Histórias d’África – Tenerife em offside

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Saiba que a ilha ficará isolada do Mundo durante duas semanas

Reino de Espanha: A fatal Incapacidade global de quem não têm consciência, de uma enorme lista de eleitos políticos que nunca trabalharam que desconhecem os problemas das comunidades que nem tão pouco encerram o senso comum.

Agora, Ángel Víctor Torres Pérez, presidente do Governo das Canarias (desde el 16 de Julho de 2019 e socialista), em virtude do crescente número de contágios e falecidos, decide anunciar restrições para as próximas duas semanas apenas para a ilha de Tenerife que se traduzem num meio confinamento e num total isolamento de Mundo. As medidas entram já em vigor às zero horas de sábado, ou seja a partir da meia-noite se sexta-feira e no essencial são:

  • “Toque de queda” – recolher obrigatório – a partir das 22:00 e até às 06:00;
  • Encerramento da ilha ao exterior, ainda que haja um conjunto de excepções apreciáveis, apesar de não se fazer qualquer referência à mobilidade de turistas, pelo menos sobre aqueles que têm reservas com estadias pagas na origem;
  • Também será diminuída a mobilidade com as restantes ilhas do arquipélago;
  • Encerramento dos espaços interiores dos restaurantes… Excepção feita para as esplanadas, mas com lotação máxima de 50% e numa mesma mesa só podem estar cidadãos do mesmo agregado familiar;
  • Os estabelecimentos que não tiverem esplanadas podem manter-se a funcionar com o regime take away;
  • Proibição de reuniões familiares de Natal com mais de 6 pessoas;
  • Nos centros comerciais não se permite exceder a ocupação do espaço em mais de 33% por piso e 50% dos lugares de estacionamento;
  • Os transportes públicos também terão de circular com lotação diminuída a 50%;
  • Expressamente proibido qualquer actividade desportiva colectiva em recintos fechados ou abertos, com excepção para as competições de caracter profissional;
  • O exercício físico de carácter lúdico apenas se poderá realizar ao ar livre e de modo individual, nem sequer se concebe que esta prática seja realizada conjuntamente por membros do mesmo agregado familiar.

As estas medidas anunciadas na tarde de ontem, quarta-feira, junta-se uma recomendação: Evitar circular entre municípios. Aqui cabe um comentário: Tenerife é realmente a maior ilha da Macaronésia, com 2.034 Km2 – para termo de comparação, mais do dobro da ilha da Madeira que tem 741 Km2 – mas está dividida em 31 municipalidades, algumas tão pequenas que é difícil não ultrapassar as suas fronteiras, pelo menos para ocorrer a determinados serviços comerciais.

Ángel Víctor Torres Pérez também não esclarece como se restringirá a mobilidade dos turistas, nem o que acontecerá aos que entretanto terminam férias; nem as determinações que o seu governo dará aos operadores turísticos relativamente a todos os milhares de turistas que têm reservas pagas para as datas deste confinamento territorial?

O governante segue não explicando quando e como se farão os testes rápidos os célebres antígenos que tanta polémica tem gerado.

A estratégia europeia de combate à evolução da pandemia de SARS-CoV-2 falhou redondamente. O Alarme é geral. Mas as lideranças políticas insistem em não ouvir os profissionais que sabem. Anunciam medidas casuísticas mas avulsas sem quaisquer fundamentos. Agarram-se a supostos pareceres de comissões de experts que não existem propriamente. O governo de Espanha nem evita o escândalo: não se digna a revelar os membros dessa missão no prazo determinado pela Comissão de Transparência do Estado.

Se é certo que os profissionais de saúde e a comunidade científica reclamam por cuidados redobrados neste período de Festas de Natal para evitar aumento de contágios, tal como sucede desde há duas semanas nos Estados Unidos da América, após as liberdades permitidas no Dia de Acção de Graças do passado 26 de Novembro, precisamente uma comemoração anunciada como servindo de barómetro para os festejos de natal no Mundo Judaico-cristão;

Se é certo que os sanitários reclamam por testes antígenos a realizar nas farmácias e a compartilhar os resultados com as instituições públicas de saúde, com sendo a melhor forma de controlar os contágios nos próximos meses, ou seja em todo o tempo em que a vacinação não seja efectiva em termos globais;

Se é verdade que os profissionais de saúde Não se cansam de alertar para o perigo das liberdades de movimentos comunitários territoriais e entre famílias não conviventes neste período das Festas de Natal que, em Espanha começam dia 24 de Dezembro e só terminam a 7 de Janeiro… E quase suplicam para que se preparem as farmácias para realizarem testes antígenos sobretudo da saliva, massivamente, a pelo menos 20 a 25 milhões de cidadãos para evitar maior número de contágios, internados em hospitais e mortos, num momento em que a travessia do deserto pandémico poderá estará poucos meses de terminar, com o oásis à vista…

O teste de antígeno é capaz de detectar a proteína S do nucleocapsídeo viral do SARS-CoV-2, ou seja da capa do vírus. Em caso do resultado ser positivo, significa infecção viral activa. O teste de antígeno é o mais rápido de todos e com melhor relação custo-benefício. Em comparação com o RT-PCR, a prova de antígeno possui menor tempo de resultado, dentro de 10 minutos a 2 horas após a sua aplicação. Também possui sensibilidade inferior ao teste PCR, particularmente em pessoas assintomáticas com cargas virais baixas. Contudo, em pacientes com carga viral elevada, que habitualmente acontece na fase pré-sintomática, de 1 a 3 dias antes dos sintomas, e na fase sintomática inicial, até do 5º ao 7º dia da doença, a sensibilidade é superior a 90% quando comparada ao ensaio de RT-PCR.

Nunca se viu grande preocupação com a entrada de cidadãos nos aeroportos de Tenerife. Os passageiros originários dos aeroportos alemães não são autorizados a embarcar sem teste PCR negativo efectuado num prazo de 72 horas anteriores aos voos. E o Reino Unido volta a decretar quarentena, agora de 10 dias, para todos os procedentes das Canárias.

Mas o alarme maior é o modus operandi na recepção de passageiros nos aeroportos. Mais uma vez somos surpreendidos pela inabilidade de quem manda: Os passageiros que chegam sem teste PCR realizado até 72 horas anteriores à viagem, recebem um documento para fazer a respectiva prova num prazo também de 72 horas, exame gratuito para os residentes e que deverá ser realizado nos serviços públicos de saúde.

Afinal, como se garante que os cidadãos que entram nas ilhas sem teste negativo, não são transmissores no tal prazo de 72 horas dado pelas autoridades aeroportuárias?

Seguramente não haverá resposta digna à pergunta: Obviamente um passageiro que tenha entrado nas Canárias positivo, mesmo que seja assintomático, promoveu alguns contágios.

Mas há outras perguntas pertinentes que não encontram nenhuma resposta entre os líderes políticos:

  • Qual é a justificação para o aumento do número de infectados?
  • Porque se continua a permitir a chegada de pateras e cayucos com migrantes da África magrebina sem os travar à entrada das águas territoriais das Canárias?
  • Como é que houve migrantes que testaram negativo (em PCR) e que após a transferência para o território peninsular acusaram positivo em novo teste PCR? – por José Maria Pignatelli
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