

Os profissionais de saúde têm razão: Devíamos saltar o calendário 15 de Dezembro e 10 de Janeiro para evitar a terceira vaga do SARS-CoV-2… Porque os políticos são inábeis na forma e no momento de decidir as restrições à mobilidade e a enclausura da economia. E em Espanha acontecem 17 maneiras de deliberar limitações aos festejos de Natal.

Não sou contra as medidas mais duras e restritivas nesta fase do ano, precisamente quando se comemora efusivamente o nascimento de Jesus no Mundo Judaico-Cristão. Concordo com os profissionais de saúde que afirmam que este ano se devia ter ultrapassado estes próximos 15 dias como se não fizessem parte do calendário. Tão-só sou contra a forma e o momento em que se determinam as restrições.

A inconsistência do poder político é inacreditável: Manda-se encerrar ou restringir o que aparentemente é mais fácil de garantir, os restaurantes e as esplanadas, precisamente onde os contágios de SARS-CoV-2 são menores, cerca de 3,6% dos quais 1,4% são referentes a empregados infectados. É o que revelam mais de uma dezena de estudos das instituições internacionais mais credíveis e independentes realizados em pelo menos 5 países. Mas o burlesco das lideranças quer do Governo das Canárias quer do Cabildo de Tenerife é terem decidido pelo encerramento das Universidades e manterem em funcionamento as escolas – que agora por sorte encerram para as férias de Natal -, precisamente onde continuam a aparecem casos de contágios e que podem ter sido responsáveis pelo disparar os números ao trespassarem as tais borbulhas que se inventaram entre a comunidade escolar. Vejamos: na passada quinta-feira, registavam-se 33 casos activos entre os 30.000 professores e 262 entre os alunos num total de 324 mil. Poderemos aceitar que estamos perante casos residuais, mas os contágios espalharamm-se por 39 grupos de centros educativos desde a infantil, primária, secundária e bacharelato que se encontram de quarentena sem que se possa garantir que não tenhamos muitos mais contaminados por exemplo em estágio assintomático.

Mas a hipocrisia estende-se à decisão de obrigar – finalmente – a que todos os cidadãos que procedam de outros países viagem com uma prova PCR negativa realizada até ao máximo de 72 horas antes dos voos. Excelente se esta medida se estendesse a todos os que viagem desde a Espanha peninsular, precisamente o que não acontece. Propõe-se que o façam já em território canário num prazo de 72 horas após a chegada.

Percebe-se: O SARS-CoV-2 só voa do estrangeiro.

O mais extraordinário sucede desde ontem: Apesar das restrições às entradas de britânicos, por causa de uma nova estirpe do vírus que se detecta no Reino Unido, mantêm-se chegando às Canárias e naturalmente com a obrigatoriedade de apresentação do correspondente certificado da prova PCR negativa realizada até 72 horas antes do voo. Ora a primeira dúvida prende-se com o desconhecimento sobre a nova espécie ou mutação do SARS-CoV-2, ou seja se nesse período de 72 horas o passageiro negativo não poderá passar a positivo. Perguntam os cidadãos comuns: Por que não se repete o teste à chegada ou quanto muito não se faz um antígeno à saliva que se mostra o mais eficaz entre os chamados testes rápidos?

Mas registaram-se casos mais risíveis nos aeroportos espanhóis nos voos procedentes do Reino Unido. Vejamos o exemplo que aconteceu e que não foi seguramente excepção: Dois cidadãos que partilham a mesma casa, em Liverpool, sendo um de nacionalidade inglesa e outro espanhol, foram avaliados de modo diferente à chegada. Ao cidadão espanhol não se lhe exigiu nada para além do inquérito e verificação da temperatura corporal (obviamente que trazia PCR negativa por lhe ser imposto contra embarque pela companhia aérea), enquanto ao cidadão britânico foi-lhe pedido o certificado de PCR e as demais burocracias como um contacto e a comunidade e número de pessoas com quem contactaria nos próximos dias em território de Espanha.

Levantam-se novas questões:

  • No Reino Unido, o SARS-CoV-2 só contagia britânicos, mesmo sendo uma nova casta?
  • E o que se sabe sobre isto nos restantes países europeus?
  • Alguém será capaz de explicar objectivamente se a mutação que acontece no Reino Unido – aliás perfeitamente apreciável e normal na virologia – se conseguirá confinar absolutamente e através de que mecanismo (milagroso, por certo), sabendo-se que o SARS-CoV-2 se contagia maioritariamente por transferências comunitárias?
  • Por exemplo, que avaliação se faz sobre a vacina que se distribui, a da Pfizer, que se ministrará em duas doses com um intervalo rigoroso de 28 dias… Perderá eficácia relativamente a esta mutação? Ou a sua eventual dessincronização é irrelevante?

Estamos perante vários fracassos da comunidade dos países ocidentais:

  • Nem sequer sabem agir diplomaticamente para que se obtenham certezas sobre como e onde tudo começou; quem foi o infectado/hospedeiro zero e como se contagiou;
  • Responsabilizar financeiramente o país emissor em caso de se comprovar a sua meia culpa na passagem da epidemia para pandemia, ou seja na contaminação além fronteiras;
  • Jamais conseguiram construir uma estratégia comum de avaliação, combate e controlo da pandemia;
  • Salvo raras excepções, mantém-se a ausência de transparência na comunicação com os cidadãos, nem tão pouco conseguem explicar as medidas avulsas de limitação das liberdades individuais e colectivas que decidem tomar dia sim, dia não, numa velocidade estonteante que nem os Órgãos de Comunicação Social conseguem acompanhar ou noticiar de modo explícito e claramente explicativo aos cidadãos.

É uma lástima que não haja capacidade política de explicar que nos mantemos distantes de vencer o vírus e que é preciso interiorizar regras elementares para que possamos conviver com ele de modo a não morrermos de fome antes do final da pandemia.

Saiba que
Se dúvidas ainda houvesse esclarecem-se agora: Pedro Sánchez, presidente do governo de Espanha paga a factura do seu narcisismo, a enorme admiração que sente por si mesmo, e a ostentação governativa que impõe. Mais uma vez aceita o comando do Executivo por parte dos seus parceiros comunistas da Unidas Podemos que impuseram a lei contra os desalojamentos para quem esteja – supostamente – em condições de vulnerabilidade por causa da pandemia do SARS-CoV-2 e enquanto dure o Estado de Alarme no País.

O diploma aprovado hoje em Conselho de Ministros não oferece grande crítica desde que o Estado se obrigue a subsidiar os credores, ou seja senhorios ou entidades bancárias detentores dos imóveis, e fornecedores de água, electricidade e gás, bem como todos os impostos municipais que ficarem por pagar.

O senso comum diz-nos que se concordamos com apoios às empresas e trabalhadores, também teremos de estar ao lado de quem quase nada (ou mesmo nada por enquanto) recebe ao final de cada mês para suprir as despesas com compromissos inadiáveis.

De qualquer modo, nenhum cidadão num Estado de Direito pode questionar o próprio direito à propriedade e é aqui que reside o problema: Esta legislação poderá abrir uma nova janela de oportunidade para quem literalmente ocupa casas sejam primeiras habitações de quem se encontra temporariamente fora de Espanha, segundas habitações, ou casas de bancos. Este é um verdadeiro flagelo em Espanha por causa de uma legislação permissiva. Presentemente estima-se que estejam ocupadas indevidamente mais de 50 mil casas, sejam apartamentos ou vivendas, inclusivamente imóveis de luxo. Há mesmo um enorme negócio em torno dos “Okupas”, muitos deles liderados por migrantes do Leste europeu e latino-americanos que se explica facilmente: Ocupam as casas e depois alugam-nas através de contratos fctícios culminando uma acto burocrático essencial, o recenseamento (empadronamiento) no Município correspondente o que permitirá a legalização do fornecimento municipal de água e na maioria dos casos das energias, principalmente da electricidade, mas neste último caso nem sequer é maior problema, pois um agregado familiar “Okupa” opta por ligações directas à rede ou através da rede de um vizinho… Chegando a verificar-se situações tão absurdas como o facto de fazer conexões à rede de condomínios ou comunidades de vivendas privadas que também não se livram de var algumas das fracções ocupadas. Por exemplo é o caso no complexo de viviendas de la calle Chalana de Puerto del Carmen, onde são os verdadeiros proprietários a terem de saldar dezenas de milhares de euros de contas de electricidade do condomínio. O arquipélago das Canárias é a terceira comunidade autónoma em que mais cresceu a ocupação de imóveis em Espanha, sendo a ilha de Lanzarote a que encerra a maior taxa por habitante. – por José Maria Pignatelli

https://www.larazon.es/espana/20201222/mzmsjfwsf5atbktlwr2rbz3lia.html#pk_campaign=MASwpn&pk_kwd=Guerra+abierta+en+el+Gobierno

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